13 de fevereiro de 2014

"Spoiled by love, not things"

Há uns dias atrás, numa conversa que tive com uma pessoa de nacionalidade britânica, mãe de dois filhos adultos, comentei que os meus pais eram pessoas de origens humildes e que me mimaram muito.

Ela rematou-me com a seguinte expressão: "But that is a good thing! You were spoiled with love, not things..." (qualquer coisa como "mas isso é bom! Foi mimada com amor e não com bens materiais")

Aquela frase ficou gravada na minha mente, porque realmente foi isso mesmo que os meus pais fizeram comigo. Amaram-me de tal forma, que os seus gestos para comigo são aquilo que mais recordo e agradeço, ao contrário das bonecas ou brinquedos que me tenham oferecido.

A forma como eles me estragaram com mimos é o guia que sempre tive antes e depois de ter sido mãe. O carinho que me devotaram é aquele que sigo como modelo no meu relacionamento com o meu filho. Sou carinhosa e afectuosa como eles foram comigo e firme da mesma maneira como eles o foram, impondo-me valores e princípios que ainda hoje regem a minha forma de estar na vida.

Os beijos e abraços constantes, as demonstrações de afecto frequentes e sem qualquer barreira, os nomes e alcunhas ternurentos (como estuporzinho) são o que melhor podiam ter feito por mim, para a minha auto-estima! 

Por isso inundo o meu filho de beijos e abraços constantes, de afecto frequente, de confirmações de "gosto de ti" ou "adoro-te" e também tenho algumas alcunhas ternurentas que uso habitualmente, como sacaninha ou sacrivas!

Se isso o torna mais vulnerável a ser magoado e desiludido no futuro, no que aos afectos diz respeito, acredito que sim, talvez assim venha a ser...

Mas nunca ficarei de consciência pesada por amá-lo em excesso!

Quando o Falipe nasceu senti-me inundada de amor por um ser que apenas conhecia de se mover dentro de mim. Quando ficava horas embevecida a olhar para as suas feições perfeitas, as suas pestanas enormes, as suas mãos esguias de dedos compridos e os seus lábios perfeitos, senti que explodia de tanto amor. 
Nesses momentos soube no meu íntimo que queria voltar a ser mãe, que queria ter outro filho. Não porque o Falipe não me chegasse, mas porque senti que o meu coração ainda podia aumentar de tamanho, e albergar não só o amor que sinto pelo G. o meu sempre companheiro, como o amor ao Falipe, como o amor a outro filho.

Quanto mais o Falipe cresceu, mais se cimentou em mim essa mesma convicção. Quanto mais amo o Falipe, mais amor sinto pelo bebé que carrego em mim, e que apenas conheço de lhe sentir os movimentos dentro do meu ventre. 

Se tenho medo de o amar mais ou menos que ao Falipe?! 

Não! Estou certa que o amarei da mesma forma, sem limites ou barreiras e sem nunca me retrair, por receio de achar que os estou a estragar com mimos!

11 de fevereiro de 2014

Semanário de gravidez #3

Mudei oficialmente de nome. Agora quando me chamam, tratam-me por Barriguda.

A barriga parece ter dado um pulo. 
Todos comentam: "ena pá, que barrigão que já tens!"
A meu ver, e comparando com a primeira gravidez, diria que em termos de tamanho a diferença é pouca. Lembro-me que por volta das 21 semanas estava mais ou menos roliça assim como agora.

Os movimentos de bailarino sucedem-se durante o dia. Esta deve ser mesmo a coisa que eu tinha mais saudades numa gravidez! Aquele reboliço que acontece ali na minha barriga, apesar de ainda não haver propriamente chutos de karateca!

O Falipe parece estar cada dia mais entusiasmado com a ideia de ter um mano.
Este fim de semana, sem qualquer planeamento prévio andámos a mexer na ordem das mobílias do quarto do Falipe, já a pensar no futuro, quando tivermos que montar a cama de grades.

Ao princípio, o Falipe não achou piada nenhuma andarmos a alterar a ordem das coisas. Chegou mesmo a dizer que assim não estava bem e descrevia como deveria estar, ou seja, como sempre esteve! Começo a aperceber-me que o meu menino é um tanto resistente a mudanças e pouco entusiasta perante a novidade...  Basicamente cheguei à conclusão que primeiro temos que lhe implantar a ideia, deixá-la a marinar e esperar que o meu rapazola aceite e apresente a ideia como sua! Mas como não quis desperdiçar a oportunidade que surgiu do nada, fiz-lhe ver as enormes vantagens de mudarmos a disposição da cama dele, que ficava com mais espaço para brincar com o tapete das letras, e ele acabou por ficar tão contente que a adaptação parece ter sido uma coisa perfeitamente normal. Realmente, os planos que correm melhor são aqueles que não são nada planeados!

