18 de abril de 2014

This moment - Este momento

{this moment}
A Friday ritual. A single photo - no words - capturing a moment from the week. A simple, special, extraordinary moment. A moment I want to pause, savor and remember. If you're inspired to do the same, leave a link to your 'moment' in the comments for all to find and see.
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{este momento}
Um ritual à sexta-feira. Apenas uma fotografia - nada de palavras - capturando um momento da semana. Um momento simples, especial e extraordinário. Um momento que eu quero "congelar", saborear e recordar. Se te sentes inspirado a fazer o mesmo, deixa o link do teu 'momento' na caixa de comentários para que todos possamos encontrar e ver.
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17 de abril de 2014

Semanário de gravidez #12

Actualmente em modo balofa.

Olá cãibras nos gémeos a meio do sono, de ficar com os músculos presos e completamente doridos e  na manhã seguinte ainda andar meio coxa...

Olá tornozelos inchados.
Olá pés inchados (ainda não a ponto de deixar de calçar os meus sapatos de sempre...)
Olá mãos ligeiramente inchadas...

De resto continuam as sessões de kick-boxing ou então é de boxe mesmo, tendo em conta que ele está virado e onde sinto mais movimentações é na zona do baixo ventre.

Já começo a ter sérias dificuldades em curvar-me e por este ritmo estou a ver que daqui por umas semanas, começo a precisar de pagem para me ajudar a calçar sapatos.

Os meus ciclos de sono andam todos destrambelhados, tenho períodos de sono durante o dia, em que se apanhasse uma poltrona ferrava a dormir, ressonando vigorosamente. Mas à noite... parece que antes da 1h da manhã não há sono que me chegue, apesar de eu deitar contas à minha vida sobre como me vou conseguir levantar na manhã seguinte para ir trabalhar com apenas pouco mais de 6h de sono... 
 
O curioso é que me sinto mais enérgica do que no primeiro trimestre e quero abarcar o mundo em afazeres e projectos que tenho em mente, que depois não consigo plenamente concretizar dadas as minhas limitações físicas.

A roupa do bebé está toda pronta a ser colocada na mala de maternidade e à distância de cinco anos que tem agora o Falipe, olho para as camisolas, calças e meias e fico com a sensação de que estou a mexer em roupa de Nenucos. É incrível como a nossa percepção das dimensões muda de uma forma tão drástica.

Todos à minha volta clamam que estou gigantesca, mas eu não me convenço disso! No entanto, há dias houve uma colega de trabalho que me disse que eu devia estar sempre grávida, já que fico mais bonita do que não estando. Ainda estou a decidir se considero isto um elogio ou um insulto...

Incomodam-me já os cinquenta mil anúncios a produtos e dietas milagrosas para emagrecer, na tentativa de todos ficarem esbeltos até ao verão que se avizinha. Não porque eu não possa nesta fase emagrecer e esteja numa fase de "evolução corpórea", mas porque simplesmente ouvir aquelas balelas me provoca náuseas...  ouço os pregões e soa-me tão a falso, tão a engano. É certo que sei que terei que ter cuidado no pós-parto, mas estou mais virada para uma reeducação alimentar do que para dietas fantabulásticas, que só servem para enganar temporariamente o freguês.

O Falipe começou a chamar-me carinhosamente "mãe barrigudinha" e só espero que ele perceba que este estado é temporário!

14 de abril de 2014

"Gosto de ti"

Os meus pais e avô materno ensinaram-me o que é gostar de alguém, a saber acarinhar alguém. Ensinaram-me pelo forte exemplo que me deram, pela forma como se relacionavam entre si e comigo.

Em casa, sempre percebi que quando gostamos de alguém, não há que reprimir demonstrações de afecto, mesmo que não haja palavras proferidas em sussurro ou em voz alta. Um beijo afectuoso ou um abraço espontâneo eram suficientes para sentirmos o quanto gostavamos uns dos outros.

Mediante este exemplo e tendo perdido os meus entes mais queridos cedo na vida, assimilei quase de forma natural esta forma de estar na vida e de me relacionar afectivamente (não sem alguns desgostos maiores, diga-se...), com outros familiares e amigos. 

O mesmo se aplica, numa escala muito maior, ao meu filho e certamente ao que aí vem em breve. Digo-lhe que gosto dele, sempre que posso e me apetece. 

O fruto disso é volta e meia, de forma absolutamente espontânea e natural ouvi-lo logo pela manhã chamar-me ao quarto dele apenas e só para me dizer:

"Mãe, gosto muito de ti"

Ou então, estar a stressar enquanto tomo o pequeno-almoço a entre-olhar o relógio, antevendo que vou chegar ao trabalho atrasada, e de súbito ouvi-lo dizer:

"Estás muito bonita hoje, mamã."

Toda a rabugice se esfuma no ar, o stress apazigua-se momentaneamente, porque além de saber bem ouvir estas palavras, percebo claramente que devo estar a fazer alguma coisa certa nesta tarefa hercúlea e nada científica que é a maternidade, que é dar o exemplo ao meu filho do que é gostar de alguém e saber exprimi-lo de forma espontânea.

