8 de outubro de 2013

Viver no presente

Nunca ouvi tanto este chavão como nos últimos meses, em que todos parecem apontar esta tirada  como a solução para sermos felizes nos dias que correm....

Realmente, a velocidade imposta pela sociedade da informação, pelos avanços tecnológicos que se sucedem a uma rapidez quase estonteante, pelas milhentas redes sociais e o crescente FOMO associado, fazem com que sejamos cada vez menos capazes de simplesmente estar parados, a apreciar boa companhia, reduziu o convívio físico, o estar juntos fisicamente, presentes no mesmo local a viver as mesmas coisas.

Eu culpada me confesso, que me deixei levar por tudo isto... longe vai o tempo em que eu escolhia a minha banda sonora e apreciava a beleza de tantos momentos, tinha uma vida social activa que passava exclusivamente por combinar encontros com amigos e familiares.

Por me sentir assoberbada com tudo isto, decidi que nas minhas férias, além de ir para o meu paraíso pessoal, ia tentar desligar-me o máximo possível de redes sociais e também da televisão.

Senti-me bem! Senti-me mesmo muito bem!

Dei por mim a reparar em coisas que de outra forma não poria a atenção. E a apreciá-las!
Dei por mim a sorrir perante uma cena caricata no café da vila, onde quatro amigos, todos na casa dos vinte estavam sentados a tomar o pequeno almoço e todos sem excepção teclavam ou num smartphone ou num tablet. Calculo que estivessem a conversar entre si, mas sem abrir a boca, só a teclarem num écran... só não tirei uma foto por pura vergonha! 

Nessas férias, comemos sempre juntos à mesa, a conversar uns com os outros. Praticamente só vimos programas culturais na RTP2. As saudades que eu tinha que ver este canal...! E o que aprendi sobre grandes nomes da escrita portuguesa?! Muito enriquecedor!

Imbuídos do espírito das férias, decidimos que iríamos dosear as quantidades de consumo de televisão, de computador e redes sociais. 

Sinceramente tenho-me sentido muito mais em paz com esse facto!
Presto mais atenção aos pormenores, converso mais sobre assuntos que realmente importam e poupo o meu sistema nervoso central ao relambório da nossa política e sociedade, que me parecem andar pelas ruas da amargura...

Efectivamente, quer-me parecer que decidi "viver no presente" (nunca cuspas pró ar) e não estou nada insatisfeita com esta solução... se resolveu os meus problemas todos?! Certamente que não! Mas que me trouxe alguma serenidade que andava perdida, lá isso trouxe!

4 de outubro de 2013

Projecto Amélie


Na semana passada, ao entrar num dos wc do meu local de trabalho encontrei esta mensagem colada ao espelho, em letras pequenas (a perspectiva da fotografia dá a ideia de que era um cartaz).

Era um dia nublado e eu estava um pouco imbuída da sensação de cinzentismo transmitida pelo clima.

Esta mensagem anónima fez-me sorrir e sentir-me melhor instantaneamente.

Fiquei depois a saber que partiu de alguém que decidiu aderir ao movimento lançado pelo Projecto Amélie.

Se quiserem podem ver melhor na página do Facebook.

Eu gostei muito do gesto!

Já ouvi dizer que vão promover mais acções destas. Estou curiosa para ver...!

2 de outubro de 2013

Do contra e de como a história se repete

Ouvia muitas vezes a minha mãe, esse poço de paciência e calma, dizer que eu "era do contra"!

Apesar de ter sido uma criança dócil e meiga (cof, cof... é o que todos na família dizem, e eu acredito!!) sempre fui voluntariosa e impulsiva, já para não falar da enorme teimosia em levar a minha avante!

Esta característica granjeou-me a alcunha de "furacão" na vida profissional, e fui muitas vezes apontada por ter um "feitio especial"... para serem polidos e delicados e não me chamarem de mau feitio.

Posto isto, dou por mim a descobrir no menino Falipe uma série de paralelos. Não querendo projectar nele as minhas características pesssoais, é um facto que ele é voluntarioso, teimoso e gosta mesmo muito pouco de ser contrariado.

Nas últimas semanas, tem sido uma constante estarmos os dois (com o pai igualmente) em extremos opostos de vontades, e apercebo-me que qualquer coisa que lhe peça ou que diga, as respostas costumam ser invariavelmente um "não!" e principalmente um "não quero!"... palavras que parecem estar sempre prontas a ser cuspidas em resposta a qualquer pergunta ou pedido que lhe façamos!

As refeições tornaram-se ansiosas, enervantes e carregadas de stress e frustração, num jogo absoluto de choque de vontades e de negociação, para ver se o convencemos a comer.

O vestir não é menos pacífico, com ele a inventar argumentos para não envergar um determinada camisola ou um certo par de calças.

O facto de em tempos ter sido assim, faz-me em algumas ocasiões ser mais branda, mas não posso deixá-lo levar sempre a sua vontade a bom porto, porque ao longo da vida, vamos ter muitos dissabores por não sabermos aceitar uma derrota ou uma contrariedade!

