31 de dezembro de 2010

Expectativas elevadas resultam em desilusões ainda maiores...

Às vezes, não precisamos de muito para nos sentirmos apoiados, acarinhados e queridos por aqueles que consideramos amigos.
Às vezes, só precisamos de um pouco de tempo, de um minuto de atenção, um sinal de que somos importantes!
Mas por vezes, acabamos por nos desiludir, e ficar profundamente magoados quando somos sucessivamente relegados para segundo plano, por esta ou aquela razão...
E questionamos o que de errado fizémos.
E depois de muito matar a cabeça concluímos que apenas o que fizémos foi entregar o nosso coração e amizade sem reservas, mas que a pessoa a quem o oferecemos altruisticamente, o deixou pelo caminho... abandonado e feito em frangalhos...!

29 de dezembro de 2010

Promessas são promessas...

A vida tem ironizado comigo! E muito...

Há 15 anos e meio, quando a minha mãe faleceu, prometi a mim mesma que só voltaria a comemorar o Natal com o espírito correspondente quando ele voltasse a ter significado de família para mim, e chamem-me maluca, aos 16 anos, achava que isso só seria possível no dia que tivesse um filho.
Por isso, ao longo dos últimos 15 anos, não mais montei árvore de Natal, não mais houve presépio em minnha casa, nem luzes, nem nada assim parecido.
A pouca família que me resta sempre me acolheu a mim e ao meu pai nas festas natalícias e isso para mim bastava-me! Sem desmerecer a minha família, que têm sido um pilar na minha existência e todo o meu apoio além do meu companheiro, o Natal mesmo assim não era comemorado, pelo menos por mim, com aquela vontade, aquele entusiasmo de antes... porque alguém me faltava, para preencher um vazio que ficou com a partida da minha mãe!
Ela embelezava os meus Natais de uma forma muito simples, mas quando isso desapareceu, percebi a dimensão da importância que tinham na minha vida. Ela comprava as minhas prendas quase 1 ou 2 meses antes e tentava sempre esconder onde eu não descobrisse, mas eu encontrava-as sempre, sempre! E abria-as... com muito cuidado, sem danificar o papel de embrulho. Via o que era (matava a minha curiosidade) e depois punha tudo de novo no seu lugar! É claro que ela percebia sempre que eu já tinha ido abrir o presente... lembro-me de uma boneca linda, que eu adorei tanto, que me custou voltar a por na caixa... e nesse Natal, o dia 25 parecia nunca mais chegar...
E depois no Natal, a minha mãe fazia sempre pastéis de batata doce, que me fazem água na boca até dizer basta!
E com ela isso desvaneceu-se!
Por isso, jurei! Só voltaria a montar o pinheiro quando tivesse um filho, porque aí sim, teria razões bastantes para comemorar!
E realmente tenho!!! Todas e mais algumas... porque sim, já tive um filho. E porque ele nasceu no dia de Natal! Por isso, mesmo que não quisesse assinalar o dia, como poderia não haver festa em minha casa???!!!
Por isso, este ano houve pinheiro de Natal (com luzes e tudo!) e presépio e os pastéis de batata doce... bem, esses... uma amiga minha, há uns anos "tramou-me" e convenceu-me a ensinar-lhe a receita dos pastéis da minha mãe, e então de há 6 anos para cá há sempre pasteladas!

Agora digam lá que não é ironia??!!

20 de dezembro de 2010

Em dias como hoje...

Só me apetece ficar em casa, recolhida, no sossego!

É que quando eu acordo com a sensação de que o mundo inteiro se uniu para me tramar... ui ui!

15 de dezembro de 2010

15-12-1911

Manuel de Oliveira.
Assim se chamava o meu avô, o único que eu tive o prazer de conhecer!
Completaria hoje 99 anos, não fosse sucumbir a um AVC em 1988...
Eu adorava a forma doce e paciente com que falava comigo, nunca me lembro de me ter levantado a voz uma única vez, mesmo quando eu fazia as maiores diabruras - e eu bem que as fazia! Ao invés de me ralhar explicava-me calmamente onde tinha errado e o que devia fazer para corrigir as minhas asneiras.
Deixava-me sempre ganhar nos jogos de cartas, mas espicaçava-me acusando-me sempre de fazer batota, só para me ver afinar.
Deixava-me pregar-lhe partidas com as almofadas porque adorava ver-me rir a bandeiras despregadas.
Adorava andar com ele na horta e enquanto ele cavava batatas eu apanhava flores do campo com que fazia colares e pulseiras, enfiadas em juncos da ribeira.
Ainda hoje, por causa do meu avô, sinto uma vontade tremenda de me meter por campos de milho adentro, quando avisto um, porque me recorda o quanto era feliz nos dias em que o acompanhava para ir tirar bandeiras ao milho.
Lembro-me dos verões porque me talhava bonecos nas cascas das melancias que eu comia avidamente.
Ainda hoje guardo o seu relógio de bolso, o chapéu de feltro e o seu olho de vidro.
O meu avô não sabia ler, mas era uma pessoa infinitamente mais sábia do que muitos doutorados e afins.
E eu idolatrava-o e afirmava a pés juntos que ele chegaria aos 100 anos, porque aos 75 ele percorria 8 km a pé e não parecia ficar cansado. Porque apesar de medir apenas metro e meio, era um homem rijo, trabalhador e extremamente generoso, porque dava sempre roupa a quem não a tinha e comida a quem lhe batia à porta com fome.
Herdei dele a teimosia, que era muita e a casa térrea em taipa com telhado artesanal de cana e telha portuguesa, que ele construiu com as suas mãos em 1948.
Tenho saudades tuas avô, da tua incomensurável paciência e da tua infinita capacidade de ouvir e escutar com atenção! Tenho saudades do teu doce carinho e da alegria que sentias quando me vias feliz!
Em grande medida, tive uma infância muito feliz por tua causa!
Quem me dera que tivesses chegado aos 100 anos!

