28 de junho de 2010

Não me importo

De ter chegado atrasada hoje ao trabalho.
Porque aqueles 15 minutos passei-os contigo... a aproveitar o teu sorriso ensonado, mas brincalhão.
A contemplar a tua semi-vergonha matinal, o teu abraço característico à fralda, que agora, quase aos 18 meses adoptaste sem mais nem porquê!
E adorei quando te riste por eu te estar a ensinar a dizer "pé"...
Cheguei atrasada, perdi 15 minutos de trabalho...
Mas ganhei horas de alegria serena!
Gosto de te ver crescer, de te ir conhecendo todos os dias mais um bocadinho!
Gosto de te amar todos os dias mais um pouco!

Sabe bem...

Estar sentada à fresca da sombra do telheiro de nossa casa, sentir a brisa fresca e conversar sobre isto e aquilo!...
Sabe bem quando me dás a mão porque me vêm as lágrimas aos olhos, pela tristeza da saudade!...
Sabe bem que fiques calado enquanto ouves o que tenho para partilhar contigo!
Sabe bem que me digas se concordas ou não com os meus planos para o futuro!
Sabe bem sermos assim cúmplices!...

22 de junho de 2010

Todos os dias...

Faço questão de dar um beijo ao meu marido enquanto ele dorme, antes de sair para o trabalho! (mesmo nos dias em que estamos meio de candeias à avessas... sim, porque todos os casais de tempos a tempos têm divergências!...)
Faço questão de cobrir o meu filho de beijos!
Porque eu não sei se regresso... não se não haverá algo que me impeça de voltar... eu sei que parece fatalista, mas todos os dias dou um beijo ao meu marido e 50 ao meu filho porque não quero nunca pensar que me podia ter despedido e não o fiz...
Tudo porque demasiado cedo na vida descobri que podemos perder as pessoas que amamos num minuto... e porque a vida ao menos teve a "delicadeza" de não me levar as pessoas que eu amei sem que eu tivesse tido a oportunidade de lhes dizer o quanto as amava e de me despedir!
E não, não o faço com tristeza!... Faço este gesto todos os dias com o meu coração cheio de amor por eles os dois!

18 de junho de 2010

Há dias...

Em que me levanto com uma música irritante a "tocar" em repeat na minha cabeça...
(hoje era o Bad Romance da Lady Gaga... oh música mais enervante, feia, medonha e outros adjectivos que mais vale nem reproduzir!)
Depois fui buscar o meu pequenino à cama e ele tinha tanto soninho que me custou tanto começar no despe-veste do dia-a-dia semanal... mas tinha que ser!...
Mas o meu coração ficou mesmo apertado quando o deixei no infantário...
Com o seu polozinho cor-de-rosa (lindo lindo, mas que o pai simplesmente censurou, porque homem que é homem não usa essas cores...) e os corsários de ganga, agarrado à fralda (como faz quando tem sono) e a olhar para mim, com aqueles olhos tristes de quem está prestes a virar o quadro do "menino da lágrima"...
E eu saí de lá, com a tristeza de saber que não podia ficar para brincar com ele, dar-lhe companhia, acompanhar as suas descobertas do dia.
Mas pequenino, amanhã sou toda tua e tens a minha atenção completa!

