8 de julho de 2014

Falipices #74

À hora de jantar, ao vê-lo com ar cansado e pensativo, o pai pergunta-lhe:

- Estavas a pensar no quê?

- Eu estava a pensar que quando for grande... sabes... vou comprar uma prancha de surf.

- Ai sim?

- Tu não querias uma prancha de surf, papá?

- Mas eu não sei surfar...

- Sabes, é fácil! Vais assim em cima da prancha e depois pões-te em pé na onda e depois shhhhhhhh... vais assim na água da onda.

Ah bom... é assim fácil, não é filho?!

1 de julho de 2014

A privação de sono, essa cabra maléfica

Rebenta connosco, dá-nos a volta, retorce-nos e revira-nos 80 vezes e faz vir à tona algo do pior que cada um de nós tem dentro de nós. E o meu pior consegue ser mesmo mauzinho, execrável arrisco dizer.

A privação de sono tolda-nos o raciocínio, e leva-nos ao desvario!
Nalguns casos, ao desespero absoluto e à descompensação.

Por vezes compensa descompensar, porque nos permite recuperar um pouco o norte, trazer de volta alguma lucidez que nos possibilita seguir em frente com um pouco mais de capacidades mentais e com mais coragem de sabermos que somos capazes de vencer a tortura que é querer descansar e não ter essa hipótese.

E não faz mal descompensar, ou reconhecer que a privação de sono nos torna pessoas menos agradáveis numa altura em que deveríamos ser só amor e carinho e gugu-dadás. Porque afinal de contas, somos humanos, e temos que admitir que temos bastantes limitações, sendo o cansaço um dos maiores que se nos coloca.
Privadas de sono, não há gugu-dadás que nos valham... torna-se difícil compreender porque razão aquele ser pequenino chora sem parar, quando já esgotámos todas as hipóteses plausíveis no "manual inexistente de criar recém-nascidos"...

Privadas de sono, somos altamente vulneráveis a alimentar outra cabra maléfica muito comum na maternidade: a culpa!
Culpamo-nos porque não fomos capazes de resistir ao cansaço e à exaustão, e depois estamos exaustas  demais para conseguir impedir que a culpa cresça a passos de gigante. E isto é uma bola de neve, que em breve se torna numa avalanche que nos colhe à passagem.

Por estes dias, reconheço que a minha dose de paciência aumentou exponencialmente, sou muito mais calma e ponderada nas minhas acções e sou capaz de fazer a minha faceta impaciente sossegar por mais tempo. E manter os níveis de auto-culpabilização em mínimos aceitáveis.

Mas a idade não perdoa, e a resistência com um corpo exausto por falta de horas de sono, ou por sonos sucessivamente interrompidos (por estes dias, a cada 2h) torna-se menor. E por mais paciência que possa ter, a resistência física para me aguentar lúcida é mais reduzida.

Mas como em tudo na vida, this too shall pass

E há que aproveitar cada minuto e cada segundo sossegado, carregado de gugu-dadás e de mimo e derretimento por um ser pequenino e perfeito que faz as caretas mais giras e delicadas e deliciosas, que tem a pele mais macia do mundo, as mãos mais pequeninas e fortes, as feições mais lindas e perfeitas do mundo e que me fixa indefenidamente com ar de espanto e reconhece a minha voz de imediato e que fazem com que o coração desta mãe transborde de amor incondicional em milissegundos!

25 de junho de 2014

Senhor Abel, o avô babado...

Tens estado sempre no meu pensamento desde que o Ricardo nasceu. 

Sei que ficarias babado com o teu novo neto.
Ficarias profundamente maravilhado diante da perfeição do seu rosto.

Sei que ficarias a olhar para ele sussurrando palavras doces de avô, dizendo que o seu narizinho é "batatudo" e pequenino. Dirias que ele cheira a "pequeninos", como fazias comigo quando era pequenina (e mesmo em idade adulta!) e ainda tiveste oportunidade de fazer com o Falipe. 

