30 de agosto de 2012

Contagem decrescente #2


Haverá tempo para estar pacificamente com os pés dentro de água. se o pequenote nos deixar estar sossegados mais do que dez minutos...
Não importa se é doce ou salgada.
Importa que seja limpa e refrescante!

E ao final do dia apreciar o sol a "ir dumir", como diz o Falipe.


29 de agosto de 2012

Falipices #23 - Spider Man das limpezas

Na final da semana passada, dissemos ao Falipe que lhe íamos comprar-lhe uns chinelos para ele andar por casa, para não andar sempre descalço no chão frio.

Ficou todo entusiasmado e como ainda não tinhamos ido comprar-lhe os ditos, no sábado de manhã pergunta-me:

- Mamã, queres ir à loja comprar umas sapatilhas para mim? 
(não me perguntem a razão, mas acho que ele pensa que sapatos e chinelos consistem essencialmente de sapatilhas... onde desencantou tal ideia peregrina desconheço!)

Nessa mesma tarde, eu e o pai tratámos do assunto, enquanto ele ficou com a avó.
Chegámos a casa com uns crocs com o boneco do Homem Aranha, que ele adorou.

Ao final da tarde, estava ele no quintal com o pai, quando agarra numa vassoura e começa a fingir que a estava a usar enquanto dizia:

- Vá, Homem Aranha, vai... vai ficar limpo! Temos que limpar, Homem Aranha!

Não estávamos a dar importância e pensámos que era mais uma das suas muitas histórias inventadas. 
Quando percebemos o que ele estava a fazer na realidade... ficámos entre o sorridentes e o semi-envergonhados...

Ele estava a limpar as teias de aranha que vivem no telheiro do quintal.

Contagem decrescente #3


Disclaimer - confesso que os cartazes do Keep Calm já me aborrecem há imenso tempo, há um para tudo e mais um par de botas, mas este assenta-me que nem uma luva!

Por isso, será o meu lema nas férias!
Vou ser o mais "algarvéua" que conseguir!
Ir à praia se possível em horas de afugentar gaivotas, esplanadar, dormir a sesta se me aprouver e apreciar o que a minha terra e a minha região têm de melhor!

28 de agosto de 2012

Contagem decrescente #4



Nas férias haverá tempo para cozinhar com calma e vontade. 
Sem ser sempre por rotina e obrigação, só porque temos de almoçar e jantar todos os dias.
Haverá peixe grelhado e lulas recheadas, bolos de alfarroba (ao que parece fizeram sucesso entre alguns colegas do G., que perguntaram quando ia fazer mais...) e o que der na gana fazer no momento, só porque sim e tenho tempo!
E se não me apetecer fazer, comemos frutas e qualquer coisa mais leve, porque afinal de contas, nas férias não há rigidez nenhuma, senão isto não teria a menor piada!

27 de agosto de 2012

Contagem decrescente #5

Faltam cinco dias para entrar no período grande das minhas férias este ano.
Sinto necessidade delas como de água para a boca! 
No ano passado, devido a ter mudado de emprego, perdi a possibilidade de gozar o período de férias que faço questão de marcar sempre em Setembro. Por isso, andei a gozar dias de férias de uma forma errática e um tanto avulsa...
Anseio por elas para poder fazer uma série de coisas que dificilmente posso fazer estando a trabalhar.
Uma delas é tratar de remodelações na minha casa. Vai haver pinturas de paredes e rearranjo de mobílias e algum destralhar de coisas que já não fazem falta e que por pura preguicite, teimo em ir encostando ao lado, para mais tarde decidir o que fazer, apesar de saber que o melhor é livrar-me delas!
Depois das tarefas cumpridas, espero sentar-me debaixo do meu telheiro, e apreciar a brisa fresca debaixo do meu telheiro, ao final de cada dia e ver o meu filho andar de triciclo às voltas no quintal!

24 de agosto de 2012

Duras lições

Ao longo da vida, uma das coisas que maior dificuldade tenho sentido é em lidar com as pessoas em quem deposito confiança e afeição.
Tenho ido aprendendo a relativizar e a mentalizar-me que só faz falta quem cá está e aparece, e a não me aborrecer com as pessoas que em determinado momento da nossa vida, nos presenteiam com uma enorme desilusão ou mesmo várias, deixando progressivamente de fazer parte da nossa vida.
 
