31 de julho de 2012

Coisas que o sr. Abel me ensinou

"A casamento e a baptizado não vás sem ser convidado"

Esta sempre foi uma grande máxima do meu excelentíssimo pai, a quem cada vez mais reconheço, apesar de tardiamente, muita sabedoria.

Por isso, fiquei mesmo estupefacta quando recebo uma sms a dizer que falhei a festa de anos da filha dum casal amigo, "ah e tal foi super divertida".

Na realidade, eu nem sequer sabia que ia haver festa, como poderia ter "falhado" e perdido tanto divertimento?!

Bicharada

Já havia algum tempo que estava a pensar em levar o Falipe à Quinta Pedagógica, apesar de ele ocasionalmente ir à "quinta pedagógica" em casa dos primos, onde há toda a variedade de coisas semeadas e recentemente o primo D. construiu uma capoeira onde há galinhas, perus e até montou um pombal.
No sábado de manhã decidi levá-lo lá, para ele poder ter uma actividade diferente e não estarmos sempre em casa ao fim de semana.
Ele gostou bastante e só queria ver mais e mais!
Eu fui-lhe explicando tudo o que pude e sabia e ele ouvia com uma atenção curiosa.
Na Quinta Pedagógica há cabras, ovelhas, vacas, patos, galinhas, pavões, galinhas-da-índia, coelhos (e caçapos), cães e até uma chinchila.







30 de julho de 2012

Criança do meu ser

"És tu meu filho.
Porque me mostraste que ainda há uma criança em mim.
Mostras-me todos os dias que há inocência e amor em estado puro.
Que há zangas sem lugar para ressentimento.
Que as pazes se fazem em 30 segundos, e para isso basta sorrir e dar a mão.
Que podemos brincar com qualquer coisa, desde que se ponha a imaginação a funcionar.
Tu serás a minha criança para sempre, mesmo quando já não couberes nos meus braços para te embalar, ou já não quiseres que te conte uma história de adormecer.
És o meu menino e eu sou menina sempre que estou contigo!"

01 Junho 2012

27 de julho de 2012

O sol nasce todos os dias!


O espírito está mais animado hoje!
Obrigada pela vossa preocupação e votos de que melhores dia venham!
Ainda não consegui o descanso de que necessito, mas já consegui pelo menos recuperar um pouco da energia positiva que por norma me acompanha...

O fim de semana está à porta e eu quero tentar aproveitá-lo ao máximo!
O Falipe tem sido uma enorme fonte de força e energia muito positiva para mim.
Dou por mim a observá-lo nas suas brincadeiras e reparo em como ele está alto! Acho que apanhou os genes do papá e vai ser um homem grande.
Adoro a maneira como agora repara que as "ráves" (árvores) estão paradas ou a mexer e que isso é o vento que faz! Gosto de vê-lo segurar a caneta com a mão esquerda e fazer rabiscos nos panfletos publicitários que nos deixam na caixa do correio, a tentar imitar-nos a escrever!
Às vezes olho para os seus rabiscos, que ele escreve  da direita para a esquerda, e digo na brincadeira que ele teria sido um grande escritor nos tempos da Cleópatra! É que alguns são mesmo parecidos com os hieróglifos das pirâmides do Egipto.
Oh para mim mãe babada, como sempre!

26 de julho de 2012

Hoje não estou cá...

Privada de sono profundo há quatro noites.

Tonturas passageiras.

Estômago "em brasa".

Fisicamente exausta!

Estado emocional "bicho de mato".

Alma envelhecida...

