31 de outubro de 2014

Donkey business



Estás enorme, mas continuas a ser (e assim será até eu morrer bem velhinha e de cabelos brancos) o meu menino, o meu bebé, o meu "caluxo".

És meigo, inteligente, divertido, teimoso (porque raio havias de herdar isto de mim??!!), extrovertido e às vezes meio palhacinho.

És um tagarela, e tens cócegas. A televisão hipnotiza-te por completo (bolas, já são duas coisas que herdaste...) e eu posso chamar por ti que tu não me ouves nem um segundo.

Adoras o teu irmão e ajudas-me quando ele choraminga e eu não o posso atender logo.

E eu vejo que andas carente. Que queres e precisas de um pouco mais da minha atenção. Porque és uma criança sensível, e com uma memória de elefante (isto herdaste do teu bisavô José!) e às vezes só te descoses passados uns dias... e eu caio em mim. E só me apetece espancar-me a mim mesma por não ter percebido no momento.

Eu sabia que teria dificuldade em abarcar o mundo, como quero sempre fazer, mas há dias em que me sinto mesmo assoberbada e por mais que veja que precisas de mim e do meu colo, não consigo fazer mais que o que faço.

Às vezes gostava de ter poderes mágicos e fazer o tempo esticar, mas outras só desejo que pudesses ter uma infância mais semelhante à minha, que foi muito mais slow-motion, muito mais liberta de stress e de correrias e de afazeres e azáfamas e tarefas e actividades.

Às vezes sonho que consigo dar-te um pouco da felicidade que eu vivi quando era pequena e sinto-me esperançosa de que os bons momentos que sempre tento proporcionar-te te ficarão gravados nesse disco rígido que é a tua moleirinha, e que um dia te ouça recordá-los com alegria.

23 de outubro de 2014

Ricardices #2

O Ricardo parece cada vez mais estar a treinar a comunicação.
Se o Filipe é um tagarela de primeira, estou a ver que o Ricardo não lhe vai ficar atrás... estou bem tramada!
De há uns dias para cá, o Ricardo aprendeu a fazer sons como estalidos e brr's e dá gritinhos. Ontem deixei-o no berço uns minutos e aquilo ia para ali uma converseta...
Será que se o levar ao Zoomarine ele será capaz de se entender com os golfinhos?! 
É que os gritinhos e estalidos dele parecem mesmo um golfinho, assim como este...

22 de outubro de 2014

Spammers do mundo, organizem-se!

Que me mandem toda a porcaria de e-mails sobre perda drástica de peso, tipo 38 kgs em 2 meses (drástico é um eufemismo, sem dieta ou exercício, só se cortam um bracinho ou uma perninha...) e outros sobre como ter unhas e cabelo radiantes, eu até consigo entender.

Afinal de contas, sou gaja e encaixo-me no público alvo da vossa publicidade manhosa.

Eu nem vou levar a mal que há uns tempos atrás me andassem a aliciar com comprimidos de toda a gama de barbituricos e afins... sou uma gaja, e como tal devo sofrer de ansiedade, estados depressivos e coisas parecidas. Não é bem o meu caso, porque quando me dá para a descida abrupta de auto-estima e subida alucinante de auto-comiseração, costumo auto-bofetear-me figurativamente e a coisa fica por ali mesmo.

E nem vou levar em consideração que pensem que sofro de calvície... apesar de o meu cabelo andar a abandonar-me o escalpe como quem foge a sete pés do perigo (a este ritmo assustador... ou isto pára, ou estamos mal...), ainda não estou nem perto de ter uma careca.

Agora desculpem lá se me aborrece receber 30 a 50 e-mails a tentar convencer-me a fazer o aumento do membro peniano que nunca tive! E não me interessa se a Nancy ou a Vanessa ficam loucas aos saltos com membros alargados em mais de 12 cm... ok?!

Façam lá o vosso trabalhinho de casa nem que seja um bocadinho. É que vós já sedes irritantes para xuxu, e obrigam-me a apagar 30 a 60 e-mails todos os dias, ao menos que sejam sobre assuntos que poderiam hipoteticamente vir a interessar-me. Mas duvido...

17 de outubro de 2014

150 dias

Passaram-se 150 dias...

Hoje regressei ao trabalho.

Foi doloroso!
Como havia sido quando regressei ao trabalho aos 5 meses do Filipe.

Foi mais um corte, uma certa forma de separação...

Agora que estava a apreciar cada dia mais e mais os teus gritinhos, os teus brrr's, e me derretia ver os teus sorrisos rasgados, tão sinceros!