Que elas queiram reduzir o contacto por sua vontade, num acto calculado e voluntário, ou porque a vida tem vicissitudes e circunstâncias que a isso as levaram, sem que o tenham desejado conscientemente, até compreendo e aprendi a aceitar com relativa calma. Confesso que em outros tempos isto provocava em mim turbilhões emocionais que me deixavam desgastada psicologicamente durante dias e semanas...
 
O que ainda me custa a engolir são aquelas pessoas que só se lembram de nós tal como nós nos lembramos de Santa Bárbara quando faz trovões! Que só nos contactam quando lhes dá jeito. E não falo de tempo ou disponibilidade... falo de interesse puro, mesmo que encapotado!
 
Falo dos contactos que se fazem apenas para manter uma aparência, mas em troca e em simultâneo sacar um favorzinho-qualquer-sem-importância-nenhuma, uma informação, uma dica, um pedido a terceiros, etc. Mas que quando os convidamos para um café, um passeio, uma converseta só-porque-sim, nunca estão disponíveis. Estão sempre ocupados e comprometidos com tantos outros, dando a entender que são muito mais interessantes e importantes que nós...

Em relação a estas pessoas tenho sérias dificuldades em aceitar e engolir, e dada a minha veia "alziriana marreirense" de mau feitio, só me apetece encaminhá-los para terra do carvalho porque eu nunca fui de ofender as mães alheias, quando vêm com falinhas mansas a pedir isto e mais aquilo e se não "sabes que mais aquel'outro"!

Apetece-me dizer-lhes que se não estão cá para conversas, convívios ou quando nos dá na gana só-porque-sim, não apareçam cá só quando lhes dá jeito, a contar ganhar alguma coisa com isso. Amizades falsas com intenção de lucro disfarçado não me servem!
 
Com o passar dos tempos, fui absorvendo a postura do G. que corta relações que não lhe interessam como quem arranca ervas daninhas do quintal, sem dó nem piedade. Ele faz isso de forma unilateral, sem pré-aviso e sem justificação associada. Racional e frio!
Não consigo ter a mesma frieza que ele, porque ainda tenho muita ingenuidade embutida na matriz, mas fui aprendendo a libertar-me destas amizades, numa forma de auto-preservação.
 
Tenho amigos/amigas que podem passar-se meses sem nos vermos ou falarmos, mas em que não há lugar a cobranças mútuas disto e daquilo. Falamos entre nós na mesma como se nos tivéssemos visto na semana anterior. 
Depois há as outras amizades... umas que cobram, sem nunca pretenderem retribuir na mesma linha. Outras não cobram, mas querem extorquir proveitos. Não me importo de dar e faço-o de boa vontade e sem qualquer esperança de retorno. No entanto, começo a ver quando a balança só pende para um dos lados e quando esse lado nunca é a meu favor...

Porque percebi que a vida é para ser vivida de cara alegre e olho no horizonte, porque para a frente é que é caminho e não há tempo a desperdiçar com quem não merece o nosso tempo e os nossos bons sentimentos, aprendi a deixar de exigir aos demais aquilo que eu própria me exijo a mim mesma.
Não sou igualmente racional e fria como o G., mas aprendi a aceitar realisticamente que há pessoas que têm um prazo de validade no nosso percurso de vida e que querer prolongar uma coisa que não se faz de coração aberto, é desperdício de energia!

23 de agosto de 2012

Guilty pleasures e dúvidas que me atacam



Tenho um guilty pleasure que é, quando não está a dar nada que me interesse na tv, ficar a ver programas como o Top Chef (já o Master Chef dá-me um certo fastio) e o Project Runway. 
É certo que me aborrece um bocado aquelas "tricas de comadres" e guerrilhas de egos dos concorrentes, mas ignorando um pouco isso, ainda dá para aprender umas coisas!

No entanto, há uma coisa que me irrita absolutamente no final destes programas e coloco-me sempre a questão... porque raio todos os concorrentes que saem do programa, corridos e enxotados, por fazerem prestações medíocres, usam sempre a tirada de que nada está perdido e que participar foi uma "life-changing experience" e que agora é que vão ser grandes estrelas da moda ou da culinária??!!

