Desde as férias que lá por casa reduzimos drasticamente o consumo de televisão, já aqui tinha dito isto...
Entretanto, parece que as séries que eu seguia religiosamente começaram todas novas temporadas, assim em catadupa. Uma delas, só me apercebi do facto quando já ia no 3.º episódio. Mas mantive-me firme no meu objectivo de não me postar vegetativamente em frente ao caixote que debita imagem e som.
Para não ficar a remoer-me por estar a "desacompanhar" as minhas séries de eleição, nada como programar a box para gravar todos os episódios. Num dia da semana à escolha, tiro umas horas e vejo todos de seguidinha.
O que eu ganhei em serenidade, paz de espírito e em avanços nos meus projectos de artes manuais não têm preço!
Não vejo telejornais, o que não significa que esteja completamente a leste do que se passa no país e no mundo. Mas não tenho que levar injecções de conjecturas, bitaites e opiniões dos mais variados quadrantes sobre uma mesma notícia que por vezes nem tem categoria suficiente para se poder chamar notícia... desde o casal maravilha que lava a roupa-suja em praça pública, os meninos da bola que ficaram todos ofendidos, as propostas de leis que afinal nem são bem assim... acabam por ser um ruído de fundo, que não contribuem para o desgaste dos meus tímpanos.
Até prefiro ver os desenhos animados que o meu filho aprecia, e fico-lhe grata por dar preferência a bonecadas que lhe ensinam alguma coisa de interessante. De há dois meses para cá, passei a saber no que consiste a alimentação dos papa-léguas e outros animais, o que é um pizzicato, um moderato e um adagio e já começo a saber quem são os autores de determinada obra de arte ou música clássica!
Mas o melhor de tudo, é mesmo o silêncio! Aquele que impera na minha casa quando o Falipe vai dormir e eu posso sentar-me no sofá e simplesmente apreciar a beleza do silêncio! Ou apenas o tic-tic-tic das agulhas de tricot ou o sussurrar da lã a ser crochetada entre os meus dedos...
O G. diz que pareço uma "velhota"... mas eu não me importo. Se ser velhota significa que me sinto serena e em paz, pois que assim seja!
31 de outubro de 2013
29 de outubro de 2013
Falipices #57 - olhó robot
Depois do banho, enquanto o barrava com creme para pele atópica, tivémos esta conversa, na qual o Falipe decidiu que era um robot...
-Vá filho, vira-te para eu pôr creme nas costas.
- Mãe, tens que carregar neste botão que tenho aqui na barriga.
Lá carrego no botão imaginário que ele me indicou.
- Vzzzzeeeettt - faz ele enquanto se vira.
Entretanto, peço para esticar os pés, para pôr pó de talco e mais uma vez, a resposta é que tenho que carregar noutro botão, que pressiono fingindo que o vejo.
Quando chega a altura de pentear, Falipe faz o seu número habitual de não parar com a cabeça quieta nem dois segundos.
À laia de desabafo digo para mim mesma baixinho: eu queria tanto que parasses de mexer a cabeça, para eu te pentear...
Ele exclama muito firme:
- Mãe, este é o botão para eu ficar quieto!
- A sério?! Esse botão é que é mesmo muito importante para mim, para eu poder usar mais vezes! Tens que me explicar onde fica mesmo!
Ele responde com ar resignado:
- Pois, mãe, mas está avariado...
- Eu vi logo! Só podia mesmo estar avariado...
- Olha mãe, e aqui deste lado da barriga há mais dois botões... um para os abraços e outro para os beijinhos! Carrega, mãe, carrega!
Está claro que carreguei!
Pena realmente é aquele botão do "estar quieto" estar sempre fora de serviço...
-Vá filho, vira-te para eu pôr creme nas costas.
- Mãe, tens que carregar neste botão que tenho aqui na barriga.
Lá carrego no botão imaginário que ele me indicou.
- Vzzzzeeeettt - faz ele enquanto se vira.
Entretanto, peço para esticar os pés, para pôr pó de talco e mais uma vez, a resposta é que tenho que carregar noutro botão, que pressiono fingindo que o vejo.
Quando chega a altura de pentear, Falipe faz o seu número habitual de não parar com a cabeça quieta nem dois segundos.
À laia de desabafo digo para mim mesma baixinho: eu queria tanto que parasses de mexer a cabeça, para eu te pentear...