25 de julho de 2012

Casas de portas abertas

parte antiga da vila de Aljezur - retirado da net

Quando era miúda adorava ir com a minha mãe à vila, especialmente se a deslocação fosse à zona da vila antiga.
Gostava de andar pelas ruas estreitas e íngremes.
Gostava de ir à fábrica do sr. Ricardo Vilhena, porque adorava ver o moinho a trabalhar e vê-lo dar ao pedal para ensacar a farinha. Lembro-me que foi lá que vi os primeiros calendários de mulheres nuas (muitos mais vi nos oito anos que trabalhei nas obras) ao lado de calendários com gatinhos e pintainhos e patinhos.
Gostava das ruas de calçada e das casas térreas com uma porta e duas janelinhas de madeira.
Fascinava-me ver que as pessoas se sentavam no poial das casas a tratar das suas coisas ou apenas para descansar e conversar um bocadinho, invariavelmente sobre a vida alheia.
Achava curioso ver que as portas das casas estavam sempre abertas, mesmo que os donos tivessem ido a casa da vizinha ou mais ao fundo da rua. 
Do alto dos meus seis ou sete anos, achava tudo isto muito estranho porque vivia num apartamento na cidade, onde as portas eram trancadas à chave caso nos ausentássemos dela.
Adorava aquela forma desprendida de deixar as portas abertas ou os postigos abertos de par em par, a jeito de se poder chegar ao trinco da porta pelo lado de dentro. Era para mim uma forma de rapidamente acolher qualquer visita que calhasse a aparecer, nem que fosse para dar as boas tardes e saber se estavam todos bons de saúde.
Às vezes, quando passo pela vila, sinto saudades desses tempos de inocência e de honestidade, em que se podia sair de casa, deixar o postigo ou a porta aberta, apenas com uma cortina de tiras de plástico esvoaçando e que impedia que as moscas entrassem.
Às vezes apetece-me voltar a ser menina, voltar a ser inocente numa vila intocada pelo receio de roubos e assaltos e calcorrear as ruas de calçada, e cumprimentar as pessoas com a maior das naturalidades.

Blog que é uma pérola!


Mais um selo que me ofereceu, desta feita a Mammy, que é uma querida e lembra-se sempre de mim! Obrigada pela atribuição!

Com o selo, vem um desafio que consiste em responder a perguntas, ou curiosidades, e depois disso nomear 15 blogues a quem oferecemos o selo.
Vamos lá então embarcar nestas curiosidades!

1- Um sonho realizado: um bem óbvio, mas é o maior que tive e o que maior realização me trouxe: ser mãe!
2- Um sonho por realizar: Recuperar a casa de taipa que o meu avô construiu à minha medida e passar lá a minha velhice.
3- O que adoro fazer em casa: sentar-me no cadeirão a ler um livro, brincar com o meu filho, ver um bom filme, cozinhar quando estou com vontade e inspiração. Agora se querem saber qual a tarefa doméstica que mais me apraz, a resposta será nenhuma!
4- O que odeio fazer em casa: a que mais ódiozinho reúne é mesmo limpar o pó dos móveis... até muito mais que limpar as casas-de-banho!
5- O que me faz sorrir: quando o Falipe se põe a inventar histórias... é que ele é tão expressivo que eu farto-me de rir e sorrir com os trejeitos que ele faz enquanto inventa!
6- O que me faz chorar: a tristeza da perda das pessoas...
7- Um talento: falar em público!
8- O que gostaria de saber fazer: desenhar! Sou uma perfeita aselha, é como se tivesse duas mãos esquerdas...
9- Um segredo: "é algo que se diz baixinho a várias pessoas, uma da cada vez!" já dizia um chefe que eu tive em tempos
10- Um medo: perder os que mais amo!
11- Um pecado: decididamente terei que responder pelo tremendo pecado da gula!
12- Uma viagem: uma que comece na Escócia, passando por Viena de Áustria e Praga, um desvio para os países nórdicos e com um pulinho à Terra do Fogo e termine na Nova Zelândia.
13- Um doce: agora apetecia-me o Banofee aldrabado que vi o Jamie Oliver fazer ontem à noite...
14- Um perfume: Nina da Nina Ricci
15- Uma história: Pedro e o Lobo, a primeira que me lembro da minha mãe me contar e que melhor recordo: "quem mente uma vez mente sempre e por muito que diga que é verdade, todos dizem que mente" como ela terminava sempre esta história.
16- Um filme: não pode ser mais que um? assim é difícil...um que me marcou profundamente foi o "América Proibida"
17- Um blogue: o primeiro que segui e que ainda hoje acompanho: A Vontade de Regresso.
18- Um nome: Vera, o da minha mãe!
19- Uma frase: coisas boas acontecem a pessoas boas, mais tarde ou mais cedo!
20- Uma vida: A minha!