É que a sério, eles foram "despejados" por não terem qualidade ou criatividade que lhes permita continuar no programa e afinal de contas, ganhar o prémio final, que é ser reconhecido com chef ou como designer de moda...

A dúvida paira sempre no meu espírito: mas eles dizem isso porque faz parte do guião ou por acreditam mesmo que ir a um programa é algo que revoluciona toda a sua vida e que agora é que vão profundamente bem sucedidos e imensamente felizes a fazer o que gostam?!

Às vezes, tenho um desejo secreto que a SIC se lembre de ir fazer um "Perdidos e Achados" com estes mocinhos que saíram com o rabinho entre as pernas destes dois programas e perceber se não continuam a ser serventes de pedreiro ou empregadas de mesa, como eram antes de entrar no programa...

22 de agosto de 2012

Moedinhas para o supermercado

Ontem veio a público a notícia de que uma grande cadeia de supermercados vai deixar de aceitar pagamentos com cartão de débito em todas as compras inferiores a 20€, com o intuito de poupar mais uns milhões.
Nunca fui grande cliente deste hipermercado, nem nunca fiz lá compras de avultados valores, no entanto, recentemente comecei a apreciar a qualidade das suas frutas e legumes, o que me levava ocasionalmente a passar por lá, e invariavelmente a conta final cifrava-se quase sempre na casa dos 17 aos 20€...

Perante a notícia de ontem, perpassou-me pela ideia o seguinte:
- quem quiser fazer compras neste supermercado e pagar com cartão terá que equacionar bem o que vai comprar, porque senão terá que ir precavido com dinheiro - isto nos casos de clientes como eu que estão habituados patologicamente a pagar quase tudo com cartão de débito e que andam sempre com pouco dinheiro vivo no bolso;
- esta é uma desculpa um tanto esfarrapada de uma empresa que já de si factura milhões e milhões de euros por dia...
- palpita-me que há aqui estratagema para impulsionar o consumo nas famílias. Ora se a pessoa tiver uma conta final de digamos, 18,75€, mas não trouxe dinheiro e prefere pagar com cartão, sentir-se-à tentado a levar mais uma qualquer bugiganga para perfazer o valor dos 20€ mínimos que lhe permitem pagar com o dito dinheiro de plástico;
- esta medida ajuda a trazer mais insegurança aos clientes, porque a moda parece estar a alastrar a tudo quanto é estabelecimento de consumo de bens, logo a malta andará com mais dinheiro no bolso e mais susceptível de ser assaltada para gamar o dinheiro. É que sacar dinheiro de um cartão de plástico sem ter o código pin é bem mais complicado e mais trabalhoso de conseguir...

Logo depois, veio-me à ideia algumas medidas a que poderemos recorrer.
Vamos a um "suponhamos":
- conta final de 18,98€ -  "olhe, andei a ver no mealheiro lá de casa e só tenho moedinhas de 1 e 2 cêntimos!" - e fica-se ali meia hora a contar as ditas moedas, que também são dinheiro, enquanto a fila cresce desmesuradamente!
- conta final de 17,80€ - "oh, desculpe, não trago dinheiro vivo... olhe fica aí tudo, eu volto cá amanhã de novo com dinheiro". Por um lado, o cliente que até precisava não gasta lá € e fica a passadeira entupida. Alguém terá que ter o trabalho de repor todos os produtos de novo nas prateleiras correspondentes - pode até ser que provoque a necessidade de contratar pessoal para fazer reposição...

Escusado será dizer que quem vai sofrer na pele todas as reclamações e formas de protesto serão os funcionários, que não têm qualquer culpa das decisões parvas dos seus patrões...

21 de agosto de 2012

Tirania da rádio


tirada daqui

Eu gosto de ouvir rádio.
Há sempre um ligado algures na proximidade.

Esta manhã Falipe decidiu que queria ouvir a estação de rádio que está gravada no canal de memória n.º 3.
Ora até acederia ao seu pedido e satisfaria a sua escolha de bom grado, se não fosse o facto de eu pela manhã não querer ouvir mais nenhuma estação de rádio além da que está gravada no canal n.º 2.

Instalou-se a disputa!

