12 de agosto de 2014
A culpa nunca morrerá solteira!
Quando a culpa morrer, será após um longo e infeliz casamento com o coração duma mãe.
Porque a culpa, essa, adora meter-se nos lugares mais recônditos do coração duma mulher que tenha prole e que a ame acima de tudo.
A culpa aloja-se ali, qual hospedeiro parasita, num casamento sem direito a divórcio, nem mesmo o litigioso, pautado por muitos momentos de tristeza e infelicidade, em que a culpa, cônjuge maléfico, se fica a rir a bandeiras despregadas de ter infligido dor profunda.
A culpa, cônjuge dominador, chicoteia o coração duma mãe de todas as formas possíveis que encontra, seja na pequena chantagem emocional, seja na agressão pura e dura, deixando-o prostrado de joelhos.
Por vezes, o coração consegue ser mais forte e dar um chega para lá na culpa, mas nunca se livra verdadeiramente dela, porque a culpa é muito boa a infernizar, incutindo dúvidas e inseguranças no coração da mãe. Isto quando não traz ao barulho a mente, que toma muitas vezes por amante temporária, enchendo-a de cucos e preocupações.
Por isso, a culpa, quando morrer, nunca irá solteira, porque o coração duma mãe foi para o altar com ela, no dia em que nasceu o seu primeiro filho, por quem se apaixonou.
6 de agosto de 2014
Injustiças da vida duma mãe
É saber que aquela pele tão macia do rosto deles um dia dará lugar a um campo de barba rija... e quiçá acne...
5 de agosto de 2014
Lições que (re)aprendi com a segunda maternidade
31 de julho de 2014
Falipices #76
Uma certa tarde, de regresso a casa, vindos da "casa de Aljezur", Falipe informa-nos que já decidiu qual o desporto que quer praticar.
- mãe é aquele que tem um pau muito comprido e que batemos numa bola e ela vai muito longe.
- estás a falar de hóquei em patins? (no dia anterior tínhamos visto o jogo da selecção)
- não, não é esse!
Bem, depois de mais umas tentativas de perceber que jogo seria esse... fez-se luz!
- estás a falar de golf?
- sim! É esse!!!
- oh filho, mas esse desporto é muito caro...
- não é não! Prós meninos não é... só prós senhores grandes.
Bem, uma coisa é certa, campos disponíveis nas redondezas não lhe faltam!
29 de julho de 2014
Falipices #75 - amor fraterno
Por estes dias, anda tão feliz com o mano que volta e meia sai-se com esta conversa:
- Oh mãe, e depois do mano, vai nascer uma mana e depois outro mano.
- Ai sim?!
- Sim, mãe! Vai nascer uma mana e depois um mano que se vai chamar Luís.
- Ah, então já tens um nome para o mano e tudo...
- Sim!
Há poucos dias, comunicou-me que tinha decidido que a irmã se iria chamar Joana.
Mal ele sabe que para mim, dois é a conta que Deus fez (e não três! ou quatro... como ele deseja)
27 de julho de 2014
Nos intervalos
Bebé Ricardo absorve o meu tempo.
Come a intervalos de 1h30, mais coisa menos coisa. Por vezes não chega a aguentar mais que 1h15 e em certos dias, quer comer e chora com aquele som característico que já tão bem conheço de hora a hora. Um biberão de suplemento (que já dou apenas e só para dar descanso ao meu peito cheio de nódoas negras...) mata-lhe a fome durante não mais de 40 minutos.
Nos intervalos das refeições, bolsa sem cessar e por isso chora...
Chora quando bolsa, chora quando quer dormir, chora quando quer comer, quando tem a fralda suja. Só não chora por causa de cólicas, que não as tem.
Ele chora porque quer colo e já se habituou ao calor do nosso corpo e do ritmo cadente do embalo. A minha coluna grita e a minha tendinite no ombro ganha contornos de dor que eu já me tinha esquecido.
Ele chora. Por razões que desconheço, por mais que me esforce por tentar perceber.
A minha resistência ao som de chorar atinge mínimos históricos... e eu acabo algumas vezes a chorar também.
Nos intervalos de 1h30 por vezes consigo fazer o almoço e dar um jeito à cozinha, mas já não consigo almoçar ou jantar... e faço-o muitas vezes com o som dele a chorar como banda sonora.
Já não sei o que é jantar com o G. ou com o Falipe...
Nos intervalos, por vezes saio de casa quase e só para ir ao supermercado comprar o que me falta, porque sei que a margem de tempo para dar de mamar é mínima. E eu, outrora uma mulher destemida sem problemas em amamentar em público, se preciso fosse (com o devido resguardo da decência), não me sinto em condições de coragem para o fazer. Pelo menos não com a frequência que se impõe necessária.
Nos intervalos ainda ia tentando dar conta da pilha de roupa que se acumula sem que eu consiga sequer ter noção de quando poderei esforçar-me por reduzi-la. O que me leva a episódios de caça àquela peça de roupa específica e que eu já nem sei em que ponto da pilha está...
O andamento do carro embala-o, mas é muito como um anúncio a um certo automóvel, em que sempre que o carro pára, o bebé chora.
O Falipe fala comigo e eu esforço-me por conseguir concentrar-me no que ele e diz. Mas o meu cérebro cansado nem sempre consegue reter metade do que ele me disse. E eu sei que mais tarde vou querer recordar-me destes momentos importantes da vida do meu filho mais velho, a quem me sinto a falhar à grande...
Sinto a minha memória a falhar, e isso assusta-me porque a memória sempre foi uma das minhas melhores qualidades.
Ouço opiniões de pessoas conhecidas, amigos e familiares e todos me tentam apaziguar e sossegar, e animar de que tudo isto vai passar.
Eu sei que sim, acredito nisso, mas não passou ainda e isso custa-me e eu anseio pelo momento em que passe ou pelo menos se suavize.
No entanto, apesar de tudo isto, derreto-me quando sinto o cheiro dele, sinto a sua pele macia, vejo os olhos dele redondos como azeitonas a procurar-me, sinto os seus dedos agora rechonchudos junto aos meus, e agarro os seus pés pequeninos e macios como veludo. E apaixono-me mais e mais por este filho que eu tanto desejei, e que agora preenche o meu colo e os meus dias e noites.
18 de julho de 2014
Sorri sempre, sorri!
A dois dias de completares dois meses, hoje sorriste intencionalmente quando te fiz uma garatuja!
Um sorriso rasgado, lindo, nos teus lábios perfeitos.
Eu e o teu pai ficámos literalmente derretidos...
Agora que sabes sorrir, meu filhote, sorri muito.
Sorri sempre!