8 de junho de 2013

Que raio de mãe?...

Seria eu se não te pegasse ao colo e te abraçasse com todo o meu carinho, meu pequeno filho doente?!...
A razão dita-me que mantenha a distância de segurança, estando eu em recuperação pós-operatória, para evitar infecções.
Mas eu sou tua mãe, e tu esticas os teus braços febris para mim, pedindo colo e conforto, e o meu coração atropela a razão e toda a lógica de prevenção e auto-preservação!
Prefiro ver-te nos meus braços, mais calmo e arriscar um possível contágio, eu prefiro ser eu a sofrer do que te ver assim combalido e prostrado, com os olhos mortiços e vidrados de febre.

* isto também faz parte de aprender a ser mãe, já dizia a Gralha...

7 de junho de 2013

A recuperar...

Duma cirurgia ao nariz.
Era suposto ser só alinhar o septo nasal, mas os adenóides tiveram que sair e andaram a mexer-me nos "cornetos" (isto configura toda uma nova perspectiva sobre os gelados desse nome!).

Só vos posso dizer que isto não é lá muito agradável... Posso mesmo sem sombra de dúvida afirmar que a cesariana pela qual passei foi uma brincadeira de meninos comparada com esta cirurgia, em termos de recuperação. Pode até ser por causa de todas as hormonas maravilhosas da maternidade, mas raios-partam-que-isto-dói muito mais! 

Resta-me o conforto de poder comer gelados e gelatina à discrição!
Salvam-me as drogas legais! 

31 de maio de 2013

A escolha da Angelina Jolie

Quando li o artigo que a Angelina Jolie publicou a explicar as razões que a levaram a submeter-se a uma dupla mastectomia, tudo ressoou em mim.

Percebi todas as razões e mais algumas pelas quais ela tomou a decisão dificílima de remover uma parte do seu corpo. Não me venham cá tentar convencer que é decisão tomada de ânimo leve, porque não é! É uma decisão radical, seja de que ponto vista for. Por muito que ela tenha todos os meios financeiros ao dispôr que lhe permitam a colocação de implantes, não deixa de ser complicado aceitar remover os seios. Qualquer mulher que goste minimamente de si, gosta dos seus seios e eles fazem parte integrante do seu corpo.

Dito isto, só lhe posso louvar a coragem por ter tomado essa decisão! 
Porque eu, não sei se teria o mesmo "desprendimento" e não sei se conseguiria abdicar duma parte do meu corpo assim desta forma. 
Ainda hoje, passados quase 18 anos da morte da minha mãe para um cancro de mama, que a corroeu lentamente e a fez definhar dolorosamente, degradar-se progressivamente física e e mentalmente diante dos meus olhos e dos do meu pai, não consigo equacionar sequer a hipótese de vir a herdar geneticamente a doença. Quanto mais equacionar uma tomada de medidas desta natureza...

Possivelmente, se fosse confrontada com as probabilidades estatísticas que a Angelina Jolie recebeu, faria exactamente a mesma coisa! Fá-lo-ia pelas mesmas razões que ela invocou: a probabilidade de prolongar a vida pelos seus filhos e quem sabe os netos. Foi uma decisão tomada por amor aos seus filhos e isso só revela o quão acertada foi.

Porque a doença é ruim, agressiva, um grandessíssima puta para quem dela padece. 
Mas é igualmente ruim, agressiva e uma grandessíssima puta para quem ama a pessoa doente. 
Porque nos tolhe, nos torna impotentes e nos confronta com uma profunda injustiça! E no fim de tudo, rouba-nos os sonhos, corrói-nos a esperança e alguma réstia de vontade de ser feliz...

Apesar de haver vida para além da doença, e felizmente a medicina tem registado avanços enormes que permitiram aumentar a taxa de sobrevivência em alguns tipos de cancro, quem perdeu alguém querido na batalha nunca mais será o mesmo. Fica com cicatrizes invisíveis, mas profundíssimas para todo o sempre! Sobrevive também, ultrapassa, racionaliza, vota algumas coisas ao esquecimento para poder continuar. 
Mas as marcas ficam, para sempre!
Por isso, entendo que a Angelina tenha querido evitar que os filhos dela recebam as marcas que ela própria carrega em si, pela perda da sua mãe.