Descobri que sou uma tirana no que diz respeito à rádio que se ouve a caminho da escola/trabalho. Ainda experimentei mudar para o "posto 3" como diz o povo, mas aquilo não me entrou no ouvido... voltei a retornar ao posto 2.
Deu direito a muita choraminguice de casa até à escola. 

Nem mesmo se deixou convencer quando lhe disse que à tarde, no caminho inverso, a sua escolha seria rainha...

20 de agosto de 2012

Crise, a quanto obrigas...

Até os Professores Talissy's, Bagali's, Touré's, Talissimy's, Karamba's e outros que tais parecem estar em crise...

É que andar às 8h30 da matina a distribuir papeluchos na "caixa do correio" dos pára-brisas alheios é coisa para me fazer pensar que esta malta está precisada de clientela!

17 de agosto de 2012

Cartas de amor

Quem nunca as recebeu?
Quem nunca as escreveu?

Há quase um ano, na "operação de limpeza" à casa do meu pai, fui encontrar uma carta que a minha mãe escreveu ao meu pai, quando ele esteve em Setúbal a tirar a carta de condução de pesados.

Desde então ando com essa carta na minha carteira, como se fosse uma espécie de amuleto...
 
Os meus pais já contavam com dois anos de casamento nessa altura, mas o conteúdo da carta, não podia ser mais delicioso e o exemplo daquilo que era o relacionamento dos meus pais, enquanto casal.
Fala de coisas quotidianas, sem grandes floreados ou palavras dengosas. 
Fala da vida diária no campo, dos borregos que nasceram e de combinações para ir à feira no domingo seguinte. Fala dos amigos e familiares e do dia-a-dia da minha mãe, sem a presença do meu pai.

Era um amor sereno, como sempre conheci aos meus pais.
Se sempre acreditei em amores para sempre, daqueles que só a morte separa, foi porque sempre vi isso nos meus pais e pude testemunhar, em primeira mão, que sim é possível amar alguém por anos e décadas. 
Sem grandes discussões, sem grandes desavenças, uma união carregada de respeito mútuo, de amor e carinho genuínos.



16 de agosto de 2012

Mentiras

As piores não são aquelas que os outros nos contam...

São as que nós inventamos e contamos a nós próprias!
E as quais repetimos sucessivamente até que se tornam verdades...

15 de agosto de 2012

14 de agosto de 2012

Regressar

Tenho andado arredia, fugida de ti.
Há demasiado tempo...

Só nesta tarde, quando finalmente regressei de saco de praia e mais não sei quantos atavios (pouco habituais em tempos que já lá vão) é que tomei a real consciência do quanto me afastei, de quanto tempo passou sem que te visitasse, no verdadeiro sentido da palavra.
Sem que pusesse os pés na tua areia dourada e fina, apercebi-me do quanto estava saudosa de sentir a frescura das tuas águas geladas e límpidas.

E do quanto eu sentia saudades de ouvir aquele som cadenciado e apaziguador do vaivém das ondas.

Não há outra praia onde consiga esta mesma paz, essa sensação de que sou pequenina numa imensidão de mundo.
Voltei a sentir aquela curiosidade de sempre, em saber o que estará do outro lado deste mar e da linha do horizonte.
Tomei consciência da falta que sentia de cá vir, do quanto me desorientei e perdi o norte, quando era aqui que sempre o encontrava.
Tomei consciência que na pressa de atender a tantas outras coisas, comecei a fugir de estar aqui, quando era aqui que me deveria ter refugiado, como sempre fiz, para pensar, para ouvir os meus pensamentos, para assim conseguir organizá-los devidamente.
Apeteceu-me esbofetear-me por não ter percebido isto mais cedo, por me ter esquecido de que realmente preciso de te visitar... por ter deixado sempre para mais tarde aqueles passeios de "ligação à terra", que foram sempre o que me ajudou a manter a sanidade mental e a clareza e presença de espírito, quando o meu mundo parecia desabar...

Em sinal de apreço pelo meu regresso, deste-me de presente horas bem passadas e coroadas por um fantástico pôr-do-sol, único. Não encontro um mais bonito em nenhum outro local...

Como me dizia o meu amigo J., estar ali e saber que temos que ir embora provoca tremenda vontade de nunca mais sair dali!


13 de agosto de 2012

Esquerdices

Hoje é o dia internacional do canhoto.

