23 de maio de 2009

Circuitos todos trocados

Ando com os circuitos todos trocados... há duas noites que não consigo pregar olho!
Não porque o meu pequenote me tenha incomodado particularmente, porque esse sai aos papás, é um cu de sono...

Mas o meu corpo rebelou-se de alguma forma!

Apesar do cérebro ditar que está na hora de dormir, de fechar as pestanas e respirar fundo e sornar até ao dia seguinte, nada!... O resto do corpo não acata! E depois são voltas e voltas, incessantes e intermináveis na cama... a tentar acompanhar o João Pestana.

Na segunda noite sem dormir, o corpo começou a acusar o cansaço, mas mesmo assim teimoso que nem um urso, decidiu não aceitar as ordens do cérebro e apesar de estar prestes ao esgotamento físico, insistiu em não conciliar o sono!

E o que é certo que já não sei a quantas ando... de tão atrofiados que estão os neurónios todos, que sinto como que a explodir lentamente, um a um... de tamanho cansaço!

Por isso, ó corpinho, tu orienta-te e vê lá se dormes esta noite, fachavôre!

21 de maio de 2009

Tudo o que é bom...

Termina...
Após cinco meses espectaculares, de férias do mundo do trabalho, do stress do dia-a-dia, de gente mal educada, mal formada e até mesmo mal cheirosa...
Após cinco lindos meses de companhia ao meu mais que tudo, que só me trouxe alegrias e me fez renascer e reiventar como pessoa e mulher...
Tenho que voltar ao trabalho segunda-feira!
E voltar a calçar a bota de biqueira de aço e envergar o belo do capacete de protecção, esses dois companheiros inseparáveis na minha profissão.

13 de maio de 2009

Sr. Legislador, vá-se f...

tirada da net

Os legisladores são figuras, a meu ver, muito caricatas, para não lhes chamar outras coisas menos dignificantes... as leis que fazem passar e aprovar têm quase sempre boas intenções, mas como se costuma dizer... disso está o Inferno cheio!
Acredito que entendam que com as leis que aprovam vão mudar e melhorar algumas coisas, mas esquecem-se, quase invariavelmente de tentar perceber como se aplicam na prática... ou então, criam-nas de maneira tão intricada, sempre sujeitas a múltiplas variações de interpretações!
Mas desta vez, senti-me ultrajada, como mulher, pessoa e principalmente mãe... apregoaram uma coisa como um avanço tremendo e espectacular nas leis de parentalidade, como se de autêntico «break through», mas vai-se a ver... talvez seja pior a emenda que o soneto!

Senão vejamos:
A lei anterior permitia à mãe o gozo de 120 ou 150 conforme sua escolha e de mútuo acordo com a entidade patronal, sendo que no caso de 120 dias recebia a 100% em termos de subsídio (com base no vencimento) e no caso de 150 dias a 80%.
O pai apenas tinha direito a 5 dias logo após o nascimento do rebento.
Ora entendeu o legislador que se deveria reforçar o papel do pai e como tal alargar a sua presença nos meses mais tenros da criança. Concordo plenamente! Nem sei como levaram tantos anos ou décadas para chegar a esta conclusão...

No entanto, saiu asneira! E da grossa...

A mãe continua a poder gozar os mesmos 120 ou 150 dias, tal como na lei anterior... no entanto, há uns quantos pormenores importantes que alteram tudo em nome da «parentalidade»:

o pai pode agora gozar 30 dias seguidos ou dois períodos de 15 dias interpolados. Muito bem, diriam todos!

Mas esses dias têm obrigatoriamente que ser gozados dentro do período de 120 ou 150 dias de licença da mãe... e isto se quiserem no final dos 150 dias poder gozar mais 30, num total de 180! Ou seja, a mãe, figura central nesta relação tem que deixar o pai gozar um mês dos 4 ou 5 a que tinha direito, isto para poder gozar mais tempo e para poder receber 100% do vencimento.

Conclusão: não deram nada a ninguém! Tiraram um mês de licença da mãe para dar ao pai... mas vieram anunciar ao país que reforçaram claramente a parentalidade...

Eu sendo mamã recente, pergunto: como é que se pode reforçar seja o que fôr, se nos primeiros meses de vida de uma criança, esta só pode ter presente um dos pais...

E depois o pediatra do meu filho quer que eu amamente em exclusivo até aos 6 meses, para que ele tenha uma saúde mais reforçada... como é que eu faço isso se a partir do 5.º mês dele já tenho que ir trabalhar e passo cerca de 7h fora de casa, mesmo com gozo de 2h para aleitamento???