Quanto a mim, sinto que ando mais aluada, menos "presente" e a levar esta gravidez um pouco como se fosse uma coisa rotineira e habitual. Talvez o facto de ter apanhado a 4.ª constipação, que me deixou de rastos no final da semana passada, aliada à maldita tosse alérgica que apareceu do nada, provocando-me ataques de tosse seca que me revolvem o estômago já chacinado pela azia (que é cada vez maior) e me faz tomar Atarax em caso de extremo SOS, deixando-me sonolenta e sem qualquer capacidade de concentração, não contribuiu em nada para que me sinta em "estado de graça". Além do mais, este temporal que não nos deixa, começam a afectar o meu natural optimismo e boa disposição. Estou positivamente farta deste tempo invernoso. Eu sei que é o tempo dele, mas já dava um bocadinho de tréguas, não?!

Outra coisa que na primeira gravidez não me "assombrava" sequer mas que agora parece "dançar" na minha mente é o momento do parto. No entanto, faço por manter o mesmo pensamento: será como tiver que ser! E há tanta mulher a parir diariamente sem grandes dificuldades, que comigo não será diferente...

10 de fevereiro de 2014

Falipices #67 - Letra a letra, sílaba a sílaba

Que ele já não iria demorar muito a conseguir ler, já eu sabia. A professora já me havia avisado disso mesmo.

A curiosidade constante, o interesse sempre presente faziam-me suspeitar que a qualquer momento ele iria simplesmente ler algo que viu em qualquer lugar.

Estou certa que não foi esta a primeira coisa que ele conseguiu ler, mas foi a primeira palavra a que assisti, em que estive presente a vê-lo juntar as letras e conjugar as sílabas.

Senti algo enorme percorrer-me o corpo, como uma explosão de orgulho enorme, como se me tivesse saído a sorte grande! Sei que foi mais ou menos o mesmo que senti quando o vi sorrir-me deliberadamente teria ele uns quatro meses! Como que uma força maior de felicidade que se apoderou de mim.

A primeira palavra que ele leu na minha frente foi a marca do baton dos lábios, quando íamos a sair de casa para ir ao supermercado!

Le-ti-balm...

Fonte: www.google.pt

6 de fevereiro de 2014

Afinal não sou só eu...

A Ana Mê escreveu isto.

Parece que me leu os pensamentos!

Andamos todos ocupados a debater até aos entrefolhos mais recônditos uma série de "não assuntos" (praxes, quadros surreais, referendos estapafúrdios), enquanto as coisas realmente importantes ficam caídas no esquecimento... 

Mas permanecem diariamente na nossa lembradura os "reais assuntos", quando abrimos a carteira ou olhamos para a nossa conta bancária e mais então quando analisamos o nosso recibo de vencimento e vemos as percentagens que nos debitam em nome duma reforma que certamente nunca receberemos; quando precisamos de uma consulta no centro de saúde e ou não há médicos, ou não há material ou percebemos que temos pela frente uma espera de 5/6h na urgência do hospital caso não estejamos pelos ajustes de ir ao médico particular; quando recebemos avisos de pagamento de impostos ao Estado, quando pagamos os impostos escabrosos ao Estado, quando recebemos as contas da companhia eléctrica ou das águas e até nos falta o ar... quando vamos ao supermercado e não percebemos como é que o que consumimos mensalmente de repente se tornou numa conta tão astronómica... ou quando vemos familiares e amigos a cair no desemprego e sentirem o aperto de não ter qualquer rendimento que lhe permita pagar os seus encargos... alguns deles forçados à emigração para sobreviver ou poder viver dignamente.


E depois lemos isto e percebemos que vivemos num mundo gerido por malta que criou uma realidade alternativa e como tal governa um povo totalmente diferente como se isto fosse o Second Life.


5 de fevereiro de 2014

Pérolas de sabedoria popular

Era comum a minha mãe guardar pequenos pedaços de papel, fossem eles receitas de cozinha que ela queria experimentar, um recorte de jornal, uma oração que ela queria decorar ou uma página de um almanaque com informação que ela entendeu pertinente.