O Falipe é canhoto.
A minha mãe também o era.

Quando estava grávida do Falipe desejei secretamente que ele fosse canhoto, vá-se lá saber bem o porquê... talvez por num impulso de desejos parvinhos achasse que seria giro ele ter qualquer coisa em comum com a minha mãe.

Na reunião de fim de ano, a educadora do Falipe mencionou que ele, ao nível da motricidade fina estaria menos desenvolvido relativamente aos outros no uso da tesoura. 
Respondi que isso era mais do que natural, tendo em conta esse pequeno pormenor que a educadora possivelmente não levou em conta, o facto de ele ser esquerdino e como tal, ter alguma dificuldade em usar utensílios que não estão propriamente adaptados para quem usa a mão esquerda e não a direita.
 
Gosto que o Falipe seja canhoto, tal como achava imensa graça ao facto de a minha mãe o ser!
A minha mãe acabou por se tornar ambidextra no que à escrita diz respeito, por conta de muita reguada e muita palmada na mão esquerda, porque era considerado "feio" escrever à canhota... mesmo a minha avó contribuiu com muita palmada e muito ralhete por causa do uso da mão esquerda na costura, no crochet e em muitas outras coisas da vida quotidiana.
O Falipe nunca levará reguadas ou palmadas por conta disso, no que depender de mim, porque eu acho mesmo muito feio contrariar algo que nasceu com a pessoa, e que no fundo, não prejudica ninguém!
No entanto, quando lhe estendem a mão num aperto, ele que tinha propensão a oferecer a esquerda, já usa estende sempre a direita.

A minha mãe, quando eu me portava mal, dava-me palmadas sempre com a mão esquerda.
O Falipe quando "levanta mão" em sinal de protesto, fá-lo sempre com a esquerda!

Dizem que os canhotos são pessoas mais inteligentes e sensíveis que os dextros.
Isso não saberei dizer... e pouco me interessa se é essa a razão da sua inteligência.
Sei que todos os canhotos que conheço são pessoas dotadas de uma rapidez de raciocínio e perspicácia fora do comum.
Sei que o Falipe capta coisas com uma enorme facilidade e rapidez. A educadora diz mesmo que é muito perspicaz, apesar de muitas vezes ostentar alguma abstracção do meio que o rodeia.
Se está relacionado ou não, não sei!
Sei que gosto de vê-lo pegar nos lápis de cores com a mão esquerda e fazer desenhos, enquanto põe a ponta da língua de fora, ao canto da boca!

10 de agosto de 2012

Mente sobre a gula

É aquela capacidade rara, que só consigo alcançar em ocasiões inesperadas, e que me permite dominar a gula avassaladora que me tem assolado desde que o meu centro hormonal ficou desarranjado pela gravidez, agravado pelo turbilhão emocional provocado pela doença grave e posterior desaparecimento do meu pai e que me catapultaram para um peso exorbitante!
Essa gula maldita que me fez desenvolver uma relação de amor-ódio com a comida e posteriormente abandonar-me a uma postura de deixar-andar, comendo de forma compulsiva, negligenciando o meu corpo, quase a roçar uma espécie de castigo auto-imposto.
É aquele capacidade, aquela maneira de estar zen perante um bolo de profiteroles ou uma baba de camelo. 
Aquela capacidade de poder atravessar altiva o corredor das tabletes de chocolate e gomas, e de olhar com desprezo para a vitrine dos bolos quando entro numa pastelaria para beber um café, sem vacilar.
A capacidade de decidir firmemente ir comer ao vegetariano ou tomar uma refeição leve e saudável, em vez de ir à churrasqueira embutir uma entremeada grelhada ou uma febras de porco, carregadas de gordura.
Esta é uma capacidade que não se domina com um estalar de dedos, requer que a mente se sobreponha à gula, ao desvario hormonal que nos promove uma fome, que nem chega bem a ser fome... é mais um buraco negro que nos engole e trucida, arrasando a nossa auto-estima à sua passagem!
É uma capacidade que sinto agora ter finalmente recuperado, que me dá um gozo enorme e que aumenta exponencialmente a auto-estima, alimentando-a e fazendo-a crescer de dia para dia!
É a aquela capacidade de me cingir a comer duas bolachas maria em vez de embutir o pacote todo em apenas 10 minutos!
É ser capaz de almoçar sopa e peixe, em vez de uma pizza. Aliás, é quase ter aversão e ficar de estômago revolvido só de pensar na gordurama toda que isso tem!
É ter prazer em levar mais tempo a preparar uma boa salada do que a cozinhar um fusili cheio de natas e bacon e afins...
E sentir-me bem com isso, sentir que isso contribui para me sinta melhor comigo mesma e comer não seja um acto de suplício! Perceber que quero comer de forma mais saudável e equilibrada e não porque preciso!