24 de julho de 2012

Falipices #20 - ou como eu sabia que este dia chegaria...

Ontem a caminho de casa, Falipe perguntou pela vovó como quase sempre faz, e eu respondi, como quase sempre, que a vovó estava na casa dela.

Nisto ele pergunta-me:

- E o vovô?

Tanto o meu pai como o meu sogro já faleceram... e eu fiquei sem saber muito bem o que responder, aliás como já sucedera numa outra ocasião em que falei no avô Abel e ele me perguntou onde é que o "vô Bél" estava, ao que apenas respondi que "ele não está..."
Ontem dei a mesma resposta: o vovô não está.

Mas ontem, ao contrário do que esperava, ele continuou a fazer perguntas:

- Então está onde, mamã?

Sabia que este dia chegaria e não tinha propriamente nenhum discurso preparado ou pré-feito. 
Um pouco como com tudo, prefiro responder às questões no momento em que me são colocadas e não perco tempo a antecipar cenários, para não sofrer por antecipação...
Curiosamente, tinha lido no passado domingo um post num blog sobre esta temática... como explicar a crianças que há pessoas que morrem (avós e pessoas de família próximas) e desaparecem para sempre das nossas vidas, pelo menos fisicamente (pena que não guardei o link...).

Apenas me ocorreu dizer que "está no céu".

Ele perguntou:

- Lá em cima?

E eu respondi que sim. De certa forma, porque também acredito que os meus pais estarão algures a olhar por mim... 

Ele continuou:

- Está a voar, o vovô?

E eu, já sem saber mais o que dizer:

- Talvez, não sei, filho...

Curiosamente, ele não fez mais perguntas e a conversa ficou por ali.

Quero que ele tenha a noção do que é, não quero que ele seja protegido do conceito de morte como eu fui, porque sei o que me custou lidar com isso quando fui confrontada directamente com a morte da minha mãe, na adolescência.
Não quero esconder-lhe nada sobre isso, não quero paninhos quentes nem cenários cor-de-rosa, mas também não quero assustá-lo e nem ser "bruta"... quero que ele tenha noção de que teve avós como qualquer criança, a diferença é que ele nunca os conhecerá fisicamente como os demais meninos, mas apenas pelas fotografias que eu e o pai temos em casa, em molduras, e pelas histórias que lhe havemos de contar deles.
Agora só tenho que encontrar uma forma de falar aberta e claramente sobre isso com ele, devagar e a seu tempo, sem dourar a pílula e sem pintar cenários negros!

Tatuagens

O Falipe ontem veio para casa com duas "tatuagens" nas costas...

Uma colega da escola, uns meses mais nova, decidiu premiar o meu filho com duas dentadas valentes nas costas, junto à omoplata, só porque quis porque quis brincar com os carrinhos que ele tinha levado para a escola...isto apenas 5 minutos depois de eu o ter deixado na escola.

Ainda só estão avermelhadas, mas palpita-me que vão ficar roxas em breve!

Paz à sua alma!

Foi hoje constituída a décima comissão parlamentar de inquérito à tragédia de Camarate.

Décima comissão?? Décima de dez??! A sério?? Dez comissões de inquérito?!

