22 de novembro de 2014
Falipices #79 - a arte duma indirecta
- Mãe, sabes onde é a natação*?
Antes que eu pudesse responder...
- Passas a farmácia, desces e depois viras à direita e estacionas aí! Estás a ver?!
E foi assim que o Falipe manifestou a sua firme intenção de que eu fosse assistir a uma aula dele na piscina.
Só me restou mesmo organizar-me para poder lá estar à hora, já que o Ricardo tem alguma influência nos meus "horários".
A alegria do Falipe quando me viu nas bancadas foi tremenda!
Ter ido ajudá-lo a vestir-se no balneário ainda contribuiu mais para a sua felicidade! Fez questão de apregoar aos colegas todos que eu era a mãe dele!
Estou certa de que esta "visita" à aula de natação lhe vai ficar agradavelmente gravada na memória.
Não só fiz o meu filho feliz duma forma tão simples, como ainda tive oportunidade de conhecer uma admiradora sua, uma colega de apenas 4 anos, que com a sua carinha linda e uns olhos lindos debaixo duma franja, me comunicou: "eu gosto mesmo muito do Filipe!"
* - por iniciativa da autarquia, as crianças do pré-escolar têm aulas de adaptação ao meio aquático, uma vez por semana, nas piscinas municipais.
20 de novembro de 2014
Seis meses
Há seis meses que te conheci pela primeira vez, que vi o teu rosto pequenino de bebé de uns meros 2010 gramas.
Quando percebi que querias nascer antes da data prevista, tive medo... por ti. Tive receio que não fosses forte o suficiente...
Quando te vi naquele primeiro minuto, fiquei fascinada com a perfeição do teu rosto, com a tua beleza e as feições tão lindas e perfeitas. Fiquei mesmo abismada pelo quanto eras parecido com o teu irmão. Diria mesmo que naquela mesa do bloco operatório, novamente de braços abertos, qual Cristo na cruz, tive uma sensação de dejá-vu... parecias mesmo o Filipe, mas eras tu, o Ricardo!
A minha bênção!
Aquela que eu pedi em segredo dias e meses, de mim para comigo. Aquela bênção pela qual esperei
O teu corpo tão pequenino, sem músculos à vista, os teus dedos fininhos mas tão longos e perfeitos, os teus lábios... iguais aos do teu pai e do teu irmão. A tua pele junto à minha! Fazias ruidinhos tão baixinhos... e eu deleitada.
Os dias na Neonatologia foram complicados para mim. O meu medo continuava presente, mas a esperança de que tu, a minha bênção, não me fosses "roubado"...
Os primeiros três meses foram desgastantes, foram feitos de muito cansaço, algum desespero, muito pouco sono conciliado, muito choro teu
Hoje, seis meses passados, és um menino lindo, tão sorridente e bem disposto! És um bebé sereno e basta pores os olhos em mim, abres o maior sorriso do mundo. Adoras que te façam garatujas e ris à gargalhada, deixando-me derretida e a rir feita patetinha. Detestas estar sozinho e quando te apercebes disso, dás gritinhos para chamar a atenção.
Tens umas bochechas rechonchudas que eu não me canso de beijar!
Adoras chuchar no polegar, contrariando a minha vontade.
Olhas o teu irmão com uma atenção diferente, como que em sinal de admiração, já a adivinhar que vais querer segui-lo para todo o lado!
És geniquento e aprendeste a "dar ao pedal" para embalar a espreguiçadeira e ver os bonecos a baloiçar, enquanto tentas dar-lhes umas "sapatadas".
Às vezes, paro a olhar para ti, para esses olhos castanhos, como duas azeitonas pequeninas, e sou invadida por uma comoção que me deixa à beira das lágrimas, e sinto uma pontada de medo... dos dias em que estivemos em duas alas diferentes do hospital.
Mas tu és a minha bênção, aquela que eu pedi!
E eu não podia ser mais feliz por te ter recebido na minha vida! E sinto-me afortunada por estares aqui e fazeres parte de mim e da minha vida. E és muito amado, e sempre assim serás, meu picaxuxo, meu Rica!
31 de outubro de 2014
Donkey business
Estás enorme, mas continuas a ser (e assim será até eu morrer bem velhinha e de cabelos brancos) o meu menino, o meu bebé, o meu "caluxo".
És meigo, inteligente, divertido, teimoso
És um tagarela, e tens cócegas. A televisão hipnotiza-te por completo
Adoras o teu irmão e ajudas-me quando ele choraminga e eu não o posso atender logo.
