12 de agosto de 2014

A culpa nunca morrerá solteira!

Enquanto existirem mães!

Quando a culpa morrer, será após um longo e infeliz casamento com o coração duma mãe.

Porque a culpa, essa, adora meter-se nos lugares mais recônditos do coração duma mulher que tenha prole e que a ame acima de tudo.

A culpa aloja-se ali, qual hospedeiro parasita, num casamento sem direito a divórcio, nem mesmo o litigioso, pautado por muitos momentos de tristeza e infelicidade, em que a culpa, cônjuge maléfico, se fica a rir a bandeiras despregadas de ter infligido dor profunda.

A culpa, cônjuge dominador, chicoteia o coração duma mãe de todas as formas possíveis que encontra, seja na pequena chantagem emocional, seja na agressão pura e dura, deixando-o prostrado de joelhos.

Por vezes, o coração consegue ser mais forte e dar um chega para lá na culpa, mas nunca se livra verdadeiramente dela, porque a culpa é muito boa a infernizar, incutindo dúvidas e inseguranças no coração da mãe. Isto quando não traz ao barulho a mente, que toma muitas vezes por amante temporária, enchendo-a de cucos e preocupações.

Por isso, a culpa, quando morrer, nunca irá solteira, porque o coração duma mãe foi para o altar com ela, no dia em que nasceu o seu primeiro filho, por quem se apaixonou.

6 de agosto de 2014

Injustiças da vida duma mãe

A maior injustiça de ser mãe de dois rapazes não é saber que eles um dia virão a gostar tanto ou mais de outra mulher (se gostarem mais, deserdo-os! a única mulher de quem eles podem gostar mais do que mim, que sou a mãezinha é das suas filhas... ahahahahahahh)...

É saber que aquela pele tão macia do rosto deles um dia dará lugar a um campo de barba rija... e quiçá acne...

5 de agosto de 2014

Lições que (re)aprendi com a segunda maternidade

1. O corpo aguenta níveis de cansaço extremo que nunca pensámos ser capazes de suportar...

2. O silêncio é mesmo de ouro! Minto...é de diamante!

3. Existe uma razão mesmo muito boa para as mulheres serem polivalentes, multifacetadas e possuírem capacidade periférica. 

4. O multitasking é uma arma mesmo poderosa, especialmente quando levada a níveis elevados de eficiência e eficácia (ou como conseguir fazer o jantar, adiantar o almoço do dia seguinte, enquanto encho a máquina da loiça e programo a da roupa enquanto respondo às 500 perguntas que o Falipe dispara na minha direcção)

5. Apesar do cansaço extremo, em que até as pestanas parecem querer sucumbir, temos sempre que ter forças para fazer um bolo colorido com o filho mais velho... enquanto rezamos para que o mais novo não abra as goelas...

7. Ser capaz de ignorar o facto de que os serviços mínimos dos mínimos dos mínimos de tarefas domésticas não serem suficientes para termos a casa num estado de quase pocilga

8. Ficamos espantadas perante a capacidade de inventar refeições que sejam preparadas em menos de 30 minutos.

9. No final desta licença de maternidade, vou precisar dumas férias! Bem looooongas!

31 de julho de 2014

Falipices #76

Uma certa tarde, de regresso a casa, vindos da "casa de Aljezur", Falipe informa-nos que já decidiu qual o desporto que quer praticar.

- mãe é aquele que tem um pau muito comprido e que batemos numa bola e ela vai muito longe.

- estás a falar de hóquei em patins? (no dia anterior tínhamos visto o jogo da selecção)

- não, não é esse!

Bem, depois de mais umas tentativas de perceber que jogo seria esse... fez-se luz!

- estás a falar de golf?

- sim! É esse!!!

- oh filho, mas esse desporto é muito caro...

- não é não! Prós meninos não é... só prós senhores grandes.

Bem, uma coisa é certa, campos disponíveis nas redondezas não lhe faltam!

29 de julho de 2014

Falipices #75 - amor fraterno

Até eu ter engravidado, Falipe nunca fez menção de querer irmãos. Aliás, quando questionado sobre isso, a resposta era invariavelmente que não, não queria irmãos.

Por estes dias, anda tão feliz com o mano que volta e meia sai-se com esta conversa:

- Oh mãe, e depois do mano, vai nascer uma mana e depois outro mano.

- Ai sim?!

- Sim, mãe! Vai nascer uma mana e depois um mano que se vai chamar Luís.

- Ah, então já tens um nome para o mano e tudo...

- Sim!

Há poucos dias, comunicou-me que tinha decidido que a irmã se iria chamar Joana. (mesmo que eu viesse a remotamente engravidar de novo e fosse menina, garanto-te Falipe que se iria chamar Margarida e nunca Joana!!).

Mal ele sabe que para mim, dois é a conta que Deus fez (e não três! ou quatro... como ele deseja)

27 de julho de 2014

Nos intervalos

Bebé Ricardo absorve o meu tempo.

