31 de março de 2014

Heartbeats


Eu prefiro esta música no seu original, apesar de muitos a conhecerem na versão de José Gonzalez.
Como por estas bandas há muitos batimentos cardíacos e regabofe constante, nada como ter a banda sonora apropriada, para o miúdo se ir habituando... há que educar o ouvido à criança. 
Os pais preferem as versões originais (não desfazendo das covers), especialmente se forem de bandas de indie music.
E como a neura abunda por estes lados, juntamente com hormonas instáveis e um certo "jet lag" primaveril que teima em ficar por conta deste tempo invernoso... mais vale mudar o disco e ouvir algo que nos apazigue as más energias!

27 de março de 2014

Semanário de gravidez #9

A energia e capacidade de concentração têm atingido mínimos históricos... o que não é lá muito bom no plano profissional... faz-se o que se pode. Este decréscimo deve-se em boa parte ao facto de durante a noite me levantar quase o triplo das vezes para ir vazar a bexiga, que por estes dias parece mais do tamanho duma azeitona.

A pérola da semana foi ter ouvido o comentário de que "parecia mais magra" por usar um vestido todo preto que comprei recentemente. Isto depois de confirmar que ninguém de família morrera, nem mesmo o gato ou o periquito... ouvir um elogio destes em plenas 27 semanas de gravidez é para lá de caricato, mas soube bem!


Começo a achar que realmente os índices de natalidade devem andar nos mínimos dos mínimos, já que fui "sinalizada" pelo centro de saúde para integrar um programa "Educação para a Saúde". No entanto, não sei se é por susceptibilidade própria do meu estado actual, nunca vi tanta grávida como nos últimos tempos... pode ser que os números de 2014 venham contrariar a baixa de natalidade do ano passado.

Este meu filho é um poço de animação, já que se bamboleia constantemente no meu ventre. Eu para ajudar à festa, nos dias em que acordo bem disposta, aproveito e danço ao som de música da rádio. E para ele se ir habituando já de pequenino, dou-lhe umas sessões nocturnas de música indie na Rádio Radar. 

Quanto à azia, bem... por estes dias idolatro o meu obstetra por me ter receitado um comprimido milagroso, para tomar em jejum, que simplesmente fez a azia escafeder-se... pufft, foi-se! Ahhhhhhhhhhh o alívio!

Vistas bem as coisas, se por um lado acho que esta gravidez tem passado a voar, por outro vejo que faltam cerca de 90 dias e parece-me tão longínquo... 


25 de março de 2014

Eu sei que não me posso irritar #2

A maldita saga da marcação de consulta de otorrino para o Falipe continua...

Ligo para o hospital para saber se já têm a consulta marcada.

A resposta é: 

- Lamentamos senhora, mas o pedido de nova consulta ainda não deu entrada. Sugiro que contacte o seu centro de saúde e a médica de família, para saber o que se passa.

Raisparta lá tudo isto!

Quando não é do cu é das calças!

Ligo, para o centro de saúde, explico calmamente a situação... a resposta é:

- Lamentamos, mas só amanhã de manhã, porque só com a doutora cá é que posso averiguar o que se passa com o pedido de consulta.

Eu juro que tento, a sério! Mas paciência foi virtude que não recebi em grande quantidade e a minha veia diplomática esgota-se quando percebo claramente que andam a fazer de mim bolinha de ping-pong. 

Eu tento ser polida, educada e simpática, e encontrar soluções de forma calma e serena.  Mas começo a acreditar piamente que é preciso ser bruta, mal-educada e chamar uns quantos nomes a uns e outros pelo caminho. Talvez assim a coisa se torne mais célere!

24 de março de 2014

Gata preta, gato preto

Em 2004, adoptei a Joy, uma gata preta linda. Era arisca que se fartava, mas foi uma grande companheira em tantas ocasiões... custou-me horrores vê-la adoecer e depois morrer... o G. ficou ainda mais traumatizado que eu, e jurou que nunca mais adoptaríamos nenhum animal, gato especialmente.

Esta era a Joy, a minha "djunfinha", já com os olhos semi-cerrados a demonstrar a sua irritação por estarmos a tirar-lhe fotografias. 