E eu vejo que andas carente. Que queres e precisas de um pouco mais da minha atenção. Porque és uma criança sensível, e com uma memória de elefante (isto herdaste do teu bisavô José!) e às vezes só te descoses passados uns dias... e eu caio em mim. E só me apetece espancar-me a mim mesma por não ter percebido no momento.
Eu sabia que teria dificuldade em abarcar o mundo,
Às vezes gostava de ter poderes mágicos e fazer o tempo esticar, mas outras só desejo que pudesses ter uma infância mais semelhante à minha, que foi muito mais slow-motion, muito mais liberta de stress e de correrias e de afazeres e azáfamas e tarefas e actividades.
Às vezes sonho que consigo dar-te um pouco da felicidade que eu vivi quando era pequena e sinto-me esperançosa de que os bons momentos que sempre tento proporcionar-te te ficarão gravados nesse disco rígido que é a tua moleirinha, e que um dia te ouça recordá-los com alegria.
23 de outubro de 2014
Ricardices #2
17 de outubro de 2014
150 dias
Hoje regressei ao trabalho.
Foi doloroso!
Como havia sido quando regressei ao trabalho aos 5 meses do Filipe.
Foi mais um corte, uma certa forma de separação...
Agora que estava a apreciar cada dia mais e mais os teus gritinhos, os teus brrr's, e me derretia ver os teus sorrisos rasgados, tão sinceros!
Eu sei que estás bem.
Eu sei que a vida continua, que tudo se vai cambiando, mas estava a apreciar tanto a tua companhia, que não queria que este dia do regresso ao trabalho chegasse tão depressa.
As hormonas também não ajudam. São umas cabras maléficas, que se regozijam da minha renitência em separar-me de ti.
Tu que me idolatras, que me segues com o olhar para onde vou. Que olhas para mim como não olhas para o teu pai ou para o teu irmão.
Eu sei que estás bem.
Eu sei que vou ficar bem.
Mas por agora... custa!
5 de outubro de 2014
Uma vida feliz
Às vezes, tudo o que precisamos para perceber o quão felizes somos é um slide-show das fotografias de família, aquelas que ilustram sorrisos, gargalhadas, abraços, beijos, caretas dentolas e olhares marotos.
Mas também aquelas que gravaram para a posteridade um sobrolho levantado, porque estamos aborrecidas com uma qualquer atitude, ou as birras dos filhos, ou um ar sério e compenetrado.
Basta ver desfilar aleatoriamente no écrã do computador as fotografias das férias, dos fins-de-semana, ou até de um final de tarde na praia, ou duma galhofada em casa, para percebermos que tudo o que sempre desejámos para ser felizes está aqui!
Está gravado naquelas fotografias!
Que mais não são do que registos duplicados e bidimensionais das nossas recordações. Porque essas têm cheiros, têm música, sentimentos e emoções!
Basta olhar para as fotografias que se vão sucedendo a cada 20 segundos, para percebermos que somos tão ricos, por nos termos a nós o quatro. Que começámos como dois seres individuais, depois passámos a casal, e a família aumentou para três e agora quatro.
Somos ricos pelos momentos que vivemos juntos, por todos os locais que fomos conhecendo, os passeios, os momentos de lazer.
Somos ricos por sermos felizes assim!
Nãi importa que haja birras e jantares demorados e desassossegados, com comida espalhada e migalhas pelo chão, que haja choros de bebés que nos deixam o cérebro feito em papas, que há dores nas costas e muito cansaço e privação de sono.
Não importa que um filho tente chamar a nossa atenção enquanto o outro berra a pleno pulmão.
Não importa que não sejamos capazes de conversar um com o outro porque há filhos a chamar a atenção ou a berrar estridentemente.
Importa apenas que estamos juntos e que com tanto ou tão pouco, somos felizes!
3 de outubro de 2014
Falipices #78
Falipe chega perto de mim e pergunta:
- Mãe, o que estás a fazer?
- Estou a lavar pratos à mão porque me esqueci de pôr a máquina de louça a trabalhar...
Do hall de entrada ouço o pai comentar...
- Boa, Naná!
Falipe remata:
- Bonito serviço, mãe!
1 de outubro de 2014
O tempo foge à velocidade luz
Se por um lado tento aproveitar ao máximo estes dias e absorver tudo o que posso deste meu filho, que é um sorridente nato por sinal, um bem disposto de primeiro linha, por outro lado sinto-me cada dia mais
A ideia de regressar ao trabalho entristece-me, porque apesar de saber que preciso trabalhar para sobreviver, e me poder dar a certos pequenos luxos, significa que vai haver uma série de etapas de crescimento e evolução do Ricardo que acontecerão com ou sem a minha presença. Significa que todas as gracinhas, todas as conquistas e aprendizagens dele virão quase pela certa a acontecer na minha ausência.