Cresci a encontrar destes pequenos pedaços de papel dentro das gavetas da minha mãe e guardo ainda hoje, as receitas dactilografadas ou manuscritas na sua linda caligrafia, rabiscadas à pressa numa folha de um bloco Castelo A5...

Já o meu pai guardou alguns almanaques completos, alguns com datas de 1954 ou 1956 e eu adorava folheá-los quando era miúda. Encontrava lá de tudo, desde mezinhas, a orações, pequenos apontamentos da história de Portugal, efemérides, orientações agrícolas, anedotas e horóscopos e claro, pérolas de sabedoria popular.

Descobri este recorte já surrado e remendado com fita-cola no meio das coisas da minha mãe e guardei-o num dos meus muitos cadernos. Há pouco tempo encontrei-o e sorri por tê-lo guardado, porque pérolas destas já são difíceis de encontrar...

Só tenho pena de não saber de que ano é.


Analisando bem esta lista, acho que tenho mesmo que trabalhar no ponto n.º 4...

4 de fevereiro de 2014

Semanário de gravidez #3

A barriga parece ter dado um pulo enorme nesta última semana. 
A tal ponto que um par de calças de grávida já me vai apertando e como tal tem que ser encostado.

Lá dentro sinto cada vez mais e melhor o meu menino a remexer-se. Curiosamente parece-me que ele tem uns horários estranhos, ou então sou mesmo eu que sou uma distraída... mas a sensação de sentir algo mexer-se dentro de nós é daquelas coisas fantásticas e da qual tinha mais saudades neste estado de graça!

A azia não me larga e o meu estômago parece estar a ficar cada vez mais embrulhado. Tendo em conta que ele nunca mais foi o mesmo desde que estive grávida do Falipe, temo que o meu pobre estômago fique irremediavelmente em estado de "fogo-vivo"...

Entretanto, já comecei a ter pequenos surtos de irritação súbita.. que tanto têm de irritação como de passageiro... principalmente com todos os buracos e mais alguns que todas as estradas da minha terra têm... a minha bexiga cada vez mais sensível não se compadece com tanto buraco no asfalto, com tanta lomba de empedrado e com tanto declive e abatimento do pavimento... e praguejo! Praguejo todos os dias contra as edilidades do concelho por deixarem estar as estradas nesta miséria... depois passa-me!

Os comentários e o escrutínio ao que como e bebo também já começaram... "ah não devias beber nem um café por dia... que dá dependência no bebé!", "vais comer arroz doce?! olha a diabetes gestacional...", "se calhar não devias comer essa salada de alface... olha a toxoplasmose...!"
Por enquanto, limito-me a sorrir meio cinicamente e a revirar um poucos olhos... já que nunca fui de dar ouvidos a vozes alheias... no futuro, logo se vê, se não me torno cáustica nas respostas...

Tentar comprar roupa de grávida parece ser outra aventura... a maior parte das lojas simplesmente não têm! Pergunto-me se a baixa na natalidade fez com que o desinvestimento no vestuário de grávida fosse assim tão grande... e depois questiono-me: será que as grávidas não precisam de roupa para vestir além de fatos de treino?

Outra coisa que me incomoda... a desproporção nas secções de roupa de bebé, entre menino e menina... eu sei que não vou precisar de investir muito neste departamento... mas é um facto que o meu bebé vai nascer no verão e como tal precisa de roupas frescas e o Falipe nasceu em pleno inverno... É estranho constatar que em qualquer loja, a secção de meninas ocupa 3/4 do espaço por oposição ao 1/4 da secção de meninos... irra!

Entretanto, o Falipe já parece estar mais entusiasmado com a ideia de ter um irmão. Já faz cócegas na minha barriga e pergunta-me se o mano sentiu. Comprámos o berço e ele disse-me em segredo:

- Mãe, olha uma coisa, podemos pôr a cama do mano no meu quarto. Mas do outro lado da minha cama e depois do tapete das letras, sim?!

O nome também já foi escolhido e sem grande debate. Quando dissemos ao Falipe, a resposta foi:

- Não pode ser! Já há um Ricardo na escola do infantário! (onde ele já não anda há um ano...)

3 de fevereiro de 2014

Falipices #66

Esta manhã no caminho para a escola.

- Mãe, está um dia bonito e fantástico! As nuvens já choveram... e o sol está aqui!

É isso mesmo, meu filhote!