31 de julho de 2010

Tempos de paz

Ontem vinha para casa a ouvir rádio, quando começou a tocar a "Bohemian Rapsody" dos Queen.
Nisto dei por mim a pensar que estou grata por viver em tempos de paz.
Mas de repente fui assolada por uma angústia: desejei que também o meu filho viva em tempos de paz, para que nunca tenha que pegar numa arma, em nome dos interesses dos outros, e seja obrigado a apontar a arma à cabeça de alguém! Para que ele nunca tenha que matar indiscriminadamente porque os poderosos assim o determinaram...
Desejei que nunca ele conheça o rosto da guerra e muito menos seja forçado a alistar-se para ir combater numa guerra que não é dele...

"Morrer por falta de assunto"

Não fiz nenhum post de homenagem a António Feio, como tantos outros... mas prestei-lhe a minha homenagem cá dentro!
Sei que todos temos que morrer mais tarde ou mais cedo e sim custa! Ver partir pessoas que têm um âmago bom, serem vítimas de uma doença assim.
Homenageei-o porque reconheci nele a luta incessante e a esperança perpétua de que tudo faria para vencer numa batalha desigual uma adversária feia e muito maligna... a mesma luta que a minha mãe travou há 15 anos contra um cancro de mama! Durante 2 anos e meio também a minha mãe encarou a doença e jurou vencê-la, mas foi uma guerra avassaladora, tal como aconteceu com o António Feio e também a minha mãe foi vencida...
Consegui enquanto pude não me emocionar com as imagens que foram sendo passadas do António Feio, mas hoje enquanto almoçava, assisti a uma entrevista feita pelo Daniel Oliveira há cerca de um ano. E o António Feio disse de sua justiça tudo o que lhe ia na alma em relação à doença e à perspectiva da morte... e se já o admirava, mais o admirei naquele momento!
E retive uma ideia daquilo tudo: que tal como ele disse, há pessoas que fumam toda a vida e morrem "por falta de assunto"...
Eu tomei consciência de que eu quero ser dessas que morrem por falta de assunto!
Mas principalmente, quando morrer não quero ter tempo para me aperceber de que a morte me espreita e me ronda. Tal como rondou o António Feio, tal como rondou a minha mãe...
Não quero ter que olhar a Morte nos olhos durante meses e meses... prefiro que ela me enfrente rapidamente!
Porque o resto que o António Feio deixou de mensagem final, eu já faço: todos os dias aproveito a vida, não tenho deixado nada por fazer e principalmente por dizer... e tento ajudar os outros sempre que posso!

30 de julho de 2010

Curiosidade mórbida

O ser humano tem uma característica estranha que me faz muita confusão... a chamada curiosidade mórbida!

Refiro-me àquela curiosidade que demonstram sempre que passam pelo local de um acidente... aquela ansiedade de querer saber o que se passou, quantos são, quantos foram, quantos carros, motas ou outro veículo, e morreram, e partiram braços, ou pernas????
E de súbito parece que estão a querer assistir a um espectáculo...!
Não entendo, juro que não entendo...!
Eu quando passo pelo local de um acidente esforço-me ao máximo por desviar o olhar ou então concentro-me na estrada. Porque acho que as pessoas envolvidas merecem respeito e não morbidez! Porque sei que se fosse eu a sinistrada não quereria ter 50 mil olhos postos em mim, como se eu fosse uma peça em exibição.

Como trabalho na construção, infelizmente já tive que ir algumas vezes a locais de acidentes de trabalho e sempre num papel ingrato: o de "investigadora" do acidente. Tenho que tentar saber logo em primeira mão o que se passou... e isso incomoda-me, porque a pessoa está ali em sofrimento e não quer ser bombardeada com perguntas e muito menos quer ser vista com a "piedade" dos curiosos!
E o que sempre tentei fazer nestes casos foi manter a dignidade daquela pessoa que está ali a sofrer e possivelmente assustada com o desfecho que tudo aquilo vai ter...

(Falta de) Civismo

É um dos gestos que mais me dá nos nervos...!
É ir na estrada e o sr. ou neste caso específico a sr.ª condutora que segue na viatura à minha frente atirar a beata do cigarro pela janela...!

O carro deve ter sido mais barato, não traz cinzeiro???!!!
Ou dá muito trabalhinho limpar a porcaria que fica depois dos cigarros terem sido fumados?

É que eu tempos também fui fumadora, e nas raras vezes que o fazia dentro do carro, nunca atirei a beata pela janela fora!...