Se por um lado sei de onde lhe vem esta veia de menino carregado de vontades, também sei que terei que educá-lo para que aprenda que nem sempre as coisas correm de feição e de acordo com aquilo que queremos... 

Está visto que os contras são uma herança genética...

1 de outubro de 2013

Apelo aos candidatos às autarquias deste país

Agora que já sabem quem ganhou, quem perdeu, quem acha que ganhou mesmo tendo perdido, juntem-se lá todos e descerrem todas as faixas com slogans mais ou menos inventivos. 

Removam todos os placards que espalharam como ervas daninhas pelos concelhos e freguesias, unidas ou não, levantando pedras de calçada, abatendo árvores e cartazes que enfeitam postes de iluminação.

Se realmente estavam cheios de preocupação e zelo pelo munícipio que pretendiam governar, contribuam activamente e removam toda a poluição visual com que inundaram ruas e avenidas, sim?!



Ah... se eu mandasse, legislava que cada candidato só poderia ter um cartaz de campanha no concelho inteiro. Cada um escolhia o seu spot num mesmo local e assim, só se poluía um espaço confinado!

30 de setembro de 2013

Falipices #55

Depois de um mini-ralhete, por não parar sossegado nem 30 segundos, Falipe fica com um ar muito melindrado e afirma com ar resoluto:

- Já não és minha amiga!!

Não satisfeito, acrescenta:

- Vais ficar com o coração partido para sempre!*

Passados dois minutos, a "birra" já lhe passou e já diz que é meu amigo.

* O que ele ainda não sabe é que se um dia ele deixar de ser meu amigo, eu vou mesmo ficar de coração partido...

26 de setembro de 2013

Lar, doce lar

Lembro-me que mudámos para o apartamento no início de Dezembro, tinha eu os meus quatro anos acabados de completar.
Recordo-me da tarde em que a minha mãe me disse "escolhe lá qual é que queres que seja o teu quarto!" e eu escolhi instintivamente o que fica virado a nascente, tal como a porta de entrada do prédio.

Foi ali que o meu pai montou a cama que iria substituir a minha cama de grades, uma cama de casal só para mim! Com a cómoda e um espelho a condizer, e a cabeceira da cama cheia de prateleiras e as mesas de cabeceira embutidas, como era moda no início dos anos 80.

Adorava andar descalça na alcatifa cinzenta do meu quarto, mas detestava a vermelha que atapetava a sala e o corredor.

Tive sempre medo de entrar no quarto "onde ninguém dorme", porque durante meses a fio acreditava que existiam monstros debaixo da cama. Mas sabia que era no guarda-fatos desse quarto que a minha mãe escondia as minhas prendas de Natal e isso despertava em mim o espírito de aventura.

Com o passar dos anos, eu fui crescendo e a casa envelhecendo e degradando-se.

Ali vivi momentos felizes com os meus pais, e onde vivi também os mais tenebrosos, principalmente os últimos meses de vida da minha mãe.

Era o meu porto seguro quando vinha da faculdade, a cada quinzena. Revia o meu pai, e retornava ao meu quarto, ainda com o poster gigante do Danças com Lobos a orlar a parede.
No roupeiro, permanecia ainda pendurado o meu vestido de baptizado, o vestido de casamento da minha mãe e um vestido roxo dela com decote em V e pregas largas na saia, feito com cetim bordado que um ex-namorado lhe trouxera de Goa.

Foi dali que saí para o meu apartamento. Deixei alguns livros nas prateleiras, bibelots oferecidos pelas tias e primas e três ou quatro peluches. E o baú trabalhado com cenários japoneses, contendo todo o enxoval que a minha foi reunindo ao longo dos anos...

Foi naquele apartamento que o meu pai viveu 14 anos de solidão, apesar das minhas visitas frequentes.

Quando ele faleceu, foi ali que chorei enquanto separava as suas roupas e pertences.
Durante 18 meses, perdi o chão e fiquei sem saber o que fazer ao apartamento onde vivi mais de metade da minha vida...

Foi renitente que o esvaziei para recuperar... as obras de reparação/recuperação foram um martírio que se prolongou por demasiados meses... e eu continuei sem grande noção do que fazer...


Mobilei-o, decorei-o minimamente e pus-lhe cortinados escolhidos a gosto, como se fossem para mim.

Hoje entreguei as chaves da porta, da caixa do correio e da porta de entrada a uma ex-vizinha a quem o decidi arrendar.

Não sem antes voltar a entrar e olhar em volta.
O apartamento onde cresci, que está de cara lavada e não tem qualquer resquício do que foi quando ali vivi, à excepção das divisões e compartimentos... 

Lentamente, algumas coisas começam a definir-se e parece que tudo se vai encaixando nos seus lugares...

25 de setembro de 2013

Para quando?...

Um sinal assim do género deste, mas para impedir a malta de nos contar episódios e peripécias estapafúrdias das suas vidas, sem que ninguém lhes tenha perguntado nada?!

Irra, que "há dias de manhã que nem de tarde se pode sair à noite" e mais parece que todos os maluquinhos encontram o caminho para te maçar...