Come a intervalos de 1h30, mais coisa menos coisa. Por vezes não chega a aguentar mais que 1h15 e em certos dias, quer comer e chora com aquele som característico que já tão bem conheço de hora a hora. Um biberão de suplemento (que já dou apenas e só para dar descanso ao meu peito cheio de nódoas negras...) mata-lhe a fome durante não mais de 40 minutos.

Nos intervalos das refeições, bolsa sem cessar e por isso chora...

Chora quando bolsa, chora quando quer dormir, chora quando quer comer, quando tem a fralda suja. Só não chora por causa de cólicas, que não as tem.
Ele chora porque quer colo e já se habituou ao calor do nosso corpo e do ritmo cadente do embalo. A minha coluna grita e a minha tendinite no ombro ganha contornos de dor que eu já me tinha esquecido.

Ele chora. Por razões que desconheço, por mais que me esforce por tentar perceber.

A minha resistência ao som de chorar atinge mínimos históricos... e eu acabo algumas vezes a chorar também.

Nos intervalos de 1h30 por vezes consigo fazer o almoço e dar um jeito à cozinha, mas já não consigo almoçar ou jantar... e faço-o muitas vezes com o som dele a chorar como banda sonora.
Já não sei o que é jantar com o G. ou com o Falipe...

Nos intervalos, por vezes saio de casa quase e só para ir ao supermercado comprar o que me falta, porque sei que a margem de tempo para dar de mamar é mínima. E eu, outrora uma mulher destemida sem problemas em amamentar em público, se preciso fosse (com o devido resguardo da decência), não me sinto em condições de coragem para o fazer. Pelo menos não com a frequência que se impõe necessária.

Nos intervalos ainda ia tentando dar conta da pilha de roupa que se acumula sem que eu consiga sequer ter noção de quando poderei esforçar-me por reduzi-la. O que me leva a episódios de caça àquela peça de roupa específica e que eu já nem sei em que ponto da pilha está...

O andamento do carro embala-o, mas é muito como um anúncio a um certo automóvel, em que sempre que o carro pára, o bebé chora.

O Falipe fala comigo e eu esforço-me por conseguir concentrar-me no que ele e diz. Mas o meu cérebro cansado nem sempre consegue reter metade do que ele me disse. E eu sei que mais tarde vou querer recordar-me destes momentos importantes da vida do meu filho mais velho, a quem me sinto a falhar à grande...

Sinto a minha memória a falhar, e isso assusta-me porque a memória sempre foi uma das minhas melhores qualidades.

Ouço opiniões de pessoas conhecidas, amigos e familiares e todos me tentam apaziguar e sossegar, e animar de que tudo isto vai passar.
Eu sei que sim, acredito nisso, mas não passou ainda e isso custa-me e eu anseio pelo momento em que passe ou pelo menos se suavize.

No entanto, apesar de tudo isto, derreto-me quando sinto o cheiro dele, sinto a sua pele macia, vejo os olhos dele redondos como azeitonas a procurar-me, sinto os seus dedos agora rechonchudos junto aos meus, e agarro os seus pés pequeninos e macios como veludo. E apaixono-me mais e mais por este filho que eu tanto desejei, e que agora preenche o meu colo e os meus dias e noites.

18 de julho de 2014

Sorri sempre, sorri!

A dois dias de completares dois meses, hoje sorriste intencionalmente quando te fiz uma garatuja!

Um sorriso rasgado, lindo, nos teus lábios perfeitos.

Eu e o teu pai ficámos literalmente derretidos...

Agora que sabes sorrir, meu filhote, sorri muito.

Sorri sempre!

15 de julho de 2014

Fome de leão

De todos os aspectos da maternidade renovada, aquele que menos preocupação me trazia era a amamentação. Estava em paz comigo mesma, porque achava que iria correr cinco estrelas, mil maravilhas, como sucedera da primeira volta. Confiante plena das minhas capacidades de amamentar, assumi que tudo seria um mar de rosas no que a esta matéria diz respeito.
Estava longe de imaginar que me sairia na rifa um filho do mais comilão que se pode encontrar.

A princípio temi que a minha confiança inabalável na minha capacidade de amamentar e na qualidade do meu leite tivesse sido excessiva e sobre-avaliada. Achei depois que ele estaria a passar fomeca da negra, depois convenci-me que leite materno ou suplemento alimentam-no da mesma forma e na mesma proporção.

Por estes dias, só o argumento de "pico de crescimento" me serve de consolo... e nem é assim tanto quanto isso!

É que o Ricardo é um esfomeado que começou por querer mamar de 2h em 2h, por estes dias a norma costuma ser 1h30 de intervalo entre refeições, quando não se fica pelas 1h15. Na semana passada cheguei mesmo a amamentar de hora a hora... o que se reflectiu num ganho de peso de 435 gr numa semana. 

Ele tem fome, está sempre com fome. 
E quando tem fome... ele grita com uma goela de meter medo!
Nada me preparou para um filho com necessidades alimentares desta monta...