Mais um adeus...

Hoje fui a um funeral. Mais um... na minha assim nem tão longa vida.
Mais um adeus, mais um caixão depositado numa cova a sete palmos de profundidade...
E no meio daquela tristeza, tomei consciência mais uma vez de que só me resta um único familiar de sangue directo: o meu filho!
Claro que tenho ainda uma tia e primos é o que não me falta e estão sempre lá para mim! E são todo o meu apoio, juntamente com a minha cara metade.
Mas o facto permanece... não tenho avós e avôs e os meus pais também já partiram... e como nunca tive irmãos ou irmãs... resto eu e o meu filho!
E enquanto tomava consciência disto, senti uma pontadinha de inveja de todos aqueles que são 10, 15 e 20 anos mais velhos do que eu e ainda têm pais, mesmo que sejam uns chatos e já estejam a ficar caquenhos e marrecos...

10 de dezembro de 2010

Excuse me????

Há dias fui a uma loja para comprar a prenda de anos do meu filhote: um triciclo.
Quando chegámos à caixa, fomos atendidos por uma rapariga novinha, na casa dos recentes vinte, que diz categorica e prontamente assim que eu depus a caixa do brinquedo em cima da bancada: "Os srs. têm que ter cartão cliente para levar esse artigo!"...
Eu e o meu companheiro desta vida ficámos mudos, estáticos e num misto de surpresa e incredulidade, perante aquela verdade tão directa e categórica. E avessos que somos (ambos) a fazer cartões de cliente contra nossa vontade, só porque uma miúda afirma que é assim que tem que ser!...
Nós até nem somos consumidores/clientes chatos e embirrentos, mas perdoem-me lá se detesto ter que subescrever um cartão só porque a loja diz que sim, que tem que ser, porque tem que ser!
Quando lhe perguntei a razão de ser daquela exigência, ainda mais me convenci de que a miuda não só não sabia o que dizia, como além disso deve ter tido pouca formação na área de atendimento ao cliente.
A razão invocada era que só com o cartão cliente poderíamos usufruir da garantia do dito brinquedo.
Ora aí, limitei-me a dizer-lhe: "desculpe, mas assim que eu pago um artigo e me dão a factura, a garantia pode ser comprovada apenas pela factura. E desculpe, mas não faço cartões de cliente só porque me querem obrigar."
E se assim fosse, o mais certo era eu simplesmente ter deixado lá o artigo e vinha-me embora sem comprar nada na loja, porque já dizia o Vasco Santana: "Chapéus há muitos!..." e triciclos também!
Quando lhe expliquei que não me poderiam obrigar a fazer o dito cartão, a miúda demonstrou o seu desagrado e diz-me num tom claramente de menina mimada: "a sr.ª é que sabe, para mim é-me indiferente!"
Escusado será dizer que outro colega mais "iluminado" se encarregou de amenizar as coisas, e explicar que fazer o cartão era só uma medida de comodidade, e até trazia vantagens, no caso de encomendas futuras de material e acumulação de pontos e descontos, etecetera e tal. E sim, acabámos por fazer o bendito cartão.
Mas confesso que o fizémos um pouco a contragosto... mas como a minha laranja-metade costuma ser assíduo cliente na dita loja...

No entanto, aquele contacto com a miuda parecía-nos estranhamente familiar e nisto veio-nos à memória que já tínhamos sido atendidos pela dita funcionária numa outra ocasião, em que também revelou um comportamento algo estranho.
A minha laranja-metade quis comprar umas botas xpto, com impermeabilidade à chuva e forro quentinho por causa das noites frias de trabalho passadas ao relento e tratou de ir à loja encomendar o tamanho dele, porque a loja não tinha disponível. A dita miuda não só sugeriu outro modelo de botas para evitar fazer uma encomenda, como quando o meu companheiro, numa de cortesia, teve uma expressão facial de desagrado disfarçado, ela lhe pergunta directamente: "está tudo bem? O Sr. parece estar chateado...!" Excuse me???!!! "O Sr. está chateado?!"
Mas que p.... tem ela a ver com isso?! E se estiver?! O meu querido limitou-se a ficar especado a olhar para ela com aquele ar de "põe-te no teu lugar, antes que eu me aborreça, e faz lá a encomenda já que eu quero ir-me embora". A coisa só não evoluiu porque ela entretanto solicitou a ajuda de um colega, mais vocacionado para fazer encomendas...
E a pergunta do costume é: quais são as probabilidades de termos dois "episódios rocambolescos" com a mesma funcionária?
Nós até trememos só de pensar quando entramos na loja, se iremos esbarrar com ela...!