Falipices #22

Uma manhã, ao pequeno-almoço, só nós os dois.

Falipe olha para mim e diz firme e peremptório:

- Mãe, 'tás velha!

Aposto que ele deve ter ouvido isto lá na escola, mas fogo... fiquei sem palavras! E acho que até arregalei os olhos...

Só me ocorreu pensar: se isto é assim agora que eu tenho 33 anos e ele apenas 3, quero ver o que ele me vai chamar quando eu tiver 85(*) anos e andar de bengala!!??


(*) - sim, eu acredito que vou viver até esta idade! Leram-me a sina uma vez e juraram que eu só ia morrer aos 86 anos de idade, já viúva! A esperança é a última a morrer...

9 de agosto de 2012

Dá-me música #2 ou as malucas das bruxas

Gosto de quando nos juntamos!
Juntas somos melhores, maiores, mais bonitas e mais inteligentes.
Juntas somos super bem dispostas!
Gosto de dar gargalhadas sonoras na vossa companhia! Até doer a barriga e os músculos faciais ficarem presos de tanto termos a pinha arreganhada!
Gosto de juntarmos as nossas famílias!
Gosto de nos ver todas tão "crescidas", mães de meninos pequenos e outro não tão pequeno (e vá... um enteado).
Gosto de falarmos sobre comida, sobre bebidas, sobre substâncias ilegais, política e sociedade.
Gosto de beber martinis gelados convosco!
Gosto de falarmos da vida alheia (mas só de uma em particular) sem grande malícia.
Gosto de ver como damos nas orelhas umas das outras por termos sido burras ou ingénuas em determinada situação.
Gosto de ver que apesar de os meses e os anos irem passando por nós, continuamos iguais na essência!
Gosto de ver que estamos a ficar maduras (e daí talvez não...)
Gosto de ver que continuamos as mesmas destravadas, que quando se juntam dizem meia dúzia de alarvidades e outras tantas não tão alarves...
Gosto de como juntas somos felizes, porque tudo o que está lá fora e nos apoquenta, fica esquecido, por magia!
Gosto da sinceridade com que podemos falar umas com as outras (quando os guys não estão), sem censuras ou julgamentos de valor!
Gosto de nós juntas, as bruxas!
Gosto da lufada de ar fresco que trazem à minha vida a cada vez que nos juntamos!

Algo me diz que seremos cotas bem enxutas e rabitesas e ainda faremos jantares de bruxas, sempre com um bom martini a regar a converseta!

Fórmulas matemáticas

Mãe mal dormida + filho dorminhoco = Rabugice2

8 de agosto de 2012

Fanatismos futebolísticos

Eu nem sei o que dizer disto...
Acredito mesmo que haja público para esta "gama de serviços", mas que fico pasmada perante este tipo de panfletame, isso fico!

Eu juro que não sei...

O que seria deste nosso Portugal à beira mar plantado, mergulhado na crise, se não tivéssemos ganho nem uma medalhinha que fosse...

7 de agosto de 2012

Presença constante

Primeiro apareceu um.
Apareceu do nada e um dia sem mais nem menos estava ali diante de mim.
Eu fiquei parada, estática a observá-lo. Em silêncio. 
Naquele momento, não sabia muito bem como reagir perante ele. Se devia amaldiçoá-lo, ficar-lhe indiferente ou simplesmente eliminá-lo do meu campo de visão.
Ele estava ali e eu limitei-me a observá-lo, em silêncio.

Outro dia, apercebo-me que já não é apenas ele, aquele, mas outros dois. 
Estes apresentavam-se com um estilo mais arrojado e até empertigaitado. Em posição de desafio, como quem grita: "e agora, o que vais fazer?"
Novamente os observei, desta vez a todos juntos. Mais uma vez, pensei no que deveria fazer sobre eles. Mas optei por ignorá-los.