Ora então, como o país nem está de tanga e nem se encontra mergulhado na mais absoluta crise e recessão económica, e nem pediu um empréstimo milionário ao FMI, vamos lá gastar mais uns milhares de euros e colocar meia ou mesmo uma dúzia, vá, de pessoas a investigar um acidente aéreo que aconteceu há mais de trinta anos, já que as nove comissões parlamentares não chegaram a conclusão rigorosamente nenhuma.
Mas desta é que vai ser... desta vez, à décima (a sério? dez comissões?) é que vai ser, é que tudo se vai revelar e esta comissão de inquérito vai satisfazer a enorme curiosidade de todos os portugueses que não dormem bem há mais de 30 anos, a matutar no que realmente terá sucedido no acidente que vitimou Sá Carneiro e mais uns quantos ilustres da nação!
Eu acho que desta é que vamos todos poder descansar a alminha, a nossa e a do Sá Carneiro, que já deve pedir lá da sua tumba, que o deixem gozar a eternidade em paz!
Tenham dó, sim?! 
Preocupem-se com os vivos que cá andam a ser esmifrados em impostos e taxas até ao tutano, que não descansam em paz à noite, não a pensar na tragédia de Camarate, mas em que ginástica orçamental é que se vão lançar para conseguir pagar contas, alimentação e transportes públicos, e a escola dos filhos e o Diabo a sete!

Cá para mim, o Sá Carneiro deve regressar juntamente com D. Sebastião, numa manhã de nevoeiro para desvendar esse absoluto mistério!

23 de julho de 2012

Decididamente...

Eu não sou uma pessoa "matinal"!
Sou muito mais noctívaga!
Por isso fascinam-me as pessoas que se levantam de madrugada sem se arrastar e cheias de energia e de vontade de fazer tudo e mais alguma coisa!

20 de julho de 2012

Fogo em brasa

Está a arder novamente o "meu" Algarve...
Já ardeu 1/3 de área de um dos concelhos mais bonitos desta região e um dos meus predilectos: Tavira.
Ainda no sábado passei por lá e como sempre, tive pena de ser à pressa e não poder parar para apreciar a beleza natural que Tavira tem (ou deverei dizer "tinha"?!).
Também S. Brás de Alportel arde e esta manhã ouvi a notícia de que Castro Marim também arde...
Não sendo eu sotaventina, é impossível ficar indiferente e não ficar de coração apertado, tristíssima por ver que mais uma vez o fogo leva a melhor e consome o verde desta minha região, que sempre contrastou com o azul do mar, logo ali... 
É impossível ficar indiferente ao inferno que o fogo representa!
O mesmo vale para a Madeira, que igualmente se encontra envolta em chamas...!
Em qualquer dos casos, sinto um tremendo arrepio na espinha e fico com a sensação de "dia do juízo final".

A acrescer a tudo isto, fico ainda mais triste, porque mais uma vez, somos o típico ser humano que só se lembra de Santa Bárbara quando faz trovões. 
Nestas alturas é que nos recordamos do papel fundamental que os corpos de Bombeiros Voluntários desempenham. 
O facto é que eles dão apoio à população durante todo o ano, seja no combate aos incêndios, no apoio aquando das inundações e na prestação de cuidados médicos. É sempre nestes momentos que somos recordados da sua importância e da penúria em que se encontram as corporações, sem quaisquer apoios para prestar um serviço digno à comunidade!
Muitas vezes, os bombeiros conseguem fazer omeletes sem ovos, para lutar contra o fogo e impedir que ele devore o pouco verde que ainda pontilha o nosso país.
No entanto, ano após ano, governo após governo, as medidas que se implementam para evitar estes cenários dantescos ficam claramente àquem do necessário!

19 de julho de 2012

Dos objectivos de vida

tirada da net


Já plantei uma árvore.
Aliás, duas! Uma na escola pelo dia da árvore e outra, uma ameixeira, por pura brincadeira e curiosidade de menina - via o meu avô e o meu pai porem sementes na terra e eu quis ver se também conseguia que saísse dali alguma coisa... 
Curiosamente nasceu mesmo uma ameixeira que deu tantas ameixas, que a minha tia Isabel se açambarcou delas e jurou a pés juntos que a ameixeira era dela!