9 de junho de 2010

O mundo em redor

Em certos dias, quando tenho tempo, páro e fico a observar o mundo em meu redor.
Gosto de parar dez minutos e ficar ali quieta, a ver o mundo a desenrolar-se à minha volta. Observo a expressão desta ou daquela pessoa, a atitude que tomou perante um dado acontecimento.
Ontem tive um desses momentos de "exploradora do National Geographic sociológica" enquanto acabava de almoçar na zona de restauração de um centro comercial muito frequentado da minha cidade natal.
E a atenção prendeu-se num casal de idosos que almoçavam pacatamente numa mesa, que por acaso tinha outra mesmo junta, vazia.
A dada altura, uma jovem adolescente pergunta se a mesa está ocupada e o idoso responde com um aceno que não. Mas julgo que ele esperava que a jovem se sentasse e não que lhe arrebatasse a mesa, quase fazendo cair a sua revista que estava meio cá-meio lá...
A jovem estava acompanhada por mais sete ou oito adolescentes e foi no espaço de minutos que montaram uma "mesa familiar de tertúlia" com as mesas disponíveis circundantes e cadeiras que foram pedindo aqui e ali.
E montaram tudo ali, "paredes meias" com o casal de idosos. E foi aí que parei para prescrutar os seus semblantes, as suas reacções, as suas expressões faciais.
E o que esperava seriam acenos e esgares de desaprovação pela algazarra que se instalara ali a poucos centimetros...
Mas não... o casal que almoçava pacatamente acabou por se sentir um estorvo e fizeram algumas tentativas, dentro das suas capacidades físicas de afastar a sua mesa e as suas cadeiras, de forma a não incomodar a confraternização que ali se iniciara.
A expressão que lhes observei foi a de que se sentiam ali a mais e estavam dispostos a ceder parte do espaço que haviam ocupado até então, apenas para poderem continuar a sua refeição, como até ali, pacatamente!
E o que normalmente acontece nestas ocasiões em que me ponho com contemplações, é que achei por bem tentar pôr-me no lugar daquele casal e perguntei-me a mim mesma, se quando chegar à idade deles, e se colocada perante uma situação semelhante, terei a mesma atitude... a de afastamento para evitar a confusão.
Com a minha personalidade mais "efusiva" (chamemos-lhe assim...) possivelmente não terei a mesma atitude, acho que o mais certo é até ter a tal atitude de revirar os olhos em reprovação e fazer esgares de crítica a "esta juventude"... mas quem me garante a mim que a vida não me trará serenidade e sabedoria para simplesmente optar por ignorar e escolher almoçar pacifica e sossegadamente, mesmo que ao lado se esteja a montar um acampamento de algarviada...??!!

8 de junho de 2010

"Morrer é só não ser visto"

É o nome de um livro fantástico que li há uns dois meses atrás e que me fez compreender tanto da minha vida presente!
São relatos de pessoas que passaram pela experiência de perder alguém muito querido para a Morte e que de alguma forma aprenderam a viver com a ausência, com a falta física, com a saudade...!
Revi-me em quase tudo o que li... porque muito (demasiado) cedo tive que conviver com isso... tive que aprender que as pessoas que mais amava não estavam ali fisicamente, mas que de algum modo me acompanhavam. E isso foi-me dando conforto!
Mas ao ler este livro tomei consciência de uma outra realidade... a de que perdi mais uma pessoa, e mesmo muito importante, mas que de algo modo "obliterei" esse facto... e não iniciei o "processo do luto".
Por isso, hoje, passados que são 6 meses de que perdi o meu pai, acho que finalmente comecei a tomar consciência... (não que não tenha sentido falta dele todos os dias que entretanto se passaram...) e o sentimento principal que me acompanhou nestes seis meses é o de "orfandade".
Quando a minha mãe morreu, não me senti propriamente orfã... mas agora que ambos não estão comigo, por perto, é exactamente isso que sinto: orfã!
Mas de alguma forma, acredito que morrer é só não ser visto! Porque acredito que de algum modo os que amamos e que nos amaram estão ao nosso lado!...

1 de junho de 2010

Dia Mundial da Criança

Hoje é o Dia Mundial da Criança...
E isso levou-me para o meu imaginário de infância.
Nos dias em que a minha mãe me acordava com um verso na mesa de cabeceira acompanhado de um bombom ou de um chocolate!
E eu era uma criança tão mais feliz!
Por isso, para haver crianças felizes no mundo, têm que existir pais e mães, avôs e avós, tios e tias, e adultos que tenham gestos de amor e carinho para com elas!!