Só me assalta sempre uma certa dúvida, se não estarei a prepará-lo mal para o futuro, não lhe dando defesas suficientes em relação a outras pessoas que não sejam tão genuínas de sentimentos e afectos.

12 de abril de 2014

"o Estado a que chegamos..."

A propósito das declarações desta... é melhor não reduzir a escrito o que penso desta figura, acho que se impõe a visualização atenta da entrevista feita a Salgueiro Maia, um dos Capitães de Abril, uns tempos antes de falecer, a propósito dos acontecimentos do 25 de Abril.


Porque se acaso os Capitães de Abril não tivessem decidido fazer algo para mudar o "Estado a que chegámos" a dita senhora hoje provavelmente estaria em casa a lavar pratinhos, a fazer a faxina doméstica e com 8 ou 10 filhos para criar e não ocuparia o cargo que ocupa, nem receberia a sua fantástica reformazinha, após 12 anos de serviço (que imagino devem ter sido penosos a valer, para lhe dar direito a reforma assim...)

Imagino quantas voltas na tumba devem estar a dar tanto o Salgueiro Maia, como tantos outros capitães e militares que ajudaram a fazer o 25 de Abril e a trazer a democracia a este país...

Deixo aqui os vídeos de uma entrevista que vale bem a pena ver, para percebermos muita coisa sobre os acontecimentos do 25 de Abril.

Registo um comentário muito engraçado de Salgueiro Maia sobre as prioridades dos nossos políticos: "estão mais interessados em serem bem reformados, e não em serem bem formados."




11 de abril de 2014

Semanário de gravidez #11

Estou praticamente a chegar às 30 semanas. Isso significa que já conto com 3/4 de gravidez passada... mas já?! No entanto ainda faltam 10 semanas... dois meses e pouco, mais coisa menos coisa. E visto assim, até parece uma eternidade...

A segunda sessão da educação para a parentalidade revelou-se bastante mais útil que a primeira, uma vez que se debruçou sobre amamentação, em relação à qual não tenho qualquer complexo, receio ou dúvida. Isto porque estou a contar que corra igualmente bem como sucedeu com o Falipe. Versou também sobre os cuidados a ter com a higiene do bebé nas primeiras semanas, e aqui sim, posso dizer que foi bastante bom fazer uma reciclagem aos meus conhecimentos... já nem me lembrava de questões como tratar do umbigo e é curioso como em apenas 5 anos mudaram teorias e técnicas sobre quase tudo. Uma que achei piada em particular prende-se com a forma de deitar o bebé. Quando o Falipe nasceu, tinha que ser virado de lado. Agora tem que ser de barriga para cima, com a cabeça virada para um lado ou para o outro... o que me faz uma certa confusão, porque fico com a sensação de que ainda podemos provocar um torcicolo ao miúdo. Enfim, logo se vê!

Quase toda a gente (leia-se mulheres) me pede autorização para mexer na barriga. Acho que qualquer dia vou começar a cobrar bilhetes, aposto que ainda faço bom dinheiro!

O bebé Ricardo mexe-se a bom ritmo, em alguns dias até demais. Reclama se não me sento reclinada na cadeira de escritório, o que torna complicado estar ao computador a trabalhar. Se começa assim de pequenino a ser rezingão e reivindicativo, estou bem arranjada.

Os pés já dão sinais de algum inchaço e a minha coluna começou a queixar-se se estiver muito tempo de pé e numa posição estática, porque afinal de contas tenho uma lombar problemática.

O saco da maternidade continua por fazer... apesar de ter praticamente tudo o que preciso para o poder fazer. A roupa de bebé está separada há semanas, à espera de dias de sol para ser lavada. A ver se deste fim de semana não passa! Rica mãe que eu me saí.

Noto que a minha vontade de estar no meu local de trabalho é completamente inexistente. Se na primeira gravidez embirrei que iria trabalhar até à véspera do parto e levei a minha avante, desta feita admito que preferia estar entregue a costurar ou a tricotar coisas para este meu segundo filho, a preparar a sua chegada com calma e descontracção. Mas não se pode ter tudo o que se quer...

10 de abril de 2014

Um líder mundial exemplar!

Ah pois é... somos todos muitos liberais e prá frentex, e servimos de exemplo para o resto do mundo e tal e coisa, estamos na vanguarda de tudo e tudo, olhem só para nós tão justos que somos... pois sim, pois sim...


E depois ainda há quem se pergunte porque é preciso continuar a assinalar o dia da Mulher...

É também por isto!