Já tive um filho. 
E pretendo ter outro. Se bem que com o panorama actual, essa ideia seja uma decisão "passo de gigante"...
Mas este foi sem dúvida um dos acontecimentos mais importantes da minha vida. Mudou-me enquanto mulher e enquanto pessoa e a Naná que sou hoje, jamais quereria ser de outra forma. Jamais quereria viver sem ter conhecido o amor que tenho pelo meu filho, esse ser lindo e adorável, que me tem ensinado mais nestes três anos e meio do que a "vida" me foi ensinando nos anos todos que precederam o nascimento dele.

Escrever um livro... não escrevi nenhum.
Gostava de ter criatividade suficiente para escrever um romance, mas não me sinto capacitada de imaginação em grau suficiente para o fazer...
No fundo, acho que o único que escrevi, escrevo e escreverei é o livro sobre a minha vida. 
A minha biografia.
Comecei a escrevê-lo aos 11 anos e em maior ou menor grau tenho ido continuando a encher páginas de diários, com os acontecimentos, pensamentos e emoções que tenho ido vivenciando. Não será editado e servirá apenas para memória futura, se algum dia o meu filho quiser saber mais da minha vida! Porque eu, por volta dos 13/14 anos quis saber tanto da vida da minha mãe, como era, o que sentiu, o que pensou. E o que ela me foi contando, ficava tanto a saber a pouco...

No entanto, os meus objectivos de vida não se ficam por aqui. Tenho muitos mais, uns que já cumpri, outros que quero e hei-de cumprir!

18 de julho de 2012

Almoço relaxado

Em certos dias gosto de almoçar sozinha (especialmente quando o menu do refeitório não agrada..)
Hoje foi um desses dias. 
E que almoço relaxado eu tive!
Fui almoçar a um restaurante vegetariano próximo do meu local de trabalho. Adoro comida vegetariana!
Deliciei-me com umas espetadas de tofu com molho de manga, que estavam mesmo divinais, seguidas duma fatia de tarte de cereja e manga e um café de cereais.
Para completar o quadro, fui lendo uma das minhas revistas preferidas, enquanto se ouvia música clássica em pano de fundo.



Falipices #19 - assim é o amor!

Estava a ver quanto tempo ia demorar até que ele se saísse com uma destas tiradas...

Ontem foi o dia!

- Mãe, queres casar comigo?

E depois acrescentou:

- Vamos namorar...

Já tinha havido um prenúncio deste discurso, quando no passado domingo enquanto tomávamos o pequeno-almoço só os dois, ele pegou em duas peças plásticas em forma de cornucópia, e as juntou fazendo a forma de um coração (tem olho e perspectiva sobre as formas dos objectos) e me diz todo meloso:

- Mãe, um coração p'a ti!

Curiosamente, foi um gesto totalmente desinteressado e sincero, já que ele não estava claramente a tentar engraxar-me.

17 de julho de 2012

Prazeres ao final da tarde

Com o início do tempo de verão, aproveitam-se os finais de tarde da melhor maneira.
Procuramos locais calmos, com água para refrescar. 
Esta estava bem fresca e soube bem estar de pézinho de molho!
 












A sério??!!

É que nós por cá ainda não tínhamos chegado a essa conclusão...

16 de julho de 2012

Lembrete


Naqueles dias levados da breca em que o Falipe chama por mim incessantemente, quase a cada dois segundos "óhhhhhmãããããeeeeeeeeee", ao que eu respondo quase invariavelmente "diz, filho" ou "eu vou já!", lembro-me de mim para mim, que é melhor ser assim!

É que agora stressa-me e cansa-me mentalmente ouvi-lo chamar por mim cinquenta vezes por hora... Mas daqui a uns anos, vou sentir terrivelmente a falta de estar sempre a ouvi-lo com aquele "óhhhhhmãããããeeeeeeeeee" atrás de mim a cada  minuto que passa!