Ele exclama muito firme:
- Mãe, este é o botão para eu ficar quieto!
- A sério?! Esse botão é que é mesmo muito importante para mim, para eu poder usar mais vezes! Tens que me explicar onde fica mesmo!
Ele responde com ar resignado:
- Pois, mãe, mas está avariado...
- Eu vi logo! Só podia mesmo estar avariado...
- Olha mãe, e aqui deste lado da barriga há mais dois botões... um para os abraços e outro para os beijinhos! Carrega, mãe, carrega!
Está claro que carreguei!
Pena realmente é aquele botão do "estar quieto" estar sempre fora de serviço...
28 de outubro de 2013
Adeus, Mrs. Edna Krabappel
Desde que existem que vejo os Simpsons! (será correcto dizer que já os sigo há duas décadas??!!...)
Continuo ainda hoje a ver, e as piadas e as críticas sociais continuam duma actualidade fantástica.
O Falipe já vê desde pequeno, connosco à hora de jantar.
Já conhece a família toda e muitas vezes chama ao pai "Homer" e diz-se "Bart".
Consegue entender a piada do Homer a estrangular o Bart e sabe que a Maggie anda sempre de chupeta na boca.
Foi por isso, que hoje senti alguma tristeza ao saber que morreu a Marcia Wallace, nome que vi sempre na lista do elenco e que era a voz por detrás da Mrs. Krabappel.
26 de outubro de 2013
Só quem conhece dá o valor devido!
Ah, se o meu pai fosse vivo, ia ficar tão feliz por ver a terra dele ser assim tão "badalada" e elogiada!!
Só tenho pena de nunca me ter cruzado com o Paulo Pires nestas bandas...
25 de outubro de 2013
O fascínio pela cabana
Pelos vistos continua... mesmo depois de ela ter desabado.
Mas estava lá este corvo marinho empoleirado e eu não resisti!
Mas estava lá este corvo marinho empoleirado e eu não resisti!
23 de outubro de 2013
Falipices #56 - auto-estima
Uma tarde, na brincadeira com o Falipe e no seguimento de muitas garatujas meigas dele comigo, digo-lhe:
- Sabes que gosto de ti?!
Ele, que nesta altura, já estava com um "olho no burro e outro no cigano", a começar a hipnotizar-se com os desenhos animados, responde-me apenas:
- Gosto...
Eu pergunto-lhe:
- Gosta de quem? De mim ou de ti?
Resposta:
- De mim!!!
É isso mesmo, filho!!
- Sabes que gosto de ti?!
Ele, que nesta altura, já estava com um "olho no burro e outro no cigano", a começar a hipnotizar-se com os desenhos animados, responde-me apenas:
- Gosto...
Eu pergunto-lhe:
- Gosta de quem? De mim ou de ti?
Resposta:
- De mim!!!
É isso mesmo, filho!!
22 de outubro de 2013
Pelos caminhos de... Moura
Depois de Serpa, rumámos a Moura.
Por entre campos de oliveiras carregadas de azeitonas (umas maçanilhas outras de outra estirpe), os campos alentejanos a oferecer um festim visual a quem por ali passa.
Não pudemos explorar Moura como teríamos gostado, porque o tempo era escasso e o sol já ia a querer pôr-se, mas pude perceber que Moura é capaz de ser ainda mais castiça que Serpa.
É igualmente pitoresca e mais uma vez as ruas todas aprumadinhas.
Um encanto!
Só tive pena que o Convento das Dominicanas, no interior do Castelo, esteja em ruínas... mas é de louvar o esforço bem presente de tentar recuperar o património existente.
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| Convento das Dominicanas |
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| Painel de azulejo nas ruínas do Convento das Dominicanas |
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| Segunda Rua da Mouraria |
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| O Palácio Gordillo é que dá pena estar neste estado... mas pelo que vi, já está planeada a intervenção para restaurar. |
21 de outubro de 2013
Pelas ruas lindas de Serpa
Gostei muito!
Ao
contrário de boa parte das cidades algarvias, por aqui preserva-se,
recupera-se e conserva-se! Mantém-se a identidade arquitectónica da
região.
As fachadas das
casas são cada uma mais bonita, "limpinha" e arranjadinha que a
anterior. Dá gosto andar por ruas assim! Gostei muito, muito pitoresco e
agradável e a revelar aquela calmaria de uma terra alentejana por
natureza!