29 de julho de 2010

Sem travões

Sou uma mulher que tem muitos pares de brincos, muitos mesmo!
Todos eles parecem ter uma determinada história, sobre onde os comprei, ou quem mos ofereceu, com quem estava quando os vi ou acompanham uma determinada fase de minha vida...

Por exemplo, o par que eu mais adoro foram os primeiros brincos que comprei com a primeira mesada que a minha mãe me deu, tinha eu 11 anos; encontrei-os numa banca dum mercado mensal da terra e são pretos: um sol e uma lua. Foram feitos à mão e comprei-os não só porque os achei originais mas porque dizem muito de mim... sou de extremos, ora sou a lua ora sou o sol!

Tenho-os de todos os formatos, feitios, tamanhos, pequenos, grandes, compridos, largos, pendurados, com bolas, com berloques, enfim...

E quando os compro ou mos oferecem eles trazem sempre travões!
Ora eu que adoro todos os meus brincos, todos sem excepção, apesar de gostar deles de formas diferentes, acabam invariavelmente sem os travões, sem um ou sem os dois... e isso faz-me ficar assaz (ai que eu gosto tanto desta palavra...) aborrecida... parece que os meus brincos sem os travões não mais são os mesmos, a meu ver, por terem ficado sem o travão perdem o brilho que tinham... mas porque receio perdê-los por não estarem devidamente travados.
Tenho alguns pares que tive tristemente que guardar na minha caixa de música (oriunda da Índia, trazida como prenda para a minha mãe por um ex-namorado que combateu na guerra em Goa) porque se os uso sem travão perco-os!
E o que mais me dói na alma é que quando há 2 anos estive em Barcelona, de férias com uma colega de faculdade, encontrei uma bodega que os vendia, aos magotes e eu, burra (estúpida, parva, "atleimada") não comprei logo uns 10 kgs deles (sim, vendiam os travões ao quilo...) para poder renovar o brilho aos meus pares de brincos "cast-away" dentro da caixa de música que veio da Índia...
O melhor será regressar a Barcelona só para ir à procura da bodega???!!!

28 de julho de 2010

Carta ao filho

A Ana C. propôs um desafio que achei muito interessante e decidi desde logo aceitar... escrever uma carta a um filho ou a alguém que nos preenche o coração.
Antes mesmo de o F. ter nascido escrevi-lhe cartas e de vez em quando continuo a fazê-lo, quando posso, quando tenho tempo...!

Por isso, aqui transcrevo a primeira carta que escrevi ao meu filhote F.

"22 de Novembro de 2008,

F.
Olá, eu sou a tua mãe! Chamo-me N. e o teu pai G.! Ainda não te conheço, mas já te amo muito, há muito tempo que te desejo, por isso ficas a saber que és muito amado e desejado! Há 32 semanas que te carrego na minha barriga, com muito carinho e felicidade, e sinto-me a mulher mais cheia de sorte por esse privilégio: o de ser tua mãe!
Converso contigo todos os dias para que conheças a minha voz antes mesmo de nasceres e conto-te pormenores da minha vida diária, de mim e do teu pai.
Eu e o teu papá já te adoramos tanto, mesmo contigo "escondido" na minha barriga e, estamos a preparar tudo para te receber entre nós com todo o conforto e amor.
Queremos que sintas o quanto gostamos de ti e que sintas o quanto os teus papás são felizes juntos um com o outro, o quanto nos amamos um ao outro, o quanto somos companheiros.
Eu e o teu papá desejamos que sejas um menino muito saudável, feliz e cheio de sorte e vamos fazer de tudo para que assim sejas!
Queremos transmitir-te todos os valores e princípios que nos orientam para que cresças alegre e digno!
Já conseguimos "ver-te" algumas vezes, através do monitor da ecografia e nem imaginas como ficámos felizes, ao ver-te ali tão pequenino!
E como ficamos quietos e silenciosos quando te sentimos a mexer dentro da minha barriga, todos os teus pontapés são uma sensação espectacular e são momentos de alegria para mim, como se fosse a forma de falares comigo!
Aguardo calmamente pelo dia do teu nascimento, que está previsto para 15 de Janeiro de 2009, por isso, meu filhote querido, nada de seres apressadinho e quereres nascer no Natal ou no Ano Novo!... Aproveita o calor e o conforto da barriguinha da mamã!
Neste momento há tanta coisa que te queria dizer e contar, sobre mim, sobre o teu pai, sobre o mundo, os nossos familiares e amigos e todos os que estão felizes por sentirem a minha felicidade e a do teu pai, por sabermos que vens aí, para nos fazeres ainda mais felizes!
Tenho muito para te contar, por isso, esta é a primeira de muitas cartas que te hei-de escrever!
És o maior tesouro que eu e o teu pai temos!
Amo-te muito F."