Eu sei que estás bem.
Eu sei que a vida continua, que tudo se vai cambiando, mas estava a apreciar tanto a tua companhia, que não queria que este dia do regresso ao trabalho chegasse tão depressa.

As hormonas também não ajudam. São umas cabras maléficas, que se regozijam da minha renitência em separar-me de ti.

Tu que me idolatras, que me segues com o olhar para onde vou. Que olhas para mim como não olhas para o teu pai ou para o teu irmão.

Eu sei que estás bem.
Eu sei que vou ficar bem.
Mas por agora... custa!

13 de outubro de 2014

Parar o tempo #2

Está frio lá fora.
Ameaça chover.

Tu dormes pacificamente na cama grande do teu mano.

Eu sentada no cadeirão, tricoto um casaco para ti.

Amanhã será dia de festa...

Faltam 4 dias para regressar ao trabalho... E deixar de ver os teus sorrisos e as tuas bochechas rechonchudas a toda a hora...

5 de outubro de 2014

Uma vida feliz



Às vezes, tudo o que precisamos para perceber o quão felizes somos é um slide-show das fotografias de família, aquelas que ilustram sorrisos, gargalhadas, abraços, beijos, caretas dentolas e olhares marotos.

Mas também aquelas que gravaram para a posteridade um sobrolho levantado, porque estamos aborrecidas com uma qualquer atitude, ou as birras dos filhos, ou um ar sério e compenetrado.

Basta ver desfilar aleatoriamente no écrã do computador as fotografias das férias, dos fins-de-semana, ou até de um final de tarde na praia, ou duma galhofada em casa, para percebermos que tudo o que sempre desejámos para ser felizes está aqui!

Está gravado naquelas fotografias!
Que mais não são do que registos duplicados e bidimensionais das nossas recordações. Porque essas têm cheiros, têm música, sentimentos e emoções!

Basta olhar para as fotografias que se vão sucedendo a cada 20 segundos, para percebermos que somos tão ricos, por nos termos a nós o quatro. Que começámos como dois seres individuais, depois passámos a casal, e a família aumentou para três e agora quatro.

Somos ricos pelos momentos que vivemos juntos, por todos os locais que fomos conhecendo, os passeios, os momentos de lazer.

Somos ricos por sermos felizes assim!

Nãi importa que haja birras e jantares demorados e desassossegados, com comida espalhada e migalhas pelo chão, que haja choros de bebés que nos deixam o cérebro feito em papas, que há dores nas costas e muito cansaço e privação de sono.
Não importa que um filho tente chamar a nossa atenção enquanto o outro berra a pleno pulmão.
Não importa que não sejamos capazes de conversar um com o outro porque há filhos a chamar a atenção ou a berrar estridentemente.

Importa apenas que estamos juntos e que com tanto ou tão pouco, somos felizes!

3 de outubro de 2014

Falipices #78

À hora de almoço, estava eu na cozinha um pouco aflita...

Falipe chega perto de mim e pergunta:

- Mãe, o que estás a fazer?

- Estou a lavar pratos à mão porque me esqueci de pôr a máquina de louça a trabalhar...

Do hall de entrada ouço o pai comentar...

- Boa, Naná!

Falipe remata:

- Bonito serviço, mãe!

1 de outubro de 2014

O tempo foge à velocidade luz

Faltam 16 dias para terminar a minha licença de maternidade.

Se por um lado tento aproveitar ao máximo estes dias e absorver tudo o que posso deste meu filho, que é um sorridente nato por sinal, um bem disposto de primeiro linha, por outro lado sinto-me cada dia mais f&$/&%% aborrecida por pagar impostos como uma nórdica e não usufruir dos direitos parentais como uma nórdica...

A ideia de regressar ao trabalho entristece-me, porque apesar de saber que preciso trabalhar para sobreviver, e me poder dar a certos pequenos luxos, significa que vai haver uma série de etapas de crescimento e evolução do Ricardo que acontecerão com ou sem a minha presença. Significa que todas as gracinhas, todas as conquistas e aprendizagens dele virão quase pela certa a acontecer na minha ausência.

Ontem ele descobriu os "gritinhos" e eu senti o meu coração crescer e inundar-se dum sentimento que não sei descrever.

Hoje cortámos mais um pouco o "cordão umbilical" invisível e ele experimentou a primeira sopa dele. É sempre um misto de alegria e uma certa nostalgia, porque eu sei que ele está a crescer e é uma evolução natural, mas isso significa ao mesmo tempo que ele vai deixando cada vez de ser "meu", só meu!