Acho bem que se reforce o papel do pai na vida da criança, mas não à custa da relação da mãe, que é de suma importância, por razões mais que óbvias!...

Sr. Legislador, para a próxima, ao menos faça as coisas de maneira a favorecer ambos os pais e não apenas dar a ilusão disso!...

11 de maio de 2009

Ligação à terra...

Há uns dias andei por aqui...

Soube tão bem, descalçar os sapatos e tocar convictamente na areia, sentir o seu frescor!

Fez-me tão bem, descarregar todas as energias menos boas que vou acumulando com o passar dos dias!

Este é um exercício que preciso fazer com alguma regularidade...

Parece que a cada passada que dou na areia refrescada pela água límpida e cristalina destes mares algarvios (ainda pouco impolutos pelas vagas desenfreadas dos turistas e veraneantes...), todas as peças do puzzle que compõem a minha existência se vão encaixando melhor!

É como se com o burburinho das ondas e o marulhar das águas, as coisas começassem a fazer sentido, a criar-se lentamente um quadro mais colorido e mais cheio de esperança no futuro que espreita do outro lado das rochas da falésia imponente e altaneira!...

Parece que o sentir-me pequenina perante um colosso como é o mar do oceano as falésias lentamente desgastadas pelo vaivém do mar, me faz relativizar todos os pequenos dramas diários em que me vou enredando!...

Quando me «ligo à terra» parece que consigo exteriorizar-me de mim mesma, e encontro a solução para resolver ou desmitificar o que me aflige. Quando se está «de fora», consegue-se ter uma visão mais prática das coisas...

O cheiro do sal e da maresia faz-me respirar melhor, menos oprimida! Faz-me respirar fundo e encontrar o meu centro... é como meditar, mas caminhando de sapatos na mão!

É este o efeito que o mar tem em mim...

10 de maio de 2009

A violência está nas nossas cabeças...

tirada da net

Ontem fiquei abismada com um documentário da BBC... de vez em quando escolhem temas bastante interessantes, sem dúvida!

O que vi ontem era sobre violência e agressividade no ser humano, um tema que me despertou desde logo a curiosidade.

O jornalista, pacifista de convicção, um pouco como eu, queria entender porque há pessoas que gostam da violência e conseguem até mesmo retirar prazer de infligir dor e sofrimento a outro ser humano.

E as conclusões a que ele conseguiu chegar foram para mim perturbadoras, sob vários prismas. Porque eu a cada passo que o documentário avançava, tentava extrapolar para a minha vida quotidiana...

Primeiro, fiquei completamente incomodada com as imagens de um evento anual na Colômbia, chamado Tinku, em que pessoas da mesma idade e tamanho se desafiavam e andavam literalmente à porrada, chegando a haver mortes daí decorrentes. O que mais me chocou, além do facto de aquilo ser natural para aquela aldeia colombiana como forma de resolução de disputas, foi a noção de violência ser exaltada e ser incutido em crianças de tenra idade... quando extrapolei, fiquei perturbada a sério, porque tenho um bebé pequeno e só quero é defendê-lo de toda a dor e sofrimento, e como tal de todas as formas de violência - física e psicológica!

Depois, o jornalista opta por outra abordagem: a de que todos nós nascemos com a agressividade «impregnada e gravada» no nosso cérebro, mas que com a socialização, aprendemos a reprimir a agressividade, porque a paz é um valor da maior parte das sociedades. Ou seja, qualquer criança até aos 3 anos de idade, é incapaz de controlar os seus impulsos agressivos. Mas com a aprendizagem de que a agressividade tem que ser controlada e reprimida, o nosso cérebro cria mudanças físicas no nosso cortéx central.

No entanto, se a agressividade for estimulada, o córtex central produz dopamina a ponto de viciar como o sexo e as drogas! Aqui perguntei-me como é que alguém fica «viciado» em violência??

Mas as duas abordagens seguintes foram ainda mais perturbadoras para mim:

- a de que a privação de sono ou a submissão constante a situações de stress podem quebrar as ligações no córtex central que permitem controlar os impulsos agressivos, e uma pessoa perfeitamente pacífica pode ter um "acesso" de agressividade e dar um tiro num vizinho incomodativo por exemplo...

- a de que se tivermos um acidente de viação ou outro qualquer que afecte o córtex central, uma pessoa perfeitamente pacífica pode efectivamente perder toda a noção dos limites da agressividade - um sr. que teve um acidente de carro e sofreu danos irreversíveis no córtex central, após uma discussão insignificante com a esposa, pegou numa arma e matou-a e aos filhos a tiro!...