Eu que cada vez gosto mais de casinhas térreas, apaixonei-me pelas portas e janelas. Nota-se muito?!
18 de outubro de 2013
Poesia de rua
Pelo meu aniversário andei por Serpa...
Numa daquelas ruelas estreitas, empedradas, limpas e lindas, características da zona histórica, encontrei esta poesia.
Adoro dar com estes pormenores dispersos!
Numa daquelas ruelas estreitas, empedradas, limpas e lindas, características da zona histórica, encontrei esta poesia.
Adoro dar com estes pormenores dispersos!
17 de outubro de 2013
Baú da felicidade #17
Numa manhã de domingo, Falipe decide que quer desligar a televisão e fazer um desenho (fico tão feliz quando ele toma estas decisões de livre iniciativa!).
Começou por desenhar a lápis de carvão.
À medida que me ia explicando que estava a desenhar uma casa, contou-me que era uma casa de tijolos.
Depois, disse-me que era a casa dos 3 Porquinhos, mas não era a casa de palha nem a de madeira, não, não, nada disso!
Perguntei-lhe porque não desenhava os 3 Porquinhos e ele respondeu-me que não conseguia, "porque o Falipe não é capaz..."
Eu respondi com uma pergunta:
- Já tentaste?!
Ele não me deu grande resposta... e enquanto eu estava entretida a arrumar umas coisas, ele seguiu desenhando. Quando dei por mim, já ele tinha passado à fase de colorir os desenhos que fizera com lápis de carvão.
Quando vi o desenho todo completo, fiquei emocionada e totalmente babada! Não só porque acho que o desenho está giríssimo, mas porque me apercebi que ele pelo menos tentou desenhar os 3 Porquinhos, mas antes disso, desenhou o Lobo Mau, que a meu ver de mãe-naba-do-desenho, está mesmo muito bem feito!
Começou por desenhar a lápis de carvão.
À medida que me ia explicando que estava a desenhar uma casa, contou-me que era uma casa de tijolos.
Depois, disse-me que era a casa dos 3 Porquinhos, mas não era a casa de palha nem a de madeira, não, não, nada disso!
Perguntei-lhe porque não desenhava os 3 Porquinhos e ele respondeu-me que não conseguia, "porque o Falipe não é capaz..."
Eu respondi com uma pergunta:
- Já tentaste?!
Ele não me deu grande resposta... e enquanto eu estava entretida a arrumar umas coisas, ele seguiu desenhando. Quando dei por mim, já ele tinha passado à fase de colorir os desenhos que fizera com lápis de carvão.
Quando vi o desenho todo completo, fiquei emocionada e totalmente babada! Não só porque acho que o desenho está giríssimo, mas porque me apercebi que ele pelo menos tentou desenhar os 3 Porquinhos, mas antes disso, desenhou o Lobo Mau, que a meu ver de mãe-naba-do-desenho, está mesmo muito bem feito!
16 de outubro de 2013
Acção popular
Por mais que me esforce, por mais que tente ignorar, por mais que me empenhe em desligar a bobine, fazer ouvidos moucos, cega-surda-muda-burra...
Não consigo!
Não quero pensar, recuso-me para bem da minha sanidade mental... quando chegar logo ficarei a hiperventilar, a raiar um ataque de pânico ansioso... a respirar forçadamente para dentro de um saco de papel pardo, tentando conter o vómito que tudo isto me provoca!
Penso em muitos cenários possíveis, e todos eles envolvem alguma forma de violência, com sovas de meia-noite e quiçá alguns laivos de tortura maléfica...
Mas isso seria seguir um caminho demasiado baixo. E eu recuso-me a descer ao nível deles!
Será que não há qualquer possibilidade de meter uma acção popular ao Ministério Público, para que todo este executivo seja julgado e punido exemplarmente por crimes de Terrorismo Social?!
Porque não me venham dizer que não é isso que tem sido praticado sucessiva e crescentemente... terrorismo social!
Quem me rouba (e aos demais) toda e qualquer réstia de esperança no futuro e mesmo assim não se dá por satisfeito e ainda quer vir tirar o que resta da minha dignidade (e da de todos neste país), da forma descarada como o faz, só tem um nome: terrorista!
