29 de maio de 2014

Notícia de um nascimento*

A 20 de Maio às 19h01 nasceu de cesariana, com 2010gr e 43,5 cm o meu menino mais lindo, doce e forte.

Um apressado de primeira! Mas que terá ajudado a mãe a livrar-se dum episódio de pré-eclampsia...

Mãe e filho estão bem, a recuperar.

A minha família está completa.

* - título claramente plagiado ao grande senhor GGM

23 de maio de 2014

Miopia social selectiva

Por um lado dizem-me:

Eh pá, que grande barrigão! Estás enorme!

Por outro chego às filas de supermercado e o comentário é sempre:

Ah desculpe, não a vi...

Em que ficamos?!

* - desta feita posso afirmar que não usei da regra de prioridade à grávida em lado nenhum. Não calhou...

17 de maio de 2014

Semanário de gravidez #16

Estes dias de baixa médica foram bastante benéficos! O facto de andar sempre ocupada e de um lado para o outro fizeram com que o inchaço que já começava a caracterizar os meus "pés-de-sereia" abrandasse. Realmente estar permanentemente sentada e com os pés pendurados não me estavam a fazer nada bem...
Foi bastante bom poder abrandar o ritmo numa série de aspectos, poder planear tantas coisas que tinha pensadas há já algumas semanas, mas que por falta de tempo e energia ainda não conseguira pôr em prática.

Diria mesmo que me esmerei desta feita, visto que já tenho o saco de maternidade pronto há mais de uma semana, e o saco do bebé está também quase quase quase a postos. Acho que estou a redimir-me em grande da vergonha que foi na gravidez do Falipe, em que fiz o meu saco e o dele antes de sair de casa para ir para a maternidade, às 37 semanas... e já no bloco de partos é que tomei consciência de que não tinha banheira, carro ou ovo comprados...

Estes dias de calor fizeram com que tivesse sonhos idílicos com piscinas de água fresca e cristalina e sessões de massagens num qualquer spa com motivos marítimos a orlar as paredes! Além do calor, os afrontamentos começaram em força, e o meu termóstato parece uma montanha-russa... (a julgar por estes dias, nem quero imaginar o dia em que entrar na menopausa...)

Não houve piscinas nem grandes idas à praia ou ao spa, mas houve algum "esplanadar" à mistura, acompanhados de um bom livro, outra actividade que estava deixada ao abandono há algum tempo.

No entanto, nem tudo foram rosas, não... o facto de ter o companheiro "desasado" fez com que houvesse muito serviço de enfermeira. Além disso, eu que sempre fui uma grata sortuda por ter um companheiro com quem sempre dividi tarefas domésticas (todas elas!), vi-me na situação de ter que dar conta de todas as tarefas domésticas sem excepção. Se já antes bendizia a minha cara-metade por ser assim valente, agora ainda lhe dou mais valor! E vejo que ele se sente um tanto angustiado por não me poder ajudar. Mas realmente não temos mesmo a noção do quanto podemos ficar limitados, quando só temos o uso de uma mão... No entanto, ele começa a dar sinais de melhoras, ao mesmo tempo que percebe o quão atrofiado de movimentos pode ficar um braço que não se pode mexer.

Obviamente que tive algumas cautelas e fui fazendo momentos de pausa e descanso. Dormi algumas sestas valentes, que me permitiram repor energias. Isto porque tenho consciência que se quero levar esta gravidez a termo (ainda faltam 5 semanas), tenho que me auto-preservar e não andar armada em super-heroína! 

O Falipe parece ter-se acalmado um pouco mais, pelo menos em casa, depois de um fim-de-semana atribulado e marcado por castigo. O meu rapazolas é crescido e percebeu que estava a passar de algumas marcas de respeito. Na escola a coisa parece não ter melhorias, mas começo a perceber que a senhora professora terá algumas pequenas lacunas na forma de abordar maus comportamentos, e aplica sempre o mesmo castigo, sem que daí advenha algum resultado. Pelo que conversei com algumas outras mães, o mal parece ser generalizado e não apenas exclusivo do meu filho...

De resto, estou sempre permanentemente acompanhada! O meu bebé-rica está em constante movimento, qual tamborzinho que mexe no meu ventre. Os seus pés estão sempre ali ao lado do meu fígado e ele gosta de se esticar! Enquanto leio, enquanto descasco batatas para a sopa ou arrumo a roupa nos armários. É uma sensação boa mesmo, porque apesar de estar metida nos meus pensamentos, sei que ele está sempre ali comigo, nunca me deixando um minuto de solidão. Creio que aqui deve estar a génese da tristeza de qualquer mãe que vê os seus filhos crescer e sair do ninho... este sentimento de nunca mais estarmos sós que se vai esbatendo à medida que eles saem de nós, crescem, dão os primeiros passos, começam a falar, a pensar por si mesmos, a tornar-se em seres humanos perfeitamente autónomos, até ao dia em que voam do nosso ninho para fora, em busca da sua felicidade... e aquela sensação de companhia permanente fica deixada no vazio... 