Nota: escusado será dizer que o F. ignorou o pedido da mãe e nasceu exactamente no dia de Natal de 2008...

26 de julho de 2010

Dia dos avós

É um dia bonito de se assinalar, acho que os nossos pais merecem comemorar o facto de serem pais uma segunda vez, por assim dizer...
No entanto, para mim este dia surge ensombrado...
Especialmente ao ver as lembranças que fizeram na escola, em nome do meu pequeno filho (porque ele é demasiado pequeno para tanta criatividade e perfeição...), para serem entregues aos avós maternos e paternos...
Ele agora ainda não compreende, mas haverá um dia que ele sentirá a mesma tristeza que eu senti, quando abri a dos avós maternos... abri-a em nome dos meus pais, que já cá não estão para acompanhar o crescimento do meu pequeno filho.
Um dia ele vai sentir-se diferente na escola, dos seus amiguinhos e coleguinhas, porque eles terão concerteza um destinatário a quem entregar as suas lembranças, feitas propositadamente para assinalar o dia e a importância de que se revestem os avós...
Um dia ele vai entender que não tem a quem entregar as suas lembranças feitas com carinho...!

25 de julho de 2010

Quem disse?...

Que as tarefas domésticas têm que ser enfadonhas, cansativas e aborrecidas?
Pois eu hoje decidi, que se tinha 50 mil peças de roupa para engomar, porque havia de ficar fechada em casa, a suar que nem uma louca, agarrada ao ferro de engomar???...
E então trouxe a tábua de engomar e pus-me a gozar a fresquinha maravilhosa que corria debaixo do telheiro do meu quintal...
E soube tão bem ser dona de casa!

20 de julho de 2010

Três é a conta que Deus fez

Há dias dei por mim a tomar consciência de que há muitos "trios" na minha vida e não pude deixar de me perguntar se isso terá algum significado profundo e espiritual-místico ou se no fim de contas não passa de meras coincidências...
1. Por circunstâncias de herança, sou proprietária de 3 casas e que para cúmulo ficam em 3 concelhos algarvios diferentes;
2. Também por circunstâncias de herança, lá em casa temos 3 carros de 3 marcas diferentes e de 3 "formatos" diferentes: um utilitário, uma sw e uma carrinha mista de passageiros/mercadorias...
3. Possuo 3 telemóveis, ou melhor, ando com eles na mala, porque um deles é do patrão...
4. E lá em casa somos um conjunto de 3 pessoas...
E agora lembrei-me doutra (boa!): 5. nasci há 3 décadas!...
Será o universo a querer dizer-me alguma coisa???

17 de julho de 2010

Constantes

És a minha constante, o meu centro de equilibrio, és tudo o que sempre desejei e muito mais...!
És quem me adoça o coração de manhã, com a tua vergonha ensonada e um sorriso tímido;
És quem me preenche a alma e a faz descansar ao início da noite com os teus olhos doces de quem está carregado de sono.
És o meu maior tesouro, és toda a minha esperança, alegria, felicidade, plenitude, serenidade e tolerância!
Quando te seguro nos meus braços junto a mim de manhã, para te dar o biberão e quando te embalo à noite junto a mim, és de novo o pequeno ser que foi crescendo lentamente na minha barriga, por quem ansiei sossegadamente por conhecer.
És de novo como que só meu, parte integrante e integral do meu ser...
Gosto de te abraçar junto a mim, junto ao meu coração, para que de algum modo possas sentir o amor que dele transborda!

14 de julho de 2010

...