De Portimão a Altura... (com música dos Xutos e Pontapés!)

São duas horas de viagem pela EN125!

Além do trânsito intenso, motivado pela cobrança de portagens na A22, contribui para tal:
- um rol de rotundas, sendo que algumas distam entre si pouco mais de 10 metros;
- não sei quantos semáforos, alguns em zonas que nem se entende muito bem a razão de ser...
- ter que atravessar a cidade de Faro e de Olhão e um sem número de pequenas aldeias e vilas e que farão os visitantes perder-se com relativa facilidade...

Enquanto percorri a EN125, já atrasada para um encontro com uma amiga de longa data, fui praguejando e maldizendo quem permitiu que se cobrasse portagem na SCUT A22, porque acha que a "rua de bairro" que é a EN125 é alternativa.
Roguei-lhes como praga serem vilmente torturados e obrigados a fazer toda a "alternativa" que é a chamada Estrada da Morte, durante vários dias, e em sucessivas viagens em ambos os sentidos, para verem onde está a alternativa!!

13 de julho de 2012

Falipices #18

Diz-se que filho de peixe, peixinho é!
Acho que esta sabedoria popular se aplica na perfeição ao Falipe, em mais do que muitos aspectos.

Já por diversas ocasiões o Falipe tem tido autênticas lutas comigo, por querer pegar na máquina fotográfica, para me imitar e tirar fotografias. Exigência a que nem sempre cedi, porque ele poderia deixá-la cair e aquilo ainda custa dinheiro.
Além do mais, parece que os dedinhos deles encontram sempre primeiro a objectiva da máquina, deixando impressões digitais em todas as fotos...
Ontem deixei-o pegar-lhe e notei que já tinha cuidado com isso e já se punha a olhar para o ecrã com alguma atenção.
Rendi-me à evidência de que tenho que lhe arranjar uma máquina fotográfica para ele fazer o gosto ao dedo, por isso tenho que ir à procura da minha Fuji, a primeira máquina digital que comprei e e que tinha uma qualidade de imagem espectacular, mas que começou a ter alguns problemas ao nível de focagem, mas que servirá perfeitamente para ele ir "treinando".

Eu sei que foram tiradas ao calhas e com recurso ao automático, mas acho que ele já tem olho para a coisa e já que o G. quase nunca me tira fotografias, o Falipe ontem tirou-me algumas fotos que eu gostei bastante (eu sei, eu sei... sou uma mãe demasiadamente babada!) 
Um dia quem sabe, ele se dedica à fotografia?!...

Aqui ficam dois registos do Falipe.



12 de julho de 2012

Dos Relvas desta vida

Quando a "bomba" da pseudo-licenciatura do Miguel Relvas estourou na comunicação social, o meu primeiro pensamento foi "sempre quero ver qual foi a licenciatura que ele fez trapaça para obter", já adivinhando que coisa boa daí não sairia.

Quando ouvi Ciência Política e Relações Internacionais, percebi de onde vinha o pressentimento.
Mais uma vez, a licenciatura que eu tirei com todo o esforço e mérito próprio (nos quatro anos de currículo que tem na Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra) falada por todos os motivos e mais alguns e claro está, sempre pelo pior ponto de vista: o pejorativo de "para que raio serve isso?"...

Cheguei mesmo a assistir a uma comparação, num tom algo desdenhoso, de que até não fazia mal nenhum ter havido trapaça, assim como assim, não era um curso de medicina ou enfermagem e logo não iria prejudicar ninguém... (é claro que seria grave se tivesse sido uma destas!)