Ontem ele descobriu os "gritinhos" e eu senti o meu coração crescer e inundar-se dum sentimento que não sei descrever.
Hoje cortámos mais um pouco o "cordão umbilical" invisível e ele experimentou a primeira sopa dele. É sempre um misto de alegria e uma certa nostalgia, porque eu sei que ele está a crescer e é uma evolução natural, mas isso significa ao mesmo tempo que ele vai deixando cada vez de ser "meu", só meu!
20 de setembro de 2014
Falipices #77 - Ou será Ricardices #1??!!
27 de agosto de 2014
Mãe sofre!!!
Pela primeira vez, o Filipe teve que fazer análises, para despistar alergias, e para preparação para a cirurgia aos adenóides e ouvidos.
Acho que me custou mais a mim que a ele...
Apesar de medroso no início e nervoso quando viu que lhe iam espetar uma agulha, foi um valentão e não chorou como ficou muito quieto.
Valeu-lhe uma série de elogios da enfermeira!
E agora anda com o braço esticado, como se fosse um pardal de asa partida.
Um corajoso!
Eu é que sou uma coração fraco, não posso saber que espetam coisas afiadas nos meus meninos!
12 de agosto de 2014
A culpa nunca morrerá solteira!
Quando a culpa morrer, será após um longo e infeliz casamento com o coração duma mãe.
Porque a culpa, essa, adora meter-se nos lugares mais recônditos do coração duma mulher que tenha prole e que a ame acima de tudo.
A culpa aloja-se ali, qual hospedeiro parasita, num casamento sem direito a divórcio, nem mesmo o litigioso, pautado por muitos momentos de tristeza e infelicidade, em que a culpa, cônjuge maléfico, se fica a rir a bandeiras despregadas de ter infligido dor profunda.
A culpa, cônjuge dominador, chicoteia o coração duma mãe de todas as formas possíveis que encontra, seja na pequena chantagem emocional, seja na agressão pura e dura, deixando-o prostrado de joelhos.
Por vezes, o coração consegue ser mais forte e dar um chega para lá na culpa, mas nunca se livra verdadeiramente dela, porque a culpa é muito boa a infernizar, incutindo dúvidas e inseguranças no coração da mãe. Isto quando não traz ao barulho a mente, que toma muitas vezes por amante temporária, enchendo-a de cucos e preocupações.
Por isso, a culpa, quando morrer, nunca irá solteira, porque o coração duma mãe foi para o altar com ela, no dia em que nasceu o seu primeiro filho, por quem se apaixonou.
6 de agosto de 2014
Injustiças da vida duma mãe
É saber que aquela pele tão macia do rosto deles um dia dará lugar a um campo de barba rija... e quiçá acne...
5 de agosto de 2014
Lições que (re)aprendi com a segunda maternidade
31 de julho de 2014
Falipices #76
Uma certa tarde, de regresso a casa, vindos da "casa de Aljezur", Falipe informa-nos que já decidiu qual o desporto que quer praticar.
- mãe é aquele que tem um pau muito comprido e que batemos numa bola e ela vai muito longe.
- estás a falar de hóquei em patins? (no dia anterior tínhamos visto o jogo da selecção)
- não, não é esse!
Bem, depois de mais umas tentativas de perceber que jogo seria esse... fez-se luz!
- estás a falar de golf?
- sim! É esse!!!
- oh filho, mas esse desporto é muito caro...
- não é não! Prós meninos não é... só prós senhores grandes.
Bem, uma coisa é certa, campos disponíveis nas redondezas não lhe faltam!
18 de julho de 2014
Sorri sempre, sorri!
A dois dias de completares dois meses, hoje sorriste intencionalmente quando te fiz uma garatuja!
Um sorriso rasgado, lindo, nos teus lábios perfeitos.
Eu e o teu pai ficámos literalmente derretidos...
Agora que sabes sorrir, meu filhote, sorri muito.
Sorri sempre!
15 de julho de 2014
Fome de leão
8 de julho de 2014
Falipices #74
- Estavas a pensar no quê?
- Eu estava a pensar que quando for grande... sabes... vou comprar uma prancha de surf.
- Ai sim?
- Tu não querias uma prancha de surf, papá?
- Mas eu não sei surfar...
- Sabes, é fácil! Vais assim em cima da prancha e depois pões-te em pé na onda e depois shhhhhhhh... vais assim na água da onda.
Ah bom... é assim fácil, não é filho?!