Ela inspirou fundo antes de inserir a chave na fechadura, que de tanto tempo sem uso, já estava encarrixada e entrou cabisbaixa na casa que outrora era o seu abrigo diário.
Olhou em redor, na quase escuridão das janelas cerradas há meses e encontrou nas paredes fotografias e quadros que lhe eram familiares e que de algum modo faziam parte do seu imaginário de infância.
Visitou cada uma das divisões devagar e suavemente, como quem tem receio de recordar todas as lembranças que aquela divisão específica encerra...
Recordou com um nó na garganta os dias em que a casa era habitada, em que a luz entrava orgulhosamente pelas janelas abertas de par em par.
Sentiu a tristeza e a nostalgia de entrar no quarto que era seu, que escolheu para ser seu, quando tinha apenas quatro anos e antes da mudança para ali... Sentiu que tudo o que ali ainda permanecia intacto fazia parte de si, da sua vivência enquanto pessoa, mas que de algum modo, isso era tão longínquo que já não conseguia discernir ao certo se teria sido mesmo ela a viver tudo isso ou se seria uma fábula contada por alguém, que apenas tinha ficado retida profundamente na sua memória...
E antes que saísse daquela casa e desse por terminada aquela visita, deteve-se numa fotografia um tanto desfocada e embutida numa moldura empoeirada, aquela que fora tirada alguns anos antes, onde estavam todos os membros da família, um dos poucos registos das reuniões familiares... e reviu os rostos um a um... e suspirou ao aperceber-se que naquela fotografia estavam os rostos de 3 pessoas que entretanto desapareceram... que já não mais ficarão registadas em nenhuma fotografia de família...
E apertou-a contra si e abraçada a ela, voltou a encerrar a porta daquela casa, rodando a chave na fechadura perra e lutou contra o desejo de olhar para trás, como que ainda a procurar que alguém lá estivesse para acenar adeus, como antigamente!

9 de julho de 2010

Desesperadamente à procura de...

Um sistema de ar condicionado para ver se refresco de vez...!
Antes que derreta o cérebro...
Ou antes que expluda de tanta irritação que para aqui vai!!!

8 de julho de 2010

Do calor e de saunas...

Eu que sempre adorei o sol, o calor, o verão, a praia, o bom tempo, ultimamente dei por mim a maldizer o sol e o calor!
Continuo a gostar de praia, mas não da mesma forma, de ir e ficar horas "espernangada" na toalha ao sol, a ler um livrinho e ouvir música nos phones e estar meias-horas de molho na água, por muito fria que estivesse!
Agora vou para a praia logo de manhãzinha e às 11h sinto-me a esturricar e a bufar de tanto calor que sinto e só me quero vir embora!
Continuo também a gostar de bom tempo, mas a minha noção do que é isso mudou um tanto radicalmente... já não é sinónimo de sol e calor abrasador... para mim, o bom tempo agora significa um dia de solinho tímido, com nuvenzinhas brancas fofas e sempre acompanhado de brisa fresquinha!
Mas o calor anda a tirar-me o sossego e a serenidade... ando irritadiça a maior parte do tempo e eu que ansiava pela chegada del verano, porque tanta chuva e tanto inverno já aborreciam!
A minha casa nova parece um forno, assim a tirar para uma sauna gigante... não consigo dormir sem perspirar copiosamente, não adianta abrir ou fechar janelas e persianas... a temperatura é elevada e o ar pesado, abafado... dificulta a respiração e a vontade é estar sempre debaixo do chuveiro!
Depois o local de trabalho, que até tem um aparelho de climatização, é outra sauna, um pouco mais fácil de tolerar, mas igualmente sufocante e quente... somos demasiadas pessoas e equipamentos produtores de calor conjugados no mesmo (pequeno) espaço e o AC por mais boa vontade que tenha, não consegue fazer milagres e refrescar a malta toda.
Por isso, nestes últimos dias, posso garantidamente afirmar que o único local onde me sinto bem climatizada é... dentro do carro!...

5 de julho de 2010

Can I wright you a ckeck???

Foi o que tive que fazer esta manhã na EDP...!
Quem havia de dizer que esse rectangulozinho de papel, que eu sempre desprezei, porque eu sou mais adepta do rectangulozinho de plástico, que levo comigo para todo o lado, me ia safar de ter que andar para trás e para a frente à procura de uma caixa multibanco, para saldar contas com a prestadora de energia eléctrica???
Eu que só requisitei cheques, porque nunca se sabe, e se um dia preciso, e pode ser que lhes dê uso um dia destes...
E hoje foi o dia em que precisei, e numa situação de aperto, e por isso, compreendi que esta coisa antiga dos cheques dá um jeitão!
Mas também, agora pergunto-me: a EDP, essa empresa tão avançada no tempo, não foi capaz de aderir ao pagamento por multibanco nos seus balcões??? Só cheques ou direinho vivo e à vista???
Devo ser eu que sou muito moderna...!