Estes não precisam de explosivos nem de de armas de fogo, usam as leis e os orçamentozinhos rectificativos que eles congeminam nas suas panelas de bruxos de magia negra, e depois chapam na comunicação social com um sorriso sádico e displicente, qual imperador feliz por abrir as jaulas dos leões famintos na arena, para devorar os pobres escravos indefesos!
Não consigo!
Não quero pensar, recuso-me para bem da minha sanidade mental... quando chegar logo ficarei a hiperventilar, a raiar um ataque de pânico ansioso... a respirar forçadamente para dentro de um saco de papel pardo, tentando conter o vómito que tudo isto me provoca!
Penso em muitos cenários possíveis, e todos eles envolvem alguma forma de violência, com sovas de meia-noite e quiçá alguns laivos de tortura maléfica...
Mas isso seria seguir um caminho demasiado baixo. E eu recuso-me a descer ao nível deles!
Será que não há qualquer possibilidade de meter uma acção popular ao Ministério Público, para que todo este executivo seja julgado e punido exemplarmente por crimes de Terrorismo Social?!
Porque não me venham dizer que não é isso que tem sido praticado sucessiva e crescentemente... terrorismo social!
Quem me rouba (e aos demais) toda e qualquer réstia de esperança no futuro e mesmo assim não se dá por satisfeito e ainda quer vir tirar o que resta da minha dignidade (e da de todos neste país), da forma descarada como o faz, só tem um nome: terrorista!
Estes não precisam de explosivos nem de de armas de fogo, usam as leis e os orçamentozinhos rectificativos que eles congeminam nas suas panelas de bruxos de magia negra, e depois chapam na comunicação social com um sorriso sádico e displicente, qual imperador feliz por abrir as jaulas dos leões famintos na arena, para devorar os pobres escravos indefesos!
15 de outubro de 2013
Coração cheio
Não tenho palavras que descrevam apropriadamente a emoção que senti ao ler todos os comentários que me foram deixando no post anterior...
Senti o carinho que todos encerram e por tudo isso, sinto-me profundamente grata!
Muito obrigada a todos, pelas vossas palavras e felicitações.
Sois demasiado gentis!
Senti o carinho que todos encerram e por tudo isso, sinto-me profundamente grata!
Muito obrigada a todos, pelas vossas palavras e felicitações.
Sois demasiado gentis!
14 de outubro de 2013
O grande 35
No ido ano de 1978, pelas 22h10 nascia no Hospital Distrital da cidade uma menina, 5 minutos depois de um rapaz e 10 minutos antes de dois outros rapazes.
Ela era esguia e levezinha. Dormiu a santa noite embalada pelo choro incessante dos outros três meninos...
Ela foi a maior alegria da vida da sua mãe e o pai não cabia em si de contente!
Não herdou o nome de sua avó Alzira, mas recebeu um nome invulgar, dizem que de origem aristocrática, já que os trovadores lhes (às damas) dedicavam trovas e canções de amor!
Cresceu rebelde, travessurenta e meiga. Viveu o bom da cidade e conheceu o melhor da vida no campo! Soube o que era viver numa casa onde as paredes eram de taipa caiadas, chão de terra que tinha que ser "ogado" e não havia electricidade ou água canalizada.
Sempre com os seus óculos por companhia... desde os 3 anos de idade. Até aos 16, quando passou por dois anos de revolta... e recusa em usar óculos!
Fascinada pelo seu avô materno, respingava com a avó paterna, que lhe estava sempre a ralhar, e a quem ela levantava a mão em sinal de intenção de dar uma palmada...
Foi uma adolescente tímida, bem comportada, segunda melhor aluna da turma, que lhe valeu a alcunha de marrona com elevada aptidão para a língua estrangeira e para a disciplina de História, mas vocação quase nula para a educação física, com excepção do serviço no voleibol e o guardar das redes no andebol. Correr e saltar em altura ou comprimento não eram com ela e fazia quase invariavelmente má figura...
Dos 13 aos 16 anos viveu juntamente com o seu pai o inferno drama pelo qual a sua mãe passou, por sofrer de cancro de mama, quimioterapia, mastectomia total e radioterapia com tudo o que isso implicou...
No último dia de escola do seu 11.º ano viu a sua mãe partir finalmente, após 4 meses a definhar agonizantemente, apesar das doses cavalares de morfina e comprimidos para dormir.