9 de maio de 2014

Semanário de gravidez #15

Esta semana tem sido uma de emoções fortes.
Uma autêntica montanha russa!

Comecei a acusar o cansaço de estar permanentemente sentada no escritório e a ansiar mesmo muito por poder estar por casa, contrariamente ao que me sucedeu na primeira gravidez... estar sentada horas a fio é o equivalente a sentir as pernas e os pés a incharem a olhos vistos, como se de um balão a ser insuflado se tratasse.

Para ajudar à festa, o G. num momento de azar dá uma queda de mota e desloca um ombro... ida ao hospital para encaixar o ombro e 3 semanas de braço imobilizado. É incrível a quantidade de coisas que um ser humano não consegue fazer apenas com um braço e uma mão operacionais... das tarefas mais simples e elementares mesmo como despejar um copo de água dum garrafão ou abrir um frasco de comprimidos... Estou oficialmente destacada como enfermeira a tempo inteiro, já que a baixa médica do G. potenciou mais rapidamente a minha baixa médica por gravidez.

Apesar de ter que realizar mais esforços agora que antes do azar, confesso que o facto de me mexer mais, estar de pé mais tempo e sempre de um lado para o outro me têm ajudado a reduzir o inchaço das pernas e pés. É certo que a coluna se ressente um pouco (estar sentada também não me ajudava nada!), mas vou alternando momentos de descanso que me ajudam a aliviar.

Falipe parece estar a entrar em modo ciúme e nervoso miudinho, ou pelo menos assim o julgamos... já que esta semana já foi posto de castigo na escola por 3 ocasiões diferentes e a professora e auxiliar dizem-me que ele está muito "carente". Em casa o comportamento parece ser similar e apesar de conversarmos muito com ele para tentarmos perceber que "bicho lhe mordeu" ele esquiva-se e diz que não sabe ou "não me lembro"... e isso custa-nos como pais! Queremos perceber o que o está a incomodar, mas não estamos a conseguir fazê-lo... sabemos apenas que ele tem tendência para não nos ouvir, não respeitar o que lhe dizemos (às vezes chega mesmo a reagir rindo em tom de gozação) e é fácil de ver que anda numa de esticar a corda e tentar estabelecer novos "limites de rebeldia".

O bebé está bem e recomenda-se! Mexe-se que é uma coisa fenomenal! A minha barriga parece um verdadeiro tambor quando ele começa nas suas sessões de movimento. Continua o mesmo desenvergonhado, já que na ecografia que fizemos esta semana, a primeira coisa que deixou ver foram os tintins e a pilinha... Um descomplexado, portanto!

Vou ter uma conversinha de pé de orelha com ele, para ver se ele não decide fazer uma parecida com o irmão mais velho e vir 3 semanas antes da data prevista. É que agora, não convinha mesmo nada!

6 de maio de 2014

Dia da Minha Mãe

Fazes-me falta desde que partiste.
Fazes-me falta desde 1995.

Fizeste-me falta numa série de ocasiões importantes, momentos decisivos da minha existência, que eu queria partilhar contigo antes de o fazer com quem quer que fosse.

Às vezes parece que a falta que sinto de ti se esbate e se atenua ligeiramente, ficando no seu lugar a memória saudosa do teu rosto, das tuas mãos pequeninas de pele desgastada pelos anos de labuta no campo e depois na máquina de escrever, dos teus cabelos brancos a orlar os demais, o verde dos teus olhos. O espaço do teu colo que o meu corpo ocupava na perfeição. O calor do teu corpo e a força suave dos teus braços em volta de mim. Os teus beijos calorosos e a tua voz apaziguadora e serena. A tua eterna e infindável paciência para me aparar os ataques de mau génio e explosões de impulsividade próprias da idade e da minha personalidade "forte".

Fizeste-me tanta falta quando descobri que ia ser mãe, e mais ainda quando o fui de pleno direito. Fizeste-me falta por faltares ao meu filho, por não haver na vida dele o privilégio da tua presença. Há tanto de ti que não lhe pude ainda dizer, mas que sei que direi, porque o quero fazer e porque sei que ele vai querer saber quem era a avó Vera!

