23 de outubro de 2013

Falipices #56 - auto-estima

Uma tarde, na brincadeira com o Falipe e no seguimento de muitas garatujas meigas dele comigo, digo-lhe:

- Sabes que gosto de ti?!

Ele, que nesta altura, já estava com um "olho no burro e outro no cigano", a começar a hipnotizar-se com os desenhos animados, responde-me apenas:

- Gosto...

Eu pergunto-lhe:

- Gosta de quem? De mim ou de ti?

Resposta:

- De mim!!!

É isso mesmo, filho!!

22 de outubro de 2013

Pelos caminhos de... Moura

Depois de Serpa, rumámos a Moura.
Por entre campos de oliveiras carregadas de azeitonas (umas maçanilhas outras de outra estirpe), os campos alentejanos a oferecer um festim visual a quem por ali passa.

Não pudemos explorar Moura como teríamos gostado, porque o tempo era escasso e o sol já ia a querer pôr-se, mas pude perceber que Moura é capaz de ser ainda mais castiça que Serpa. 
É igualmente pitoresca e mais uma vez as ruas todas aprumadinhas. 
Um encanto!

Só tive pena que o Convento das Dominicanas, no interior do Castelo, esteja em ruínas... mas é de louvar o esforço bem presente de tentar recuperar o património existente.




Convento das Dominicanas

Painel de azulejo nas ruínas do Convento das Dominicanas

Segunda Rua da Mouraria

O Palácio Gordillo é que dá pena estar neste estado... mas pelo que vi, já está planeada a intervenção para restaurar.

21 de outubro de 2013

Pelas ruas lindas de Serpa

Gostei muito!
Ao contrário de boa parte das cidades algarvias, por aqui preserva-se, recupera-se e conserva-se! Mantém-se a identidade arquitectónica da região.
As fachadas das casas são cada uma mais bonita, "limpinha" e arranjadinha que a anterior. Dá gosto andar por ruas assim! Gostei muito, muito pitoresco e agradável e a revelar aquela calmaria de uma terra alentejana por natureza!
Eu que cada vez gosto mais de casinhas térreas, apaixonei-me pelas portas e janelas. Nota-se muito?!





















18 de outubro de 2013

Poesia de rua

Pelo meu aniversário andei por Serpa...

Numa daquelas ruelas estreitas, empedradas, limpas e lindas, características da zona histórica, encontrei esta poesia.

Adoro dar com estes pormenores dispersos!


17 de outubro de 2013

Baú da felicidade #17

Numa manhã de domingo, Falipe decide que quer desligar a televisão e fazer um desenho (fico tão feliz quando ele toma estas decisões de livre iniciativa!).

Começou por desenhar a lápis de carvão.
À medida que me ia explicando que estava a desenhar uma casa, contou-me que era uma casa de tijolos.

Depois, disse-me que era a casa dos 3 Porquinhos, mas não era a casa de palha nem a de madeira, não, não, nada disso!

Perguntei-lhe porque não desenhava os 3 Porquinhos e ele respondeu-me que não conseguia, "porque o Falipe não é capaz..."

Eu respondi com uma pergunta:

- Já tentaste?!

Ele não me deu grande resposta... e enquanto eu estava entretida a arrumar umas coisas, ele seguiu desenhando. Quando dei por mim, já ele tinha passado à fase de colorir os desenhos que fizera com lápis de carvão.

Quando vi o desenho todo completo, fiquei emocionada e totalmente babada! Não só porque acho que o desenho está giríssimo, mas porque me apercebi que ele pelo menos tentou desenhar os 3 Porquinhos, mas antes disso, desenhou o Lobo Mau, que a meu ver de mãe-naba-do-desenho, está mesmo muito bem feito!


16 de outubro de 2013

Acção popular

Por mais que me esforce, por mais que tente ignorar, por mais que me empenhe em desligar a bobine, fazer ouvidos moucos, cega-surda-muda-burra...

Não consigo!