Viu o pai enclausurar-se em sofrimento por ter perdido a sua grande e eterna companheira e decidiu naquele momento que iria procurar consolo na praia da Arrifana e afastar a tristeza da falta da sua mãe, ocupando-se a trabalhar a servir à mesa no restaurante propriedade da sua prima.
Viu o pai enclausurar-se em sofrimento por ter perdido a sua grande e eterna companheira e decidiu naquele momento que iria procurar consolo na praia da Arrifana e afastar a tristeza da falta da sua mãe, ocupando-se a trabalhar a servir à mesa no restaurante propriedade da sua prima.
Preparou-se para concretizar o sonho que a sua mãe tinha para si, e um mês antes de completar os 18 anos, começou as aulas na universidade, a 500 km de casa. Deixou-se da timidez e decidiu abraçar o seu lado de algarvia marafada, extrovertida, bem disposta e de gargalhada fácil e sonora!
Completou a licenciatura com notas medianas, a contrastar com os habituais 17/18 na pauta dos tempos do secundário. Mas nesses quatro anos e meio em que foi estudante do ensino superior sentiu que cresceu dez ou cem tamanhos em horizontes, no abandonar de preconceitos e na aceitação dos outros e na tolerância perante opiniões diferentes das suas! Faz amigos para o resto da vida!
Pouco depois dos 22 anos defendeu a tese de licenciatura sobre o conflito israelo-árabe com nota final de 15, da qual muito se orgulha.
Chega a ingressar em mestrado na mesma área de licenciatura, o que a traz à capital. Após cinco meses de agonizante lavagem ao cérebro durante as aulas, praticada por docentes claramente de ideologia de extrema centro direita, regressa à terra natal para ter um qualquer emprego que lhe dê sustento, porque trabalhar na sua área académica só de borla e por se sentir como cordeiro para a matança todos os dias que entrava num qualquer transporte público.
Após dois anos de trabalhos precários, e farta de se sentir imprestável, frustrada e um parasita da sociedade, decide que é melhor pegar no "canudo" e metê-lo na gaveta e ir fazer formação profissional que lhe permita a empregabilidade e que faça com que ouça constantemente nas entrevistas de emprego que tem habilitações literárias a mais, mas que lhe falta experiência profissional.
Após uma especialização em SHST, vai trabalhar para as "obras" e aprende (novamente!) que os mais educados não são os que têm maior grau académico. Convive profissionalmente com pessoas dos mais diversos quadrantes e mais diversas nacionalidades e sente-se realizada profissionalmente, apesar de sentir na pele um latente desprezo de engenheiros por "doutores"... logo ela, que nunca mediu as pessoas pelo título académico que precede o nome de cada um! Ganha estaleca, e conquista algum respeito entre os seus colegas de trabalho que por vezes se esquecem que ela é mulher, coisa que ela até agradece! Obstinada e teimosa, por gostar de levar a sua avante e não se calar quando tem algo engasgatado, ganha a alcunha de "furacão".
Aos 22 anos conhece aquele que escolheu para seu companheiro e aos 27 anos amantizam-se, segundo palavras de seu pai.
Após um jantar de Consoada e abertura da prendas, é mãe aos 30 anos, no dia 25 de Dezembro, dum menino doce e lindo. Abranda no mau feitio, porque a maternidade lhe trouxe nova perspectiva sobre a vida, fazendo-lhe ver que afinal a realização profissional não é de todo o mais importante, mas sim um meio para atingir um fim: pagar contas!
Por essa altura decide começar um blog, que lhe permite conhecer pessoas fantásticas e com quem sente que se enriqueceu pessoal e culturalmente!
Pouco depois dos 31 vive o drama de ter o seu pai internado na capital com um tumor cerebral, ficando em coma durante quase dois meses, na sequência da cirurgia para o remover.
Antes do seu filho completar um ano, fica irremediavelmente orfã de pais e quase sem vestígios dos seus antepassados. Mas é herdeira de património...
Aos 32 muda de emprego e larga as "obras" que já lhe tinham trazido tanto desgaste, cabelo branco e aversão a condições climatéricas extremas.
Por essa altura, ganha interesse por artes e lavores e descobre que ainda sabe fazer crochet e costurar à máquina. Nessa altura aprende finalmente a tricotar. Por conta disso, abre um outro blog, orientado para as artes manuais e conhece mais pessoas fantásticas e aprende imenso.
Vive uma vida rotineira, paga contas, paga impostos de monta, sente a crise na pele como qualquer português.