Ias ficar tempos infindos a mexer nas suas mãos mini-mini e absolutamente espantado com os seus dedos esguios e compridos. 

E eu ia ficar deliciada com os teus olhos de alegria e emocionada com as tuas palavras de puro amor sussurradas aos meus filhos, teus netos!

Porque tu não ias caber em ti de contente, por seres avô de novo.

23 de junho de 2014

Falipices #73

O dia da pergunta tão temida chegou...

- Mãe, como é que os bebés vão parar às barrigas das mães?

Só consegui responder que os pais gostam muito uns dos outros e às vezes abraçam-se muito e às vezes acontece que há um bebé que vai parar às barrigas das mães.

Acho que não me saí lá muito bem... mas ele parece ter ficado minimamente satisfeito com a resposta. 

Falta saber até quando é que esta resposta faz sentido para ele...

21 de junho de 2014

Um mês de maternidade dupla

Ricardo, 

Hoje completas um mês de vida. 
Ainda era suposto estares na minha barriga, no calor do meu corpo. 
Ao invés, estás envolvido nos meus braços. 
Reconheces a minha voz perfeitamente e fixas o meu rosto com os teus olhos ainda acinzentados. 

Pesas quase 2,5 kg e cabes em pleno nos meus braços e eu... eu estou derretida contigo, com a tua pequenez, a perfeição do teu rosto e a suavidade da tua pele, os teus dedos, mãos e pés lindos e perfeitos, tudo em ti é perfeito!

Foste a bênção que pedi e não podia ter sido mais abençoada!

Fico derretida com as tuas expressões faciais, mesmo que ainda sejam puramente involuntárias, com as caretas que fazes, nesse teu rosto tão bonito.

Adoro ver-te dormir, pela paz que irradias, tão sossegado e inocente.

Não podia nunca imaginar que te amaria tanto assim, que o meu coração ia aumentar de tamanho, que a minha vida como mãe e mulher poderia estar ainda mais preenchida!
Ainda estou a habituar-me à rotina, aos horários e a gerir uma vida com dois filhos, lindos e maravilhosos mas o meu amor é incondicional! 

Obrigada filho por toda a felicidade e alegria que me dás todos os dias!!

16 de junho de 2014

Músicas especiais


Esta tocava à hora que nasceu o Ricardo.

E esta cantei para comigo enquanto estava internada no bloco de partos, e depois, para o Ricardo quando o vi pela primeira vez, quando o segurei nos meus braços.

5 de junho de 2014

Um grande e sentido obrigada

A todos os que por cá passaram e me deixaram palavras de felicitação, desejos de muita alegria e de um futuro promissor!

Por cá, vamos ajustando as rotinas, vamos conhecendo os ritmos uns dos outros, vamos dominando dores e recuperando ao andar do passar dos dias.

Uma coisa é certa, nesta casa, há amor e carinho a transbordar.
Há também algumas horas de sono devidas à cama, que se tentam repor quando e se possível.

Há amor fraterno e a constante pergunta: quando é que o mano cresce, para podermos brincar?

Nesta casa, sentimo-nos todos muito afortunados!

4 de junho de 2014

O sistema não responde...

Anda para aí uma revolta dos "sistemas".

Vou ao centro de saúde e a desculpa é sempre ou "estamos sem sistema" ou "o sistema hoje está lento"...

Vou à loja do tio Belmiro e se o talão das compras demora a ser processado, logo a funcionária da caixa se apressa a dizer "o sistema está lento, demora um bocadinho"...

A seguir vou à farmácia, e lá vem o argumento "o sistema está lento"...

Se tento entrar no portal das finanças para saber quando é que o Estado me vai devolver o que eu desembolsei "há-ca-tempos", aparece logo a informação em rodapé "o sistema não está a responder..."

No banco, o mesmo argumento é usado para justificar a demora na actualização dos dados de cliente.

Se calhar, não são só as pessoas em geral que andam descontentes com a vida, com a crise e com tudo-e-mais-alguma-coisa. Se calhar os sistemas decidiram fazer uma espécie de greve, amuando e não dando resposta como deve ser...