23 de junho de 2014

Falipices #73

O dia da pergunta tão temida chegou...

- Mãe, como é que os bebés vão parar às barrigas das mães?

Só consegui responder que os pais gostam muito uns dos outros e às vezes abraçam-se muito e às vezes acontece que há um bebé que vai parar às barrigas das mães.

Acho que não me saí lá muito bem... mas ele parece ter ficado minimamente satisfeito com a resposta. 

Falta saber até quando é que esta resposta faz sentido para ele...

21 de junho de 2014

Um mês de maternidade dupla

Ricardo, 

Hoje completas um mês de vida. 
Ainda era suposto estares na minha barriga, no calor do meu corpo. 
Ao invés, estás envolvido nos meus braços. 
Reconheces a minha voz perfeitamente e fixas o meu rosto com os teus olhos ainda acinzentados. 

Pesas quase 2,5 kg e cabes em pleno nos meus braços e eu... eu estou derretida contigo, com a tua pequenez, a perfeição do teu rosto e a suavidade da tua pele, os teus dedos, mãos e pés lindos e perfeitos, tudo em ti é perfeito!

Foste a bênção que pedi e não podia ter sido mais abençoada!

Fico derretida com as tuas expressões faciais, mesmo que ainda sejam puramente involuntárias, com as caretas que fazes, nesse teu rosto tão bonito.

Adoro ver-te dormir, pela paz que irradias, tão sossegado e inocente.

Não podia nunca imaginar que te amaria tanto assim, que o meu coração ia aumentar de tamanho, que a minha vida como mãe e mulher poderia estar ainda mais preenchida!
Ainda estou a habituar-me à rotina, aos horários e a gerir uma vida com dois filhos, lindos e maravilhosos mas o meu amor é incondicional! 

Obrigada filho por toda a felicidade e alegria que me dás todos os dias!!

16 de junho de 2014

Músicas especiais


Esta tocava à hora que nasceu o Ricardo.

E esta cantei para comigo enquanto estava internada no bloco de partos, e depois, para o Ricardo quando o vi pela primeira vez, quando o segurei nos meus braços.

5 de junho de 2014

Um grande e sentido obrigada

A todos os que por cá passaram e me deixaram palavras de felicitação, desejos de muita alegria e de um futuro promissor!

Por cá, vamos ajustando as rotinas, vamos conhecendo os ritmos uns dos outros, vamos dominando dores e recuperando ao andar do passar dos dias.

Uma coisa é certa, nesta casa, há amor e carinho a transbordar.
Há também algumas horas de sono devidas à cama, que se tentam repor quando e se possível.

Há amor fraterno e a constante pergunta: quando é que o mano cresce, para podermos brincar?

Nesta casa, sentimo-nos todos muito afortunados!

4 de junho de 2014

O sistema não responde...

Anda para aí uma revolta dos "sistemas".

Vou ao centro de saúde e a desculpa é sempre ou "estamos sem sistema" ou "o sistema hoje está lento"...

Vou à loja do tio Belmiro e se o talão das compras demora a ser processado, logo a funcionária da caixa se apressa a dizer "o sistema está lento, demora um bocadinho"...

A seguir vou à farmácia, e lá vem o argumento "o sistema está lento"...

Se tento entrar no portal das finanças para saber quando é que o Estado me vai devolver o que eu desembolsei "há-ca-tempos", aparece logo a informação em rodapé "o sistema não está a responder..."

No banco, o mesmo argumento é usado para justificar a demora na actualização dos dados de cliente.

Se calhar, não são só as pessoas em geral que andam descontentes com a vida, com a crise e com tudo-e-mais-alguma-coisa. Se calhar os sistemas decidiram fazer uma espécie de greve, amuando e não dando resposta como deve ser...

29 de maio de 2014

Notícia de um nascimento*

A 20 de Maio às 19h01 nasceu de cesariana, com 2010gr e 43,5 cm o meu menino mais lindo, doce e forte.

Um apressado de primeira! Mas que terá ajudado a mãe a livrar-se dum episódio de pré-eclampsia...

Mãe e filho estão bem, a recuperar.

A minha família está completa.

* - título claramente plagiado ao grande senhor GGM

23 de maio de 2014

Miopia social selectiva

Por um lado dizem-me:

Eh pá, que grande barrigão! Estás enorme!

Por outro chego às filas de supermercado e o comentário é sempre:

Ah desculpe, não a vi...