Completa 35 anos neste dia, na companhia do seu companheiro e do seu filho, que são a sua família amada!
![]() |
| tirado de www.weheartit.com |
11 de outubro de 2013
Dizem por aí que a malta se divide pelo local onde escolhe sentar para comer... (post altamente inspirado na Gralha)
Pois eu cá discordo! Eu não disse que era do contra?!
Não vejo onde esteja a divisão...
Até pode muito bem ser que se deva ao facto de me sentir um híbrido nesta matéria.
Senão vejamos:
Na casa dos meus pais, era na cozinha que todas as refeições era feitas. Sem excepção! As únicas alturas em que se almoçava ou jantava na sala, era porque eram dias especiais e recebíamos a visita de familiares ou amigos. Então na casa dos meus avós, a sala (mais conhecida como "a casa de fora") só servia de salão de refeições também em ocasiões especiais (leia-se no verão quando todos vinham de férias, fazer visita!) e por alturas das matanças de porco, em que a mesa da sala era um buffet rústico de fazer inveja a muita casa fidalga!
Eu cresci a tomar refeições na cozinha, sítio amplo por sinal. Dava particular jeito poder depositar o prato da sopa acabada de engolir directamente no lava-louças, ficando de imediato a mesa desimpedida de pratame sujo. Meter a mão no frigorífico para tirar qualquer item que caíra no esquecimento era fácil e podia fazer-se sem levantar o real traseiro da cadeira!
Quando procurei casa para mim, inconscientemente risquei da lista de possibilidades todos os apartamentos que vi cuja cozinha fosse um verdadeiro corredor ou mais parecido com um espaço de arrumos. Porque mesmo que eu só tenha adquirido a mesa da cozinha quase decorridos 4 anos de vida em comum, não se metia na minha moleira que na minha cozinha não houvesse espaço para me sentar a comer.
O facto é que nesses 4 anos de vida de casal, tomar todas as refeições na mesa de jantar da sala tornou-se regra. Com a televisão ligada... situação que nos encontramos actualmente a corrigir condignamente!
Assim que tive mesa na cozinha, os meus pequenos almoços de fim de semana passaram a ser feitos ali. Coincidência ou não, saboreio melhor o croissant e o café sentada à mesa de cozinha do que na sala... até o meu filho parece preferir este espaço para comer nas manhãs de sábado e domingo.
Por estes dias, depois da experiência de férias, a jantar na mesa da cozinha da casa de campo, o marido habituado a comer na sala entendeu que era boa ideia passarmos a fazer as refeições ora na sala ora na cozinha, conforme o feeling do momento, mas finalmente confessou que se sente mais "aconchegado" na cozinha!
Por estas e por outras é que eu digo que sou um híbrido...
Alta competição infantil
Não querendo meter a foice em seara alheia, nem mandar postas de
pescada sobre a forma como cada um decide educar o seu filho e sobre o
que entende ser o melhor para eles...
Mas juro que se me dá uma urticária malina e me assola um tique de nervoso nas pestanas do canto do meu olho esquerdo sempre que ouço mães de meninos e meninas da idade do meu filho (4/5 anos) a afirmar convictas que querem que os seus filhos pratiquem desporto de alta competição...
Subconscientemente, sou levada a pensar que na base deste desejo deve residir alguma frustração mal canalizada ou um sonho qualquer que se lhes ficou por concretizar... mas isto deve ser só o lado mais preconceituoso do meu cérebro que sai da jaula por uns segundos! Ou então, é mesmo só a minha veia preguiçosa, pouco desportiva e nada propensa ao exercício físico regular...
Acredito que os pais queiram o melhor para os seus filhos, certamente! No entanto, tenho algumas dificuldades em compreender que queiram que os seus filhos, com apenas 4 anos, se submetam a treinos fisicamente intensos, vários dias por semana (incluindo sábados) durante mais de 2 horas cada treino.
Não duvido que haja crianças que adoram isto e que isso as faz felizes, por terem apetência para a coisa... afinal de contas há tanto atleta de alta competição que começou assim mesmo, nestas idades...
Mas confesso que este tema me provoca alguns calafrios no pensamento, porque acho que crianças desta idade devem fazer exercício físico regular, sim... mas como divertimento, como brincadeira, como forma de extravasar as suas imensas energias. O desporto deve ser lúdico e não uma corrida para chegar às medalhas em tão tenra idade. E muito menos para saciar uma qualquer sede dos paizinhos...