Semanas se passaram e apercebo-me que não são apenas um ou três, mas um punhado deles. Mas estes eram mais discretos, quase que se escondiam por detrás dos demais, tímidos, tentando disfarçar-se.

E foi nesse momento que tomei uma decisão insólita e contrária a tudo o que tinha pensado fazer quando a situação se apresentasse... 

Aceitei a sua presença naturalmente. Se já que ali estavam, mais valia não me incomodar com a sua presença constante e conviver pacificamente com eles.

Os dias foram passando, até ao momento em que me apercebi que tinha decidido da melhor forma, porque já me habituara à sua presença e até tinha mesmo começado a gostar de os encontrar. 

Aceitei-os como fazendo parte da minha vida.
Aceitei a sua chegada com maior naturalidade do que alguma vez pensara e decidi que não os vou esconder, a eles, aos meus cabelos brancos.

Que todos os dias trazem mais um companheiro. 
A este ritmo, antes dos 40 anos terei aquele ar sexy de mulher madura e grisalha!

Razões

Eu nunca serei uma vegetariana como deve ser...

Gosto demasiado de arroz de pato e de pernil de porco assado no forno!

3 de agosto de 2012

Falipices #21 - Dar largas à imaginação

Pensara em dar a minha máquina fotográfica Fuji ao Falipe, visto que tive que a "encostar à boxe",  porque algumas fotos saíam desfocadas, especialmente se usasse o zoom, e sem falar do eterno grão de pó que está dentro da objectiva desde que a comprei e que deixou sempre uma marca redonda nas fotos.
Decidi fazê-lo na semana passada, quando estava a tirar fotos ao Falipe, e ele insistia em querer ser ele a tirar as fotografias.
Preparei a máquina e disse-lhe que era uma prenda para ele.
Depois de me ter atirado com aquele olhar de incrédulo perante a oferta, ficou radiante!
Daí em diante, foi a loucura. O Falipe dispara a tudo o que mexe! (e não mexe...)
Fez-me posar para ele imensas vezes e tirou tanta mas tanta fotografia, inclusivamente debaixo da mesa de jantar, que em pouco mais de uma hora conseguiu fazer com que o cartão de memória de 4GB ficasse completo e sem poder tirar nem mais uma fotografia!
E não é que me tirou algumas bem giras?!
Eu fiquei mesmo feliz com a decisão de lhe dar a máquina, só pela alegria e entusiasmo que lhe vi no rosto!

 

Geografia de Portugal nível I

Minha gente,
Se não sabem, ficam a saber:

Uma boa parte da Costa Vicentina situa-se no Algarve.
Não existe a Costa Vicentina e depois o Algarve, ok?!
Não digam barbaridades como "hoje estou no Algarve e amanhã vou para a Costa Vicentina", como se fossem deixar uma zona geográfica para entrar noutra. Isto não é como "hoje estou no Algarve, amanhã vou para o Alentejo"...