Este comentário incomodou-me porque tal como qualquer estudante universitário empenhado, seja numa universidade pública ou privada, investi muito para fazer a licenciatura e obter um curso superior. Porque lá está, me incutiram a ideia de que ter um curso superior e ser "doutor" é que é, abre portas no mercado de trabalho e tal e coisa. Mentira... no meu caso, nunca exerci, porque ou trabalhava de borla num estágio qualquer de 3 ou 6 meses e depois logo se via... ou ia trabalhar num qualquer programa de uma OI ou de ONG a ganhar 17 contos na Índia ou no Paquistão, tendo para isso que ter um fundo monetário próprio para me sustentar, como sucedeu com uma colega minha. E não querendo eu trazer mais encargos ao meu pai, que era o único com rendimento no agregado familiar, não tive outro remédio senão fazer-me à vida e ir ingressar no mercado de trabalho, noutra ocupação qualquer.

Bem, mas voltando à questão inicial, acho que agora que todos sabemos que houve trafulhice daquela bem grossa, a cheirar a pântano lamacento, o Relvas já tinha tido tino e percebia que está na hora da despedida.

Mas não! O homem não caiu com o caso das Secretas, não caiu com o caso das alegadas pressões ao Jornal Público e não caiu com a alegada chantagem a uma jornalista e assim permanece no governo, mesmo debaixo de vaias e apupos, agarrado ao poder, qual sanguessuga do  povo!

Já deixei de achar piada a todas as anedotas que se fizeram em torno desta história fedorenta e já não aguento tanta notícia sobre como o caso tresanda a tráfico de influências e a trocas de favores de alguém que sempre se movimentou em certos meandros com recurso a negociatas manhosas em cantos esconsos de corredores de poder.
A mim já pouco me interessa como foi, como não foi, se foi com a ajuda do A ou do B, se teve a nota X ou Y ou a equivalência W ou Z. A mim o que me interessa é que este senhor é a encarnação em figura de gente de como estamos (des)governados por bandalhos incompetentes, corruptos que não olham a meios para se auto-enriquecerem (a si e aos seus amigalhaços!)  e que se escapam sempre às malhas da justiça (qual, onde anda ela?!) como uma moreia se escapa dum anzol!

Controlo da gula ou como dar a volta a fomes súbitas

Ter que assistir ao pequeno-almoço do pequeno Falipe quando temos que guardar jejum de 12h para ir fazer análises clínicas de rotina pareceu-me coisa complicada esta manhã...

Apesar de não ter qualquer réstia de fome, coisa perfeitamente normal em todas as outras manhãs, foi necessário controlar-me para não começar a fazer em piloto automático o pequeno-almoço para mim, para não preparar a fatia de pão de sementes com compota de morango acompanhada de um copo de leite...
A determinada altura, tive mesmo que meter travão a fundo na mãozinha que já ia toda lampeira lançada em direcção certeira à boca com uma fatia de queijo flamengo, à semelhança do que pus no pequeno-almoço do Falipe. Houve ali uns milissegundos de reality check, qual belinha na testa e; senti-me como uma criancinha que está sempre a querer meter a mãozinha naquele exacto sítio que foi expressamente proibido de mexericar.

Aquela sensação de ausência matinal de fome foi hoje substituída automaticamente por uma gula súbita, saída das "cavernosidades" do subconsciente, tão só porque havia restrição de comer até à realização da colheita sanguínea.

O cérebro é realmente um manhoso de primeira apanha!

11 de julho de 2012

Constatação

Há coisas boas no facto de viver numa zona que é um destino turístico por excelência:

Podemos rever amigos, colegas de faculdade e familiares de longe quase sempre todos os anos, sem termos que sair de nossa casa!

Porque quase invariavelmente, todos os anos, eles virão passar férias à nossa terra ou nas suas imediações, sem ser preciso percorrer mais de 100km para os rever!

Falipices #17

Ontem viu a bandeira nacional içada no telhado de uma casa na vila e disse aquilo que diz sempre que a vê:

- Mãe... é o Po'tugau!