Mas juro que se me dá uma urticária malina e me assola um tique de nervoso nas pestanas do canto do meu olho esquerdo sempre que ouço mães de meninos e meninas da idade do meu filho (4/5 anos) a afirmar convictas que querem que os seus filhos pratiquem desporto de alta competição...
Subconscientemente, sou levada a pensar que na base deste desejo deve residir alguma frustração mal canalizada ou um sonho qualquer que se lhes ficou por concretizar... mas isto deve ser só o lado mais preconceituoso do meu cérebro que sai da jaula por uns segundos! Ou então, é mesmo só a minha veia preguiçosa, pouco desportiva e nada propensa ao exercício físico regular...
Acredito que os pais queiram o melhor para os seus filhos, certamente! No entanto, tenho algumas dificuldades em compreender que queiram que os seus filhos, com apenas 4 anos, se submetam a treinos fisicamente intensos, vários dias por semana (incluindo sábados) durante mais de 2 horas cada treino.
Não duvido que haja crianças que adoram isto e que isso as faz felizes, por terem apetência para a coisa... afinal de contas há tanto atleta de alta competição que começou assim mesmo, nestas idades...
Mas confesso que este tema me provoca alguns calafrios no pensamento, porque acho que crianças desta idade devem fazer exercício físico regular, sim... mas como divertimento, como brincadeira, como forma de extravasar as suas imensas energias. O desporto deve ser lúdico e não uma corrida para chegar às medalhas em tão tenra idade. E muito menos para saciar uma qualquer sede dos paizinhos...
9 de outubro de 2013
Eles quemerem tude e nã dêxarem (quase) nada!....
Os meus pimenteiros são já serôdios, eu sei...
Mas estavam lindos e eu cheia de orgulho!
Até que umas lagartas comilonas, auxiliadas por uns caracóis esfomeados se atiraram a eles e à minha nabiça viçosa e deixaram isto assim...
Por isso, segui o conselho da Dora e fui buscar este livro, que mais não seja por carolice... mas já vi que me vai ser bastante útil!
Mas estavam lindos e eu cheia de orgulho!
Até que umas lagartas comilonas, auxiliadas por uns caracóis esfomeados se atiraram a eles e à minha nabiça viçosa e deixaram isto assim...
Por isso, segui o conselho da Dora e fui buscar este livro, que mais não seja por carolice... mas já vi que me vai ser bastante útil!
8 de outubro de 2013
Viver no presente
Nunca ouvi tanto este chavão como nos últimos meses, em que todos parecem apontar esta tirada como a solução para sermos felizes nos dias que correm....
Realmente, a velocidade imposta pela sociedade da informação, pelos avanços tecnológicos que se sucedem a uma rapidez quase estonteante, pelas milhentas redes sociais e o crescente FOMO associado, fazem com que sejamos cada vez menos capazes de simplesmente estar parados, a apreciar boa companhia, reduziu o convívio físico, o estar juntos fisicamente, presentes no mesmo local a viver as mesmas coisas.
Eu culpada me confesso, que me deixei levar por tudo isto... longe vai o tempo em que eu escolhia a minha banda sonora e apreciava a beleza de tantos momentos, tinha uma vida social activa que passava exclusivamente por combinar encontros com amigos e familiares.
Por me sentir assoberbada com tudo isto, decidi que nas minhas férias, além de ir para o meu paraíso pessoal, ia tentar desligar-me o máximo possível de redes sociais e também da televisão.
Senti-me bem! Senti-me mesmo muito bem!
Dei por mim a reparar em coisas que de outra forma não poria a atenção. E a apreciá-las!
Dei por mim a sorrir perante uma cena caricata no café da vila, onde quatro amigos, todos na casa dos vinte estavam sentados a tomar o pequeno almoço e todos sem excepção teclavam ou num smartphone ou num tablet. Calculo que estivessem a conversar entre si, mas sem abrir a boca, só a teclarem num écran... só não tirei uma foto por pura vergonha!
Nessas férias, comemos sempre juntos à mesa, a conversar uns com os outros. Praticamente só vimos programas culturais na RTP2. As saudades que eu tinha que ver este canal...! E o que aprendi sobre grandes nomes da escrita portuguesa?! Muito enriquecedor!