Não quero pensar, recuso-me para bem da minha sanidade mental... quando chegar logo ficarei a hiperventilar, a raiar um ataque de pânico ansioso... a respirar forçadamente para dentro de um saco de papel pardo, tentando conter o vómito que tudo isto me provoca!

Penso em muitos cenários possíveis, e todos eles envolvem alguma forma de violência, com sovas de meia-noite e quiçá alguns laivos de tortura maléfica...

Mas isso seria seguir um caminho demasiado baixo. E eu recuso-me a descer ao nível deles!

Será que não há qualquer possibilidade de meter uma acção popular ao Ministério Público, para que todo este executivo seja julgado e punido exemplarmente por crimes de Terrorismo Social?!

Porque não me venham dizer que não é isso que tem sido praticado sucessiva e crescentemente... terrorismo social!

Quem me rouba (e aos demais) toda e qualquer réstia de esperança no futuro e mesmo assim não se dá por satisfeito e ainda quer vir tirar o que resta da minha dignidade (e da de todos neste país), da forma descarada como o faz, só tem um nome: terrorista!

Estes não precisam de explosivos nem de de armas de fogo, usam as leis e os orçamentozinhos rectificativos que eles congeminam nas suas panelas de bruxos de magia negra, e depois chapam na comunicação social com um sorriso sádico e displicente, qual imperador feliz por abrir as jaulas dos leões famintos na arena, para devorar os pobres escravos indefesos!

15 de outubro de 2013

Coração cheio

Não tenho palavras que descrevam apropriadamente a emoção que senti ao ler todos os comentários que me foram deixando no post anterior...

Senti o carinho que todos encerram e por tudo isso, sinto-me profundamente grata!

Muito obrigada a todos, pelas vossas palavras e felicitações.

Sois demasiado gentis!

14 de outubro de 2013

O grande 35

No ido ano de 1978, pelas 22h10 nascia no Hospital Distrital da cidade uma menina, 5 minutos depois de um rapaz e 10 minutos antes de dois outros rapazes.

Ela era esguia e levezinha. Dormiu a santa noite embalada pelo choro incessante dos outros três meninos...

Ela foi a maior alegria da vida da sua mãe e o pai não cabia em si de contente!

Não herdou o nome de sua avó Alzira, mas recebeu um nome invulgar, dizem que de origem aristocrática, já que os trovadores lhes (às damas) dedicavam trovas e canções de amor!

Cresceu rebelde, travessurenta e meiga. Viveu o bom da cidade e conheceu o melhor da vida no campo! Soube o que era viver numa casa onde as paredes eram de taipa caiadas, chão de terra que tinha que ser "ogado" e não havia electricidade ou água canalizada.

Sempre com os seus óculos por companhia... desde os 3 anos de idade. Até aos 16, quando passou por dois anos de revolta... e recusa em usar óculos!

Fascinada pelo seu avô materno, respingava com a avó paterna, que lhe estava sempre a ralhar, e a quem ela levantava a mão em sinal de intenção de dar uma palmada...

Foi uma adolescente tímida, bem comportada, segunda melhor aluna da turma, que lhe valeu a alcunha de marrona com elevada aptidão para a língua estrangeira e para a disciplina de História, mas vocação quase nula para a educação física, com excepção do serviço no voleibol e o guardar das redes no andebol. Correr e saltar em altura ou comprimento não eram com ela e fazia quase invariavelmente má figura...

Dos 13 aos 16 anos viveu juntamente com o seu pai o inferno drama pelo qual a sua mãe passou, por sofrer de cancro de mama, quimioterapia, mastectomia total e radioterapia com tudo o que isso implicou... 

No último dia de escola do seu 11.º ano viu a sua mãe partir finalmente, após 4 meses a definhar agonizantemente, apesar das doses cavalares de morfina e comprimidos para dormir.
Viu o pai enclausurar-se em sofrimento por ter perdido a sua grande e eterna companheira e decidiu naquele momento que iria procurar consolo na praia da Arrifana e afastar a tristeza da falta da sua mãe, ocupando-se a trabalhar a servir à mesa no restaurante propriedade da sua prima. 