Recentemente, começou a surgir dentro do nosso quintal um bichano, preto também. Na altura, não sabíamos ainda se era macho ou fêmea. Há umas poucas semanas descobrimos que era macho. Passa cada dia mais horas no nosso quintal, seja para se abrigar da chuva, como era no ínicio do Inverno, seja para simplesmente se estender ao sol que vai começando a aparecer.
O G. que jurara nunca mais adoptar nenhum animal, começou a deixar uma tigela sempre cheia de água e há umas semanas pediu-me que comprasse um saco de ração, pedido a que acedi, não sem antes dar umas valentes gargalhadas, por constatar que o meu companheiro de vida é um coração mole.
Actualmente, o gato passa as tardes na varanda do lado de fora, sentado, como que a fazer-nos companhia. Desta feita, fomos adoptados.
As semelhanças são enormes, tanto fisicamente como no feitio arisco...


20 de março de 2014

Semanário de gravidez #8

Desta vez estou a esmerar-me, já comprei quase metade das coisas da lista que fiz, de coisas necessárias. As restantes pretendo comprar hoje. No fim de semana, separei as roupas que eram do Falipe e que poderão servir ao irmão, apesar de nascerem em alturas do ano diferentes. Estou a cumprir os planos tão à risca que é melhor não deitar foguetes para já... mas estou a esforçar-me bastante para desta feita não deixar tudo para as últimas três semanas, como sucedeu na primeira gravidez...

A barriga está cada vez mais crescida, já me pesa especialmente ao subir escadas.

Começo a sentir aquele tique de irritação-irritativa, porque agora que começo a ter alguma dificuldade em dobrar-me e agachar-me, parece que tudo e mais alguma coisa me cai das mãos... às vezes tenho uma leve impressão que as minhas mãos estão a provocar-me deliberadamente, como se fossem um ente separado do meu corpo, tipo duende maléfico.

Esta semana fui à consulta com o obstetra e ao que parece, a profecia do Falipe confirma-se: o mano aparenta ter umas valentes bochechas gordas! E foi um derretimento pegado ver os movimentos dele a abrir e a fechar a boca. 

As sessões de esperneio dentro da minha barriga continuam. Então se começo a comer, parece que há festa na barriga!

Coincidência ou não, o bebé esperneia veementemente sempre que ouve o irmão chorar porque se magoou ou quando decide fazer uma birra. Fico mesmo com a sensação de que é uma manifestação de protesto por ouvir o irmão chorar. Se isto são os primórdios da solidariedade fraterna masculina, estou tramada!

Entretanto, o bebé gosta muito do jogo do gato e do rato. Assim que começa a bailar dentro da minha barriga e eu tento que o pai aprecie o espectáculo, assim que sente a mão do pai em cima da minha barriga, imobiliza-se de imediato. Faz o mesmo com o irmão mais velho... comigo, basicamente só se esquiva para outro quadrante da barriga. 

Vais ser fresco, vais...

Entretanto, como isto de viver a gravidez não é só no feminino, deixo aqui um bom relato de pai sobre viver uma gravidez.


19 de março de 2014

Falipices #69 - tipos de pai

Na escola, andam a fazer actividades alusivas ao Dia do Pai.

Falipe começa a contar-me meio atabalhoadamente sobre isso.

- Sabes mãe, existem vários tipos de pai.

- Ai sim?

- Sim, há o pai médico, o o pai bombeiro, o pai casado...

- E o teu pai, de que tipo é?

- O papá é o pai careca!

18 de março de 2014

Falipices #68

No fim de semana, tive o luxo de poder ficar a dormir até mais tarde. Quando acordei, marido e filho entretinham-se a ver vídeos e fotografias do Falipe quando ele teria uns 18 meses.

Falipe ficou espantado perante o tamanho das suas próprias bochechas nessa altura, as mais rechonchudas e lindas que eu já vi e nas quais adoro depositar beijos sem fim.

Ontem, lembrou-se de falar para a minha barriga:

- Mano, depois vais ter umas bochechas gordas como eu. Vais ser igual a mim!

Eu derreti e intimamente, espero bem que sim, que sejam parecidos. Porque melhor que duas bochechas rechonchudas, só mesmo quatro!

14 de março de 2014

Tirar as parecenças

Quando estive no hospital por conta de dores abdominais, apercebi-me enquanto esperava de que tinha acabado de nascer uma menina.

Já lá dentro, aguardava eu a alta médica, assisto à seguinte cena:

Enfermeira do bloco de partos traz consigo um berço onde vem embrulhada a recém-nascida menina, para que os avós (pais da parturiente) possam ver pela primeira vez a neta.

A primeira frase que ouço à avó babada, depois dos "ohs" e "ahs" foi:

- É mesmo a cara do pai!

Dei comigo a sorrir por dentro e a pensar "bolas, a miúda ainda nem nasceu há 10 minutos e já lhe estão a tirar as parecenças..."