9 de julho de 2012

Os Malaquias

tirada da net
"O coração do casal fazia a sístole, momento em que a aorta se fecha. Com a via contraída, a descarga não pôde atravessá-los e aterrar-se. Na passagem do raio, pai e mãe inspiraram, o músculo cardíaco recebeu o abalo sem escoamento. O clarão aqueceu o sangue em níveis solares e pôs-se a queimar toda a árvore circulatória. Um incêndio interno que fez o coração, cavalo que corre por si, terminar a corrida em Donana e Adolfo.
Nas crianças, os três, o coração fazia a diástole, a via expressa estava aberta. O vaso dilatado não perturbou o curso da electricidade e o raio seguiu pelo funil da aorta. Sem afectar o órgão, os três tiveram queimaduras ínfimas, imperceptíveis."

In Os Malaquias, de Andréa del Fuego (Prémio Literário José Saramago 2011)

O nome do livro chamou-me a atenção na barra lateral de sugestões do site da Bertrand.
A capa a fazer-me lembrar das casinhas de taipa empertigadas no cimo de um monte, como eu via quando era mais pequena na terra dos meus pais.
Assim que li a sinopse, a curiosidade tomou conta de mim e não descansei enquanto não o fui buscar.
Comprei-o antes de ir de férias e foi a minha companhia durante esta semana de descanso.
Não poderia ter escolhido melhor leitura para me acompanhar!
Uma história muito bem contada!
Daquelas que nos fazem querer ler depressa para chegarmos ao ponto final derradeiro e que depois nos deixam tristes quando descobrimos o desenlace do enredo.

Tribunal Constitucional

Triste e lamentavelmente, o Tribunal Constitucional fez duas coisas quando se pronunciou sobre o corte de subsídios aos funcionários públicos:

1.º - prestou um execrável péssimo serviço à nação e ao povo português,

2.º - prestou um excelente serviço ao governo e fez o favor de lhes abrir a porta aos cortes generalizados dos subsídios.


Demência

tirada da net

Ainda me lembro de quem me recomendou o primeiro livro deste grande escritor, um estroina que nunca pensei que fosse amante da leitura, numa tarde de praia na Arrifana. 
Este estroina, o Ventura, deu-me dicas e conselhos sobre livros que ele entendia que qualquer pessoa deveria ler obrigatoriamente e os Cem Anos de Solidão encabeçavam a sua lista.
E eu procurei o livro e conheci um dos maiores génios da escrita que alguma vez li!
Se me apaixonei pela sua escrita com os Cem Anos de Solidão, mantive a "chama da paixão acesa" com o Amor nos Tempos de Cólera.
Mas o livro que mais me marcou foi a Crónica duma Morte Anunciada, que li em apenas uma hora e meia, numa tarde em que deveria estar a estudar para a cadeira de Introdução à Diplomacia, já que teria exame dois dias depois...
No Viver para Contá-la pude perceber de onde lhe surgiu a inspiração para todos os outros livros que já tinha escrito e que eu lera com toda a avidez.

Foi ele, o GGM, o Gabo que me abriu todo um mundo de fantasia inolvidável. Orgulho-me de ter na minha colecção pessoal de livros todos os livros dele, excepto um... O Outono do Patriarca, nem sei bem porquê.
Se ele está demente ou não, não importa!
Se está, fico triste porque acho que é um fim muito triste para um génio literário como este, e seria uma ironia enorme, já que ele por diversas vezes presenteou algumas das suas personagens com esta doença.

Mas mesmo que não esteja demente, Gabo não mais escreve... 
E agora, onde vou encontrar quem em encha as medidas da mesma maneira, no que à leitura diz respeito?!

4 de julho de 2012

Boa vida!


Para repor energias nada melhor que uma manhã na esplanada só com um excelente livro por companhia! Só com o som de fundo dos pardais no beirado e o som das águas da ria a ondular pela passagem dos barcos!
Há muito que não me dava ao luxo de tal liberdade, mesmo que por uma breve hora.