Algures no meio da luta da minha mãe, escrevi isto, num dos muitos momentos de desespero:

"Já desisti de querer casar-me e ter filhos. Não tenho amor nenhum para lhes dar, porque no coração só tenho amargura e sofrimento. Assim não magoo ninguém. Já não sei quem sou, já tinha poucos sonhos e agora não não tenho nenhuns."

Hoje leio isto e relativizo, porque há muito dramatismo infantil nele contido... vendo bem, eu estava em plena adolescência, que por si só, é um período conturbado da vida de qualquer um. Mas relativizo-o todos os dias de alguma forma, porque tive que o fazer! Porque não poderia deixar de o fazer! Porque seria profundamente injusto para com a memória da minha mãe... que lutou até aos últimos minutos, para sobreviver... por mim!

30 de maio de 2013

Pessoas "normais"


Por vezes ansiamos pela "normalidade", por uma vida pacífica, sem sobressaltos, igual à dos demais.
De algum modo, acreditamos que são felizes e queremos viver igualmente uma felicidade pacífica.

Chegados a esse patamar, podemos acabar por descobrir que a "normalidade" não tem nada de feliz e que viver uma vida "pacífica" é mesmo uma tremenda seca!
Descobrimos que a normalidade não passa duma ilusão em que escolhemos acreditar.
Talvez sejam mesmo felizes!

Mas demasiada "normalidade" aborrece, maça e cansa...

28 de maio de 2013

Falipices #45 - Observações climatéricas

De manhã ao pequeno-almoço, e tendo em conta a sua capacidade recém-adquirida de relatar tudo e mais alguma coisa, chama por mim e diz:

- Mãe, vês... está de nuvens. É... é... aquilo! Pai, como se chama aquilo?!

O G. fica também sem saber ao que ele se quer referir...

- Ah... já sei, é o Inverno!!

Acho que o Falipe tinha jeito para a meteorologia...

27 de maio de 2013

"Nose job"

A esta hora possivelmente deveria estar já sob o jugo da anestesia geral... não sei se já teria levado uma ou duas marteladas no nariz... utensílios metálicos que desconheço já teriam sido manuseados, trocados e compressas já estariam separadas para irem a caminho do contentor de lixos hospitalares...

Diz que este "narizinho pequenino" (palavras do senhor meu pai) anda desviado... o septo nasal, pelo menos...
Sempre acusaram este meu "narizinho pequenino" de ser uma fera roncadora, capaz de acordar os demais "dormidores silenciosos", levando alguns à loucura da noite mal dormida.

E eu injustamente, passei anos a culpar as amígdalas, essas bolas disformes de tecido mole que habitam nas laterais da minha garganta.

O otorrino ilibou as amígdalas e rezou a sentença ao narizinho roncador com o septo nasal que mais parece uma cobra-assanhada-de-pedrada e determinou que há que acabar com as festas de ressonanço horas dentro, qual Boieng 747 prestes a levantar voo da pista.

Mas a cirurgia cuja lista de espera tinha um tempo médio de 2/3 meses e que surpreendentemente foi marcada logo ao fim de uma semana, devido a uma desistência, não se realizou esta tarde, como estava marcada... o elogio rasgado que fiz ao SNS caiu por terra assim que fui informada que o anestesista se baldou faltou e não havia mais nenhum profissional que o pudesse substituir... depois ainda dizem que há médicos no desemprego, não sei bem como... e por isso, talvez a esta hora, daqui por uma semana, eu esteja anestesiada e na mesa do bloco operatório, ligada a fios que debitam líquidos na veia, a ser martelada no narizinho roncador, para aplicar um correctivo ao septo nasal, esse desviado!

23 de maio de 2013

Falipices #44 - Vida difícil

É raro, bastante raro, o Falipe tomar a iniciativa de arrumar os brinquedos que espalha pelo chão da sala.

Às vezes, só o convenço com o argumento de "tens que ajudar os papás a arrumar" e nem sempre o faz de gosto...

Mas num destes dias, muito decidido e convicto, avisou o pai que ia arrumar as cerca de 50 peças de madeira (triângulos, rectângulos, quadrados e meias-luas) com que adora fazer construções.

O pai aplaudiu a ideia prontamente.

Quando ainda só tinha arrumado uma meia dúzia de peças, comunicou ao pai:

- Mas assim fico muito cansado...

Ou seja, o pai teve que dar uma ajudinha, não fosse ele ter para ali um esgotamento físico!