Mas fazes-me ainda mais falta agora. Agora que estou prestes a ser mãe de segunda volta. Faz-me falta a tua calma, a tua serenidade, a tua sensatez e profunda sabedoria para encontrar soluções simples. Fazes-me falta para me segurares a mão nesta etapa que sei que será doce e dura em simultâneo. Para me dizeres que está tudo bem e que tudo vai correr bem, enquanto me acaricias o rosto com as tuas mãos pequeninas.

Fazes-me falta agora mais que nunca por faltares aos meus filhos, aos meus meninos, pela ausência da tua presença luminosa na vida deles.


E enquanto eu só quero recordar-te num misto de felicidade por ser mãe plena e de saudosa dor por não te poder abraçar, ficando no meu espaço vital, há quem seja egoísta e hipócrita e queira celebrações à sua vontadinha, sob o argumento de agradar à sua mãe, aquela que nos restantes dias do ano maltratam psicologicamente com uma violência que me afecta. Cai-me mal, e a mãe não é minha! E eu decido fazer birra... e enquanto vou lambendo as minhas feridas, decido que não quero gramar fretes nem ir a almoços com gente que não sabe honrar a mãe que ainda têm.

2 de maio de 2014

Semanário de gravidez #14

Finalmente, o São Pedro parece ter-se acalmado na sua esquizofrenia climatérica, e agora que veio aquele calor primaveril que eu aprecio cada vez mais, não há maior alegria para mim do que mandar as meias e collants à fava e andar a xinelar por aí de perna ao léu, na vã tentativa de me abstrair do facto de que tenho os pés meio inchados, os tornozelos mais roliços e que as pernas se queixam da circulação esforçada em que se encontram...

Ah a falta que umas agulhas de acupuntura me fazem para combater estes problemas de circulação e retenção severa de líquidos!

Vale-me de pouco, mas sempre ajuda os borrifos frescos do Pedi-Relax, esse spray que descobri na primeira gravidez, nos dias que passei em Barcelona.

A barriga está proeminente e é incrível a capacidade de improviso e desenrascanço que uma pessoa consegue desenvolver quando precisa de se agachar, chegar aos pés e luta com dificuldade, porque tem uma pança grande e um bebé rezingão que ao sinal do mais pequeno aperto, reclama logo lá de dentro!

Perante a dificuldade, contorna-se a barriga de lado, ou como for possível para se descalçar sapatos, ou atar os cordões dos ténis... obviamente, porque somos demasiado orgulhosas para estar a reconhecer que mais tarde ou mais cedo estaremos em modo pata-choca e precisaremos de recorrer a terceiros para fazer coisas elementares como apertar fivelas em sandálias (se calhar mais vale arranjar umas que sejam fivelas-free...) ou simplesmente ajudar a tratar dos cuidados mais básicos de pedicure...

Abriu a época das frutas frescas, deliciosas e sumarentas que me dão um prazer e saciedade tremendo. Pena que isso signifique que durante a noite, em vez de me levantar para verter águas uma ou duas vezes, tenha que o fazer quatro, cinco, quando não são seis...

O rapazolas é um destemido e está mais que visto que não aprecia minimamente que eu passe dias sentada, quer é que eu ande na retoiça de um lado para o outro... se me sento muitas horas, vá de se esticar e dar pontapés e esmurrar-me como que a dizer: "vamos lá mazé mexer que isto de estar parado não tem graça nenhuma!"...

1 de maio de 2014

Falipices #72 - lá em casa tudo bem

Fui buscar Falipe ao ATL e assim que lhe pergunto se correu tudo bem na escola da pré, ele desata a desbobinar tudo o que esteve a fazer a propósito do dia da mãe que se avizinha: o que desenhou, o meu nome que escreveu direitinho (o que não se afigura tarefa fácil, mas ele sabe fazer para meu enorme orgulho! baba... muita baba!), as lembranças que fez para me presentear.
Um desbocado este meu filho  que não sabe guardar segredo, para a surpresa que se impunha, creio eu...

Nisto, sem que eu percebesse muito bem como é que a conversa tomou este rumo, ele sai-se com esta tirada que me deixou ainda mais babada e orgulhosa deste meu doce menino de cinco anos:

- Mãe, lá em casa, não és só tu que tu que fazes tudo. O papá também faz muitas coisas!

É tão bom saber que ele percebe que em nossa casa, eu e o pai repartimos tarefas. Que nos revezamos nas coisas que têm que ser feitas, desde cozinhar refeições à faxina, a tratar de roupa e loiça. Fiquei mesmo feliz por perceber que ele tem perspicácia suficiente para ver que em nossa casa não existem  tarefas exclusivas do pai ou da mãe, sem que nós tenhamos que estar a dizer-lhe ou a explicar-lhe.
É bom saber que ele percebeu por si mesmo o exemplo que nós lhe damos, numa base diária.

Que melhor prenda de dia da mãe podia eu desejar?!