Imbuídos do espírito das férias, decidimos que iríamos dosear as quantidades de consumo de televisão, de computador e redes sociais.
Sinceramente tenho-me sentido muito mais em paz com esse facto!
Presto mais atenção aos pormenores, converso mais sobre assuntos que realmente importam e poupo o meu sistema nervoso central ao relambório da nossa política e sociedade, que me parecem andar pelas ruas da amargura...
Efectivamente, quer-me parecer que decidi "viver no presente" (nunca cuspas pró ar) e não estou nada insatisfeita com esta solução... se resolveu os meus problemas todos?! Certamente que não! Mas que me trouxe alguma serenidade que andava perdida, lá isso trouxe!
7 de outubro de 2013
4 de outubro de 2013
Projecto Amélie
Na semana passada, ao entrar num dos wc do meu local de trabalho encontrei esta mensagem colada ao espelho, em letras pequenas (a perspectiva da fotografia dá a ideia de que era um cartaz).
Era um dia nublado e eu estava um pouco imbuída da sensação de cinzentismo transmitida pelo clima.
Esta mensagem anónima fez-me sorrir e sentir-me melhor instantaneamente.
Fiquei depois a saber que partiu de alguém que decidiu aderir ao movimento lançado pelo Projecto Amélie.
Se quiserem podem ver melhor na página do Facebook.
Eu gostei muito do gesto!
Já ouvi dizer que vão promover mais acções destas. Estou curiosa para ver...!
2 de outubro de 2013
Do contra e de como a história se repete
Ouvia muitas vezes a minha mãe, esse poço de paciência e calma, dizer que eu "era do contra"!
Apesar de ter sido uma criança dócil e meiga (cof, cof... é o que todos na família dizem, e eu acredito!!) sempre fui voluntariosa e impulsiva, já para não falar da enorme teimosia em levar a minha avante!
Esta característica granjeou-me a alcunha de "furacão" na vida profissional, e fui muitas vezes apontada por ter um "feitio especial"... para serem polidos e delicados e não me chamarem de mau feitio.
Posto isto, dou por mim a descobrir no menino Falipe uma série de paralelos. Não querendo projectar nele as minhas características pesssoais, é um facto que ele é voluntarioso, teimoso e gosta mesmo muito pouco de ser contrariado.
Nas últimas semanas, tem sido uma constante estarmos os dois (com o pai igualmente) em extremos opostos de vontades, e apercebo-me que qualquer coisa que lhe peça ou que diga, as respostas costumam ser invariavelmente um "não!" e principalmente um "não quero!"... palavras que parecem estar sempre prontas a ser cuspidas em resposta a qualquer pergunta ou pedido que lhe façamos!
As refeições tornaram-se ansiosas, enervantes e carregadas de stress e frustração, num jogo absoluto de choque de vontades e de negociação, para ver se o convencemos a comer.
O vestir não é menos pacífico, com ele a inventar argumentos para não envergar um determinada camisola ou um certo par de calças.
O facto de em tempos ter sido assim, faz-me em algumas ocasiões ser mais branda, mas não posso deixá-lo levar sempre a sua vontade a bom porto, porque ao longo da vida, vamos ter muitos dissabores por não sabermos aceitar uma derrota ou uma contrariedade!
Se por um lado sei de onde lhe vem esta veia de menino carregado de vontades, também sei que terei que educá-lo para que aprenda que nem sempre as coisas correm de feição e de acordo com aquilo que queremos...
Está visto que os contras são uma herança genética...
1 de outubro de 2013
Apelo aos candidatos às autarquias deste país
Agora que já sabem quem ganhou, quem perdeu, quem acha que ganhou mesmo tendo perdido, juntem-se lá todos e descerrem todas as faixas com slogans mais ou menos inventivos.
Removam todos os placards que espalharam como ervas daninhas pelos concelhos e freguesias, unidas ou não, levantando pedras de calçada, abatendo árvores e cartazes que enfeitam postes de iluminação.
Se realmente estavam cheios de preocupação e zelo pelo munícipio que pretendiam governar, contribuam activamente e removam toda a poluição visual com que inundaram ruas e avenidas, sim?!
Ah... se eu mandasse, legislava que cada candidato só poderia ter um cartaz de campanha no concelho inteiro. Cada um escolhia o seu spot num mesmo local e assim, só se poluía um espaço confinado!
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