9 de abril de 2014

Vidas campestres

No campo há sempre o que fazer.
Os dias passam com a lentidão e a rapidez própria das estações do ano, que ditam as tarefas a cumprir. 
No campo há um ritmo muito peculiar, que dita tudo o que há para fazer, e cada um a seu tempo.
Pode pensar-se à partida que a vida no campo é pasmacenta, que é aborrecida e enfadonha. Pelo contrário!
A vida no campo tem um ritmo muito próprio, o tempo é marcado por momentos específicos, que devem ser respeitados, não se devendo adiar tarefas que se impõem.
A vida no campo tem um colorido diferente, tem um grau de exigência subentendido, que só quem nele vive consegue entender.
Não há um momento de paragem, a não ser para o descanso à noite, as refeições habituais e a sesta após o almoço, para retemperar as forças e poupar o corpo ao sol escaldante dos dias de verão.
 
Há sempre o tempo da ceifa, desta ou daquela sementeira. 
Há um tempo para atender às necessidades dos animais, as vacas, ovelhas e galinhas. 
Há sempre a limpeza de primavera, as paredes a caiar em tempo de verão, as telhas do telhado para reposicionar no seu lugar. Os porcos que se matam no final do outono, para guardar para o ano seguinte.

Há fruta que tem que ser colhida das árvores do pomar. Há um tempo para delas fazer compotas, bolos e conservas, para armazenar no resto do ano, para consumo da casa.
Há alfaces e outras leguminosas que precisam de ser regadas para que possam subsistir.
Há animais que têm que ser apascentados.
Há animais que têm que ser alimentados, e posta a palha nova para deixar a sua "cama" limpa. Há animais que têm que ser escovados, tosquiados e vacinados.
Há vacas, cabras e ovelhas para serem ordenhadas com dia e hora marcada.
Há galinhas e patos que querem comer o milho e o trigo e pedem ordem de soltura para esgravatar livremente. Há horas para recolher os ovos, e horas para pôr os ovos a fim de serem chocados.
Há coelhos e porcos que precisam de comer, e como tal há que colher ervas do campo para os alimentar.
A lareira e o fogo de lenha que precisam de combustível, por isso há que apanhar, rachar lenha e aprovisioná-la. Com particular cuidado quando chega a invernia e esta tem que ser protegida da chuva ou do orvalho, para que se mantenha seca e possa arder normalmente.

Há um tempo e um ritmo para apanhar ervas daninhas, outro para arrancar culturas que já estão fora de época e plantar novas em seu lugar. Há um tempo para planear em que talhão de terra se semeia o quê, o estrume que é preciso usar e o mais adequado a cada cultura e as sementes que se separaram da colheita anterior.
Há um tempo para a vindima, para fazer o mosto, embarrilar o vinho e esperar que ele fermente. 
Há um tempo para amassar o pão, tendê-lo, acender o forno e pô-lo a cozer. E um tempo para fazer com ele, ainda bem quente, uma tiborna.
Há um tempo para bordejar o paúl em cima das vagens de feijão e grão que se deixou a secar na eira, para joeirar o feijão e o grão, escolhendo os dias de vento de feição, para lhe retirar a palha excedente. Há um tempo para fazer as queimadas necessárias, que a terra pede, para se ir mantendo fértil.
Há um tempo para pear a burra e um tempo para a albardar e colocar o bornal e levar para a horta, para ser carregada com a gorpelha e trazer os proventos que o campo dá.
Há um tempo para semear e outro para plantar e outro ainda para transplantar sementeiras. Há um tempo para aproveitar o que o campo nos proporciona, o que os animais nos dão e partilhar com a comunidade familiar e de vizinhança.
Há um tempo para varejar as oliveiras e apanhar as azeitonas. Há um tempo para levar a colheita para o lagar e trazer de lá os garrafões cheios de azeite. Há um tempo para pôr as azeitonas em jarros cheios de água, um tempo para lhes mudar a água, para as britar ou apenas e só temperar.

Há um tempo que se mexe a um ritmo constante, mas que não encerra aquela urgência de quem vive na cidade.
Porque apesar deste ritmo ser cadente e sempre corrido, há também sempre um tempo para ver as ervas e árvores florirem, as flores desabrocharem, os frutos começarem a despontar nas árvores, as crias nascerem: caçapos, pintos, leitões, vitelos, borregos, cabritos, etc. Há sempre um tempo para fazer festas ao cão de guarda, nosso amigo e companheiro diário.
 
Há um tempo para sentar à sombra no poial à conversa com os vizinhos e familiares que vieram deixar a prova do bolo, umas favas ou ervilhas que têm excedentes ou um bocado da carne do porco que se matou.
Há um tempo para ver o tempo avançar, à cadência do clima e das estações que se sucedem. Porque quem vive no campo, dele e para ele, tem muito que fazer, mas raramente tem pressa.

7 de abril de 2014

Esquizofrenia climatérica

No espaço de pouco mais de seis dias passamos de um extremo ao outro, no que ao clima diz respeito. 
Na terça-feira andava ensopada com o temporal, fiquei que nem um pinto depois de andar debaixo de chuva torrencial e tive que atravessar duas inundações, onde a água me chegava aos joelhos.

No domingo, estava um calor de verão, que me permitiu envergar manga curta e ir até à praia e demolhar os meus pés deliciosamente na água fresquinha, e ficar ali com água a chegar pelos joelhos, a refrescar-me!

Que chatice viver no Algarve...