Em que ficamos?!

* - desta feita posso afirmar que não usei da regra de prioridade à grávida em lado nenhum. Não calhou...

17 de maio de 2014

Semanário de gravidez #16

Estes dias de baixa médica foram bastante benéficos! O facto de andar sempre ocupada e de um lado para o outro fizeram com que o inchaço que já começava a caracterizar os meus "pés-de-sereia" abrandasse. Realmente estar permanentemente sentada e com os pés pendurados não me estavam a fazer nada bem...
Foi bastante bom poder abrandar o ritmo numa série de aspectos, poder planear tantas coisas que tinha pensadas há já algumas semanas, mas que por falta de tempo e energia ainda não conseguira pôr em prática.

Diria mesmo que me esmerei desta feita, visto que já tenho o saco de maternidade pronto há mais de uma semana, e o saco do bebé está também quase quase quase a postos. Acho que estou a redimir-me em grande da vergonha que foi na gravidez do Falipe, em que fiz o meu saco e o dele antes de sair de casa para ir para a maternidade, às 37 semanas... e já no bloco de partos é que tomei consciência de que não tinha banheira, carro ou ovo comprados...

Estes dias de calor fizeram com que tivesse sonhos idílicos com piscinas de água fresca e cristalina e sessões de massagens num qualquer spa com motivos marítimos a orlar as paredes! Além do calor, os afrontamentos começaram em força, e o meu termóstato parece uma montanha-russa... (a julgar por estes dias, nem quero imaginar o dia em que entrar na menopausa...)

Não houve piscinas nem grandes idas à praia ou ao spa, mas houve algum "esplanadar" à mistura, acompanhados de um bom livro, outra actividade que estava deixada ao abandono há algum tempo.

No entanto, nem tudo foram rosas, não... o facto de ter o companheiro "desasado" fez com que houvesse muito serviço de enfermeira. Além disso, eu que sempre fui uma grata sortuda por ter um companheiro com quem sempre dividi tarefas domésticas (todas elas!), vi-me na situação de ter que dar conta de todas as tarefas domésticas sem excepção. Se já antes bendizia a minha cara-metade por ser assim valente, agora ainda lhe dou mais valor! E vejo que ele se sente um tanto angustiado por não me poder ajudar. Mas realmente não temos mesmo a noção do quanto podemos ficar limitados, quando só temos o uso de uma mão... No entanto, ele começa a dar sinais de melhoras, ao mesmo tempo que percebe o quão atrofiado de movimentos pode ficar um braço que não se pode mexer.

Obviamente que tive algumas cautelas e fui fazendo momentos de pausa e descanso. Dormi algumas sestas valentes, que me permitiram repor energias. Isto porque tenho consciência que se quero levar esta gravidez a termo (ainda faltam 5 semanas), tenho que me auto-preservar e não andar armada em super-heroína! 

O Falipe parece ter-se acalmado um pouco mais, pelo menos em casa, depois de um fim-de-semana atribulado e marcado por castigo. O meu rapazolas é crescido e percebeu que estava a passar de algumas marcas de respeito. Na escola a coisa parece não ter melhorias, mas começo a perceber que a senhora professora terá algumas pequenas lacunas na forma de abordar maus comportamentos, e aplica sempre o mesmo castigo, sem que daí advenha algum resultado. Pelo que conversei com algumas outras mães, o mal parece ser generalizado e não apenas exclusivo do meu filho...

De resto, estou sempre permanentemente acompanhada! O meu bebé-rica está em constante movimento, qual tamborzinho que mexe no meu ventre. Os seus pés estão sempre ali ao lado do meu fígado e ele gosta de se esticar! Enquanto leio, enquanto descasco batatas para a sopa ou arrumo a roupa nos armários. É uma sensação boa mesmo, porque apesar de estar metida nos meus pensamentos, sei que ele está sempre ali comigo, nunca me deixando um minuto de solidão. Creio que aqui deve estar a génese da tristeza de qualquer mãe que vê os seus filhos crescer e sair do ninho... este sentimento de nunca mais estarmos sós que se vai esbatendo à medida que eles saem de nós, crescem, dão os primeiros passos, começam a falar, a pensar por si mesmos, a tornar-se em seres humanos perfeitamente autónomos, até ao dia em que voam do nosso ninho para fora, em busca da sua felicidade... e aquela sensação de companhia permanente fica deixada no vazio...