tirado da Wikipédia

tirado daqui

2 de agosto de 2012

Coisas do antigamente

Alpendre
Na visita que fiz à Quinta Pedagógica com o Falipe, fui encontrar um pequeno espaço de exposição, dedicado às ferramentas, utensílios, mobílias e objectos comuns de se encontrar numa qualquer quinta ou casa rural.
Muito bem organizado, de forma simples e ilustrado por fotografias de pessoas trabalhando em artes e ofícios de outrora, alguns deles completamente à beira de desaparecerem irremediavelmente, porque poucos foram instruídos nestas artes...
Assim que entrei neste espaço foi como se tivesse sido sugada pelo passado e transportada de imediato a uma realidade que conheci tão bem, na casa do meu avô Manuel.
Dei por mim a olhar para as ferramentas e utensílios e a reconhecer de imediato cada um deles, sabendo exactamente para que serviam e sem que precisasse recorrer às legendas que haviam disponíveis.
Quase que senti um baque na alma quando vi gorpelhas, albardas, foices, pás de forno, forquilhas, ferros de engomar, ratoeiras artesanais, chocalhos, moldes para sapatos, joeiros e peneiras.
O baque maior senti quando vi os bornais... Havia anos que não via disso em lado nenhum. E lembrei-me do exacto lugar em que o meu avô pendurava os bornais, os arreios e a albarda da burra e a gorpelha da palha. Lembrei-me do lugar das enxadas, das foices, da forquilha e meio litro de latão com que media a ração de milho para dar aos animais.
Lembrei-me das paredes em taipa e pedra, da porta do palheiro escavada em arco com uma colher de pedreiro, dos barrotes de madeira e das manjedouras mal enjorcadas onde a burra comia a palha. Lembrei-me das lajes em pedra que ornamentavam o chão de terra e do prego na parede, defronte das manjedouras, onde se penduravam os chocalhos e os sininhos dos arreios da burra e que eu adorava fazer soar.
Recordei-me do meu avô a contar as noites frias em que teve que dormir no palheiro e apenas com a palha dos fardos para servir de manta para se aquecer. 
Por uns momentos, foi como se tivesse aberto uma porta para os tempos da minha infância e tivesse voltado a entrar naquelas ramadas que permanecem encerradas e cujos reis são ratazanas de meio metro.
Reencontrei um carro de besta, bem recuperado e lembrei-me de todas as vezes em que quis andar no carro do meu tio Zé Camacho!

gorpelha, barris, enfusa, panelas de banha, trempe de ferro, sacos e abanicos de palha

lanterna, ratoeira

bornais e arreios

lanternas, ferros de engomar, e ratoeira
carro de besta

Palavras inesperadas

Gosto de pessoas intuitivas!
Pessoas que me dizem coisas acertadas sem que lhes tenha dado qualquer indício.

"Quando começamos a ter a ilusão de que não somos livres de escolher, parece que tudo piora. Mas é só uma ilusão."

1 de agosto de 2012

"Arremédios"

Para o meu avô e para o meu pai, Agosto era o mês dos "arremédios", aquele em que podiam ficar com a noção de como iria ser o tempo e o clima no ano seguinte, nas várias estações e em cada mês.
É certo que as alterações climáticas são tão bizarras que calculo que estes "arremédios" já nem sejam certeiros como o eram antigamente.
E eu achava imensa piada ouvir o meu pai reproduzir o método de aferição do tempo para o ano seguinte.
Há partes que já não sei muito bem, mas lembro-me que eram mais ou menos assim:

1 Agosto - o primeiro dia tira para ele (o mês de Agosto, como se fosse uma pessoa ou entidade divina com direito de reclamar para si o que quer que fosse...)
2 Agosto - arreméda o Inverno, que é como quem diz imita. Ou seja, conforme o tempo estivesse nesse dia assim seria a estação do inverno seguinte. Se chover, é porque será um inverno chuvoso, se fizer sol, será um inverno seco.
3 Agosto - arreméda a Primavera
4 Agosto - arreméda o Verão
5 Agosto - arreméda o Outono

6 Agosto - tira de novo para ele, o Agosto... este mês parece ser uma entidade exigente!

7 Agosto - arremeda Janeiro
8 Agosto - arremeda Fevereiro
9 Agosto - arremeda Março
10 Agosto - arremeda Abril
11 Agosto - arremeda Maio
12 Agosto - arremeda Junho
13 Agosto - arremeda Julho
14 Agosto - arremeda Agosto do ano seguinte, pois claro!
15 Agosto - arremeda Setembro
16 Agosto - arremeda Outubro
17 Agosto - arremeda Novembro
18 Agosto - arremeda Dezembro

19 Agosto - aqui já não estou propriamente certa, mas acho que era mais um dia tirado pelo Agosto...

20 Agosto - volta a arremedar o Inverno
21 Agosto - volta a arremedar a Primavera
22 Agosto - volta a arremedar o Verão
23 Agosto - volta a arremedar o Outono

24 Agosto - arremeda o ano no seu todo - acho que era assim...

Esta era uma fórmula de sabedoria popular pela qual o meu avô e o meu pai se guiavam para orientar a suas sementeiras e culturas agrícolas. Lembro-me que havia anos em que esta fórmula apresentava resultados infalíveis, outras nem tanto assim.

Será que esta fórmula ainda funciona?

Também não estou 100% certa se é mesmo assim que funcionam os arremédios, porque lembro-me que o meu sogro usava um método diferente, mas também no mês de Agosto.