Nunca ouvi tanto este chavão como nos últimos meses, em que todos parecem apontar esta tirada como a solução para sermos felizes nos dias que correm....
Realmente, a velocidade imposta pela sociedade da informação, pelos avanços tecnológicos que se sucedem a uma rapidez quase estonteante, pelas milhentas redes sociais e o crescente FOMO associado, fazem com que sejamos cada vez menos capazes de simplesmente estar parados, a apreciar boa companhia, reduziu o convívio físico, o estar juntos fisicamente, presentes no mesmo local a viver as mesmas coisas.
Eu culpada me confesso, que me deixei levar por tudo isto... longe vai o tempo em que eu escolhia a minha banda sonora e apreciava a beleza de tantos momentos, tinha uma vida social activa que passava exclusivamente por combinar encontros com amigos e familiares.
Por me sentir assoberbada com tudo isto, decidi que nas minhas férias, além de ir para o meu paraíso pessoal, ia tentar desligar-me o máximo possível de redes sociais e também da televisão.
Senti-me bem! Senti-me mesmo muito bem!
Dei por mim a reparar em coisas que de outra forma não poria a atenção. E a apreciá-las!
Dei por mim a sorrir perante uma cena caricata no café da vila, onde quatro amigos, todos na casa dos vinte estavam sentados a tomar o pequeno almoço e todos sem excepção teclavam ou num smartphone ou num tablet. Calculo que estivessem a conversar entre si, mas sem abrir a boca, só a teclarem num écran... só não tirei uma foto por pura vergonha!
Nessas férias, comemos sempre juntos à mesa, a conversar uns com os outros. Praticamente só vimos programas culturais na RTP2. As saudades que eu tinha que ver este canal...! E o que aprendi sobre grandes nomes da escrita portuguesa?! Muito enriquecedor!
Imbuídos do espírito das férias, decidimos que iríamos dosear as quantidades de consumo de televisão, de computador e redes sociais.
Sinceramente tenho-me sentido muito mais em paz com esse facto!
Presto mais atenção aos pormenores, converso mais sobre assuntos que realmente importam e poupo o meu sistema nervoso central ao relambório da nossa política e sociedade, que me parecem andar pelas ruas da amargura...
Efectivamente, quer-me parecer que decidi "viver no presente" (nunca cuspas pró ar) e não estou nada insatisfeita com esta solução... se resolveu os meus problemas todos?! Certamente que não! Mas que me trouxe alguma serenidade que andava perdida, lá isso trouxe!