Preparou-se para concretizar o sonho que a sua mãe tinha para si, e um mês antes de completar os 18 anos, começou as aulas na universidade, a 500 km de casa. Deixou-se da timidez e decidiu abraçar o seu lado de algarvia marafada, extrovertida, bem disposta e de gargalhada fácil e sonora!

Completou a licenciatura com notas medianas, a contrastar com os habituais 17/18 na pauta dos tempos do secundário. Mas nesses quatro anos e meio em que foi estudante do ensino superior sentiu que cresceu dez ou cem tamanhos em horizontes, no abandonar de preconceitos e na aceitação dos outros e na tolerância perante opiniões diferentes das suas! Faz amigos para o resto da vida!

Pouco depois dos 22 anos defendeu a tese de licenciatura sobre o conflito israelo-árabe com nota final de 15, da qual muito se orgulha.

Chega a ingressar em mestrado na mesma área de licenciatura, o que a traz à capital. Após cinco meses de agonizante lavagem ao cérebro durante as aulas, praticada por docentes claramente de ideologia de extrema centro direita, regressa à terra natal para ter um qualquer emprego que lhe dê sustento, porque trabalhar na sua área académica só de borla e por se sentir como cordeiro para a matança todos os dias que entrava num qualquer transporte público.

Após dois anos de trabalhos precários, e farta de se sentir imprestável, frustrada e um parasita da sociedade, decide que é melhor pegar no "canudo" e metê-lo na gaveta e ir fazer formação profissional que lhe permita a empregabilidade e que faça com que ouça constantemente nas entrevistas de emprego que tem habilitações literárias a mais, mas que lhe falta experiência profissional.

Após uma especialização em SHST, vai trabalhar para as "obras" e aprende (novamente!) que os mais educados não são os que têm maior grau académico. Convive profissionalmente com pessoas dos mais diversos quadrantes e mais diversas nacionalidades e sente-se realizada profissionalmente, apesar de sentir na pele um latente desprezo de engenheiros por "doutores"... logo ela, que nunca mediu as pessoas pelo título académico que precede o nome de cada um! Ganha estaleca, e conquista algum respeito entre os seus colegas de trabalho que por vezes se esquecem que ela é mulher, coisa que ela até agradece! Obstinada e teimosa, por gostar de levar a sua avante e não se calar quando tem algo engasgatado, ganha a alcunha de "furacão".

Aos 22 anos conhece aquele que escolheu para seu companheiro e aos 27 anos amantizam-se, segundo palavras de seu pai.

Após um jantar de Consoada e abertura da prendas, é mãe aos 30 anos, no dia 25 de Dezembro, dum menino doce e lindo. Abranda no mau feitio, porque a maternidade lhe trouxe nova perspectiva sobre a vida, fazendo-lhe ver que afinal a realização profissional não é de todo o mais importante, mas sim um meio para atingir um fim: pagar contas!

Por essa altura decide começar um blog, que lhe permite conhecer pessoas fantásticas e com quem sente que se enriqueceu pessoal e culturalmente!

Pouco depois dos 31 vive o drama de ter o seu pai internado na capital com um tumor cerebral, ficando em coma durante quase dois meses, na sequência da cirurgia para o remover. 

Antes do seu filho completar um ano, fica irremediavelmente orfã de pais e quase sem vestígios dos seus antepassados. Mas é herdeira de património...

Aos 32 muda de emprego e larga as "obras" que já lhe tinham trazido tanto desgaste, cabelo branco e aversão a condições climatéricas extremas.

Por essa altura, ganha interesse por artes e lavores e descobre que ainda sabe fazer crochet e costurar à máquina. Nessa altura aprende finalmente a tricotar. Por conta disso, abre um outro blog, orientado para as artes manuais e conhece mais pessoas fantásticas e aprende imenso.

Vive uma vida rotineira, paga contas, paga impostos de monta, sente a crise na pele como qualquer português.

Completa 35 anos neste dia, na companhia do seu companheiro e do seu filho, que são a sua família amada!

tirado de www.weheartit.com