E para concluir a coisa: um estudo em que numa experiência científica, as pessoas testadas eram capazes de infligir uma potência eléctrica de 450 volts a outra pessoa, apenas por pensarem que isso seria importante para o desenvolvimento da Ciência, mesmo ouvindo o desgraçado gritar (ficticiamente, claro!) com as dores dos choques eléctricos... Dos 12 testados, só 3 foram capazes de desistir da experiência por se sentirem mal ao estarem a infligir dor a outra pessoa... os outros 9 deram a descarga máxima sem a menor das preocupações, como se fosse natural...!


Isto incomodou-me deveras porque se há coisa que nunca compreendi é como é que alguém é capaz de magoar fisica e psicologicamente outra pessoa, e ainda mais se for de forma deliberada... mas acho arrepiante a ideia de que se dormir pouquíssimo durante muito tempo ou se levar uma qualquer paulada na cabeça posso simplesmente transformar-me numa «agressora» ou até mesmo numa «assassina»!...

E vai que um dia nos deparamos com um doido/a qualquer cujos «controladores» de agressividade pifaram??

Pode um Ghandi transformar-se num Mr. Hyde sem mais nem menos???

8 de maio de 2009

Palavras vazias

Eu sempre fui uma pessoa cheia de palavras... tinha sempre mil "estórias" para contar!
E quase sempre insólitas...
O que fazia com que família e amigos se "descanecasse" a rir!...
Mas de há uns tempos para cá, as palavras tornaram-se como que vazias... não me reconheço na matraca que era, sempre a conversar... chegava a cansar... e era notoriamente conhecida por isso!
Do mesmo modo que conversava longamente, também criava textos e histórias mentais, muitos deles passados ao papel...
Mas de há uns tempos para cá... parece que as palavras se esvaíram, se exilaram e sinto que o meu cérebro está hibernado...
Será que estou a ficar com "Alzheimer"???

6 de maio de 2009

Saudade...

A quem me mostrou o mundo como ele é...
A quem me ensinou a caminhar mais além...
A quem me fez evoluir... e ambicionar algo mais...
A quem me ensinou a não baixar a cabeça perante as dificuldades...
A quem me induziu a sonhar... e a lutar para concretizar os meus sonhos...
A quem me transmitiu esperança!
A quem me incutiu força!
A quem me mostrou a perseverança!
A quem me fez viver!!!
A quem muito admiro,
A quem hei-de manter a memória viva,
A quem agora presto homenagem:

À minha mãe!

(esta foi a dedicatória que escrevi na minha tese de licenciatura, em 2001, porque foi a minha mãe que me encorajou a estudar, para ter «um futuro melhor», dizia ela...)

Esta homenagem faço-a todos os dias, mas hoje em particular, porque a minha mãe, Vera C. completaria hoje 69 anos de idade...

E porque eu não abdico da tua memória, de todas as boas recordações que me deixaste e dos valores que me transmitiste e que guiam a minha vida e definem boa parte de quem sou, hás-de perdurar para sempre enquanto eu manter a chama da tua lembrança viva!
Depois de toda a tristeza da tua perda, ficou uma enorme saudade...!

3 de maio de 2009

Dia da Mãe

tirada da net


Hoje assinala-se o dia da mãe!...
Durante 13 longos anos não tive razões nenhumas para assinalar este dia... aliás, era sem dúvida um dia tremendamente triste para mim...! Porque me recordava que a minha mãe já não estava cá para eu lhe poder oferecer um ramo de flores ou um postal lamechas a dizer clichés habituais desta ocasião...
Hoje volto a ter razão para assinalar este dia: porque agora sou eu que sou mãe!...
E finalmente sei a alegria que isso representa!
É claro que o meu pequenote é muito novo para me oferecer flores ou oferecer postais, ou até mesmo para dizer: "feliz dia, mãe!"...
Mas ao menos, assinalo este dia num misto de saudade da minha mãe e de sensação de plenitude por ser mamã!
Feliz dia para todas as mães, as presentes e as ausentes!
Mãe, onde quer que estejas, adoro-te e sinto a tua falta, para me ajudares e ensinares a ser mãe...!

1 de maio de 2009

À noite ao luar...

Hoje ao ver as imagens na televisão, senti um friozinho na barriga e lembrei-me de como foi a minha Serenata de Caloira, no longínquo ano de 1997...

Foi bom recordar a emoção que senti de envergar o traje académico pela primeira vez e a preocupação que senti de não ter nenhum pedaço de roupa branca à mostra... a carga emocional que se sente naquela praça foi concerteza um dos pontos altos da minha vida